Cidades

Caso Robertinho: PM teria forjado troca de tiros

Roberto Lourenço da Silva seria ouvido no Hugo, na tarde desta quinta-feira (20), mas depoimento foi adiado. Para a família, pai de Robertinho contou como militares mataram o filho na segunda-feira

Zuhair Mohamad
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O dono de oficina mecânica Roberto Lourenço da Silva, de 42 anos, contou para a família detalhes de como aconteceu o assassinato do filho mais velho, Roberto Campos da Silva, o Robertinho, de 16 anos, durante a invasão à casa dele na segunda-feira. Segundo ele, que foi baleado na ação dos policiais militares do serviço reservado do Comando do Policiamento Metropolitano (CPC-2), um PM usou a arma dele para atirar no portão de dentro para fora, forjando uma suposta troca de tiros no local.

A esposa dele, que pediu para não ter o nome publicado, disse que o Roberto detalhou a ação para a família e contaria também para a Polícia Civil, o que não foi possível nesta quinta-feira, quando o delegado Marco Aurélio Euzébio Ferreira, adjunto da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH) esteve no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). O motivo do adiamento do depoimento não foi informado. O delegado não falou com a imprensa e não retornou as ligações.

Ela contou que assim que a energia foi cortada na noite de segunda-feira, Roberto e Robertinho foram ver o que estava acontecendo. Robertinho iluminava o motor do portão com a lanterna do celular e assim que o pai abriu uma fresta no portão usando uma chave de fenda no motor, o adolescente foi baleado na perna e ficou sentado na garagem. Na sequência, Roberto foi baleado e os soldados Cláudio Henrique da Silva, Paulo Antônio de Souza Júnior e Rogério Rangel Araújo Silva chutaram repetidas vezes o portão pequeno da casa e a invadiram.

“Os dois estavam baleados e os homens perguntavam onde estava a arma. O Roberto falou que estava debaixo do carro. Ele me disse que um deles pegou e atirou de dentro para fora”. O revólver calibre 38 de Roberto foi apreendido e estava com quatro cápsulas deflagradas.

O assessor de imprensa da Polícia Civil, delegado Gylson Mariano, confirmou ontem ao POPULAR, que Roberto deve ser indiciado pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

Os três militares estão presos preventivamente pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio, invasão de domicílio e abuso de autoridade. A prisão em flagrante deles foi convertida em prisão preventiva na quarta-feira, em audiência de custódia presidida pelo juiz Oscar de Oliveira Sá Neto, da 7ª Vara Criminal de Goiânia.

Além da arma de Roberto e dos militares, a Polícia Civil apreendeu a CPU do sistema de segurança da casa de Roberto para que as imagens, se foram capturadas, sejam analisadas pela perícia.

“A CPU funciona sem energia elétrica e estava escondida na laje. Não sei se filmou tudo. Só pegamos e entregamos para a Polícia Civil”, contou.

O celular de Robertinho foi encontrado pela família, sem o cartão de memória, enrolado em um edredom no quarto do adolescente. O aparelho estava em uso pela vítima na hora da execução. A família não sabe explicar como ele foi parar no guarda-roupas, enrolado no edredom. O equipamento foi desbloqueado e entregue para ser periciado também.

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