Fabiana Pulcineli

Governo pagará R$ 3,36 milhões em consultoria para rever contratos de OSs da Saúde

Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
Fabiana Pulcineli

O governo goiano, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, contratou consultoria de São Paulo para rever os contratos com organizações sociais para a gestão dos hospitais do Estado. A W Taborda Consultoria Executiva de Saúde foi escolhida por inexigibilidade de licitação, pelo valor de R$ 3,36 milhões, em período de dois anos.

A consultoria inicia os trabalhos em meio a reclamações das OSs de falta de repasses e consequente atrasos em pagamentos de prestadores de serviço, servidores e fornecedores. Há ainda relatos de falta de medicamentos e materiais em algumas unidades.

O secretário de Saúde, Leonardo Vilela, admitiu ao blog que há "atrasos eventuais", inclusive para custeio, mas garantiu que "não houve transtornos na prestação de serviços à população". "A Secretaria de Saúde não é arrecadadora. Apenas repassa os recursos à medida que chegam da Secretaria da Fazenda. Temos mantido contatos frequentes com as OSs para que elas priorizem pagamentos, renegociem com fornecedores e evitem maiores problemas. Até o momento o funcionamento dos hospitais está dentro da normalidade", afirmou.

Leonardo disse que a consultoria não tem como foco aumentar ou reduzir valores repassados às OSs, mas sim revisar contratos no que diz respeito a melhorar a transparência, garantir sistema de controle mais rígido e reavaliar as metas. "O modelo exige aperfeiçoamento contínuo. Considero a consultoria extremamente útil para aprimorar o sistema e qualificar os gastos públicos", justificou o secretário.

O dono da empresa de consultoria, Wladmir Taborda, esteve em Goiás em 2011, a convite do governo, para palestras sobre a implantação do modelo de OSs nos hospitais. Ele participou da estruturação do sistema em São Paulo. No início deste mês, já contratado para a consultoria, Wladmir afirmou em reunião com diretores de OSs que o modelo depende fundamentalmente de repasses regulares.

"Não temos dúvidas. O governador, a secretária da Fazenda e eu temos absoluta convicção disso (da necessidade de repasses regulares). Por isso estamos em constante contato com as OSs para priorizar pagamentos e fazer com que os eventuais atrasos para custeio sejam administrados para não causar prejuízo à população", afirmou Leonardo, que diz não saber valores em atraso.

O Giro informou no dia 4 que as OSs reclamam de falta de repasses por dois meses e afirmam que cerca de R$ 100 milhões referentes a 2015 não foram pagos. Até então, a SES afirmava se tratar apenas de dinheiro referente a investimentos.

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