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Caso Robertinho: Reconstituição de crime é cancelada a pedido do delegado

Mecânico colocou a casa à venda depois da morte do adolescente. “Perdeu a graça. Colocamos a placa há uma semana", afirmou Roberto

Reprodução/Facebook
Roberto Campos da Silva foi morto por policiais militares no dia 17

Atualizada às 14h52.

A reprodução simulada dos fatos que levaram a morte do estudante Roberto Campos da Silva, de 16 anos, o Robertinho, no Residencial Vale do Araguaia, em Goiânia, foi cancelada. A ação estava marcada para ser realizada na tarde desta segunda-feira (17).

Segundo a Polícia Técnico Científica, o delegado do caso, Marco Aurélio Euzébio Ferreira, solicitou o cancelamento alegando que algumas pessoas intimadas não poderiam comparecer ao local do crime. Marco Aurélio disse que precisa de um prazo maior para que todos compareçam, mas não vai demorar mais que duas semanas.

Em nota, Polícia Civil informou não ter sido possível realizar a reconstituição das circunstâncias relativas à morte do adolescente Roberto Campos da Silva devido ao fato de os participantes do procedimento não terem sido todos intimados em tempo para a realização da diligência. Dada a imprescindibilidade da presença de alguns dos participantes, optou-se por postergar a reconstituição dos fatos. Tão logo as intimações tenham sido feitas, será marcada nova data para o procedimento.

Robertinho morreu depois de ser baleado por policiais militares em 17 de abril. O pai dele, o mecânico Roberto Lourenço da Silva, de 42, também ficou ferido na ação. Na noite do crime, os soldados Cláudio Henrique da Silva, Paulo Antônio de Souza Júnior e Rogério Rangel Araújo Silva desligaram o padrão de energia da casa onde estavam o adolescente e a família. Depois, os policiais invadiram o local, balearam o mecânico com cinco tiros e o filho dele, com quatro disparos. O jovem não resistiu e morreu no local.

O pedido da reconstituição foi feito pelo advogado dos militares, Maurício de Melo Cardoso, que, em entrevista ao O POPULAR, na edição de hoje (17), havia adiantado que solicitaria a remarcação. “Vou fazer um pedido para a reconstituição ser no mesmo horário (do crime) para avaliar a questão da visualização”, diz o advogado. 

Dois advogados da defesa da família e que fazem parte de uma comissão constituída pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão na residência e informaram que irão aguardar o horário marcado para a reprodução e com isso confirmar o cancelamento.

O pai de Robertinho, o filho mais novo e a esposa também estão no local. O mecânico colocou a casa à venda depois da morte do adolescente. “Perdeu a graça. Colocamos a placa há uma semana", afirmou.

O Promotor Leandro Murata, do Grupo de Controle de Atividade Policial (GCA) do Ministério Público de Goiás (MP-GO) também está no local.  Ele não é promotor do caso, mas veio para acompanhar e disse que vai aguardar, aqui, posicionamento oficial sobre o cancelamento.

A esposa de Roberto contou que a única luminária de segurança que tinha na casa foi usada pelos policias para procurar as cápsulas de bala pela casa, já que estava sem energia. Ainda segundo o relato dela, o equipamento estava em um estante no quarto do casal e depois sumiu. Um parente encontrou a luminária jogada no quintal da residência quando fazia uma limpeza.

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