Cidades

Baleia Azul: polícia investiga mais dois casos em Goiânia

Sobe para seis o número de crianças encaminhadas à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) por suspeita de práticas de automutilação

Pelo menos seis crianças foram encaminhadas para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Goiânia, esta semana, com suspeita de participarem do jogo Baleia Azul. A série de notícias sobre a prática que estimula a automutilação e pode chegar ao suicídio, em casos extremos, chamou a atenção de escolas particulares e também do poder público.

Uma escola particular tomou a iniciativa de publicar no Facebook e no WhatsApp um alerta. No texto, o colégio ressalta que os filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, à vontade para falar das frustrações e serem apoiados.

A diretora pedagógica do colégio, Maria Olívia Barbo Siqueira Simões, comenta que o assunto já foi abordado em sala de aula pelos professores e que tem observado o comportamento dos alunos. Entretanto, ressalta que é preciso um trabalho mútuo entre a escola e a família nesse processo de orientação.

Trabalho semelhante foi desenvolvido por outra escola, segundo o diretor Jacinto Leite Pinto, principalmente no horário de intervalo, acompanhando se o assunto é levantado nas rodinhas de conversa.

Na rede pública, também há uma preocupação. A secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, pontua que os pais devem ser alertados sobre a existência do referido jogo, porém, nenhum caso foi registrado nas unidades de ensino. “Mas caso haja, a rede está preparada para os devidos atendimentos”, explicou referindo-se ao grupo de trabalho psicossocial da pasta.

No âmbito municipal, a questão pode até ser trabalhada em conjunto com outros setores. Gustavo Vale, Apoio Técnico-Professor da Secretaria Municipal de Educação (SME), comunica que é avaliada a possibilidade de formar parcerias intersetoriais com a Secretaria Municipal de Saúde e com a Pasta de Segurança Pública, para o desenvolver um projeto de amplo alcance, que possa efetivamente esclarecer sobre os riscos e os perigos presentes em todas as formas de interface com a internet.
Por sua vez, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) avalia que o jogo evidencia a situação de vulnerabilidade de muitas crianças, adolescentes e famílias. Por isso, orienta que o monitoramento vá além da rede social e que os responsáveis acompanhem quem são os amigos dos filhos, as preferências, entre outros pontos. 

As psicólogas da gerência de saúde mental da secretaria, Renata Silva Santos e Juliana Sousa Pires, ressaltam que a ajuda profissional pode ser buscada nos Centros de Atenção Psicossocial ( CAPS). A esfera municipal destaca que os Caps Girassol e Água Viva realizam atendimento infanto-juvenil, e possuem projetos coletivos que visam acompanhar pacientes com quadros de depressão e ideação suicida.

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) tem realizado trabalho de orientação para as escolas municipais. Já a Polícia Militar de Goiás (PMGO) informou que o Batalhão Escolar está à disposição para dialogar com os órgãos de ensino e contribuir dentro de suas atribuições.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção de Goiás (OAB-GO)também vai aderir à orientação e deve publicar na próxima semana recomendações de cunho social e jurídico, conforme a presidente da Comissão dos Direitos da Criança e Adolescente, Bárbara Crunivel.

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