Cidades

Após massacre em Amazonas, sistema prisional em Goiás está em alerta

Integrantes do PCC são monitorados em três presídios goianos. CNJ apontou abandono na POG

Wildes Barbosa
NO LIMITE - Por meio de assessoria, a Secretaria de Segurança Pública informou que atualmente a população carcerária goiana é de 14.999 detentos, sendo 6.593 no regime fechado e 8.406 são presos provisórios

Operações preventivas nas celas e reforço no policiamento externo das unidades prisionais pela Polícia Militar foram algumas das ações adotadas para evitar desentendimentos entre presos, motins e rebeliões nos presídios goianos desde o início da semana. “Estamos tendo uma cautela a mais nas unidades maiores, principalmente para evitar problemas como o de Manaus”, disse o do Superintendente de Administração Penitenciária, coronel Victor Dragalzew Júnior.

No domingo, 56 presos foram mortos e cerca de 200 fugiram no Complexo Penitenciário de Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM). Os detentos da facção Família do Norte (FDN) esquartejaram os inimigos do Primeiro Comando da Capital (PCC). O temor é que agora o PCC revide a ação em alguma unidade prisional do País. Membros da facção criminosa paulista cumprem penas nos presídios de Itumbiara, Rio Verde e no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

“Não podemos afirmar que são do PCC ou se se intitulam como sendo do PCC. De qualquer forma, todos são monitorados”, contou o coronel Dragalzew. O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes disse que o governo federal está monitorando os presídios para identificar qualquer indicativo de plano de vingança do PCC. O superintendente Executivo da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP), coronel Edson Costa Araújo, confirmou que existe a preocupação e por isso providências já foram tomadas.

A juíza da Vara de Execuções Penais de Goiânia, Telma Aparecida Alves, está de licença médica desde novembro, mas disse que apesar do período de repouso, não para de pensar na situação do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia desde a notícia sobre o massacre de Manaus.

Ela contou ao POPULAR que a superlotação das unidades e a falta de segurança no local fizeram com que ela abandonasse o hábito de ir às celas ouvir as reivindicações dos presos na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. “Eles se armaram lá dentro para garantia de suas vidas. As facções se instalaram e vi que não havia mais segurança. Eles se armaram não foi para fugir. Eles querem cumprir suas penas, mas querem, acima de tudo, viver”, contou. Diante da falta de segurança, o trabalho passou a ser feito ouvindo monitores de alas na administração das unidades.

O domínio dos presos dentro da POG não é uma novidade para a Justiça. Ao realizar o Mutirão Carcerário em 2012 para traçar o raio x do sistema penitenciário brasileiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) denunciou abandono, superlotação e insegurança na unidade, ressaltando o que chamou de “negligência estatal”.

O presidente da Associação dos Servidores do Sistema Prisional do Estado de Goiás (Aspego), Jorimar Bastos, disse que a superpopulação carcerária em Goiás faz com que as unidades pareçam “bombas relógio”. São 12 mil vagas disponíveis para 19 mil presos em Goiás. “É perigoso e tenso, mas o Estado quer o caos do sistema para instalar a terceirização dos presídios.” A assessoria da SSPAP informou que atualmente a população carcerária goiana é de 14.999, sendo 6.593 no regime fechado e 8.406 são presos provisórios. Ano passado ocorreram 26 mortes dentro de prisões em Goiás. Destas, 20 foram homicídios.

Perigosas e lotadas
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