Atualizada às 17h42 de 24/08/17Em uma operação focada na relação de trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego em Goiás identificou irregularidades em três Organizações Sociais (OSs) que administram sete hospitais públicos na Região Metropolitana de Goiânia, principalmente na contratação de médicos e excesso de jornada dos trabalhadores nas áreas de saúde. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (24) em coletiva de imprensa.Em uma estimativa, os auditores do trabalho acreditam que as OSs deixaram de recolher mais de R$ 8 milhões de reais em Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nos últimos cinco anos. Apenas uma delas tem passivo trabalhista de R$ 6 milhões provenientes de 169 reclamações.A auditoria flagrou, também, jornadas de trabalho de até 60 horas contínuas para médicos, inclusive em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e centros cirúrgicos e até sem vínculo de trabalho.Além disso, o Ministério apontou que houve quarteirização da mão de obra médica para empresas de fachada e contratação de profissionais sem processo seletivo transparente.O auditor do trabalho Ricardo de Oliveira, responsável pela operação, entregou hoje formalmente os autos de infração para a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. Segundo ele, foram lavrados 23 autos de infração por fraude em contratos de trabalho e jornadas excessivas que podem somar até R$ 120 mil. Os autuados possuem dez dias pra recorrer.A OS Gerir administra o Hugo e o Hutrin. Já a Agir é responsável pelo Hugol e pelo Crer. Por último a organização Nossa Senhora de Lourdes conduz o IGH, HMI e Huapa. A informação dada à reportagem é de que apenas a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) iria se pronunciar sobre o assunto. Em nota, a SES-GO afirmou que "somente se manifestará após ser comunicada oficialmente do conteúdo da notificação pela Auditoria Fiscal do Trabalho e depois de oportunizado o prazo de defesa das Organizações Sociais citadas".