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Homofobia: um crime que atinge todos nós

Goiás aparece entre os 10 estados brasileiros que mais se comete crime contra homossexuais

Fazer parte de uma das letras da sigla LGBTQ é automaticamente resistir para existir, em diversos níveis. Mesmo quem tem a sorte na família, pode ter azar no ambiente escolar ou acadêmico. Se nunca sofreu tratamento diferente relacionado à orientação sexual no trabalho, pode já ter sido alvo de atitudes discriminatórias na rua. Dependendo de qual a sua letra na sigla (gay, lésbica, bissexual, transexual e diversas outras equações), a situação pode ser ainda pior.

Para o jornalista Roldão Barros, “chego até aqui reconhecendo meu privilégio por ser um homem gay, para começar. Isso, infelizmente, não significa que posso viver em paz”. De acordo com um relatório produzindo em 2015 pelo Grupo Gay da Bahia, 52% das vítimas LGBT era de gays e 37% de transexuais. Entre as causas da morte, arma branca e de fogo são as mais comuns.

Um estudo da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo afirma que 70% da população mundial não gostaria de ter filhos LGBTQs e 25% acha que deveria ser considerado crime ser homossexual. O Brasil é o país onde LGBTQs mais sofrem agressões no mundo, e 60% dos crimes são cometidos por pessoas conhecidas, mais de 30% dos casos de morte ocorrem dentro de casa. Goiás aparece entre os 10 estados que mais comente crimes homofóbicos no país.

“Não que alguém possa viver em paz absoluta, mas somam-se às dificuldades usuais do dia a dia o fato de já ter precisado enfrentar familiares que me desafiaram por ser gay, precisar ser defendido pela minha mãe enquanto o pastor falava como isso era pecado dentro da nossa própria casa, quando ouvi xingamentos gratuitos na rua enquanto caminhava sozinho, por ser claramente afeminado, ou quando, em meio a diversos casais demonstrando afeto em um bar, chamaram a minha atenção pedindo para parar com os selinhos que dei no meu então namorado.” É importante lembrar que heterossexuais também são afetados por esses crimes já que 7% dos homicídios por homofobia no Brasil não mataram gays, mas heterossexuais que foram confundidos com gays.

“O caso no bar, inclusive, foi o único motivo que tirou a minha paz a ponto de querer procurar justiça nos tribunais. Não consegui. O bar saiu ileso, mas eu precisei de ajuda para me fortalecer novamente. Felizmente, recebi convites de novos bares e espaços em Goiânia abertos à diversidade. Eles estão aumentando! Recebi também, neste final de semana, a notícia de que Brasília, logo aqui do lado, teve uma lei anti-homofobia regulamentada. Por lá, o processo demorou 17 anos. A capital nacional se junta agora a outras cidades brasileiras. Aos poucos, vamos entrando no século XXI”, finalizou o jornalista.

 

Esta matéria foi produzida em parceria com o jornalista e escritor goiano Roldão Barros, 27 anos.

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