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Abóbora cabotiá, a queridinha dos nutricionistas

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Nos últimos dias, com o friozinho do início da semana, andei fazendo vários testes de receitas mais leves de sopa de abóbora cabotiá, também conhecida como abóbora japonesa, ou tetsukabuto (que significa “capacete de ferro”; tetsu = ferro e kabuto = capacete), provavelmente pelo formato e coloração verde-escura da casca.

Em meio a tanto teste na cozinha, me perguntaram: “Por que vocês nutricionistas gostam tanto dessa abóbora?” É mesmo: por quê? Pus-me a pensar. Lembrei-me de quando ainda estava na faculdade aprendendo a calcular dieta “a mão” e, em meio a uma aula, a professora contava divertidamente que a maioria dos alunos havia usado essa abóbora como referência no cálculo do cardápio. Em defesa dos coleguinhas da faculdade e da abóbora cabotiá, vamos aos seus atributos.

Colocar a abóbora cabotiá em dietas era uma beleza, primeiro porque a escolha de determinado alimento referência para cardápios deveria ser baseada no hábito e nas preferências do seu paciente e, no caso, a maioria dos nossos entrevistados relatava gostar dessa hortaliça. Segundo, era nossa queridinha, pois se tratava de uma verdura de baixa caloria – apesar do que muita gente pensa, que a abóbora é da família dos energéticos, portanto rica em carboidratos e tão calórica quanto, não é bem assim. Esse vegetal cozido tem em média 48 calorias em 100g, enquanto a mesma quantidade de arroz, por exemplo, tem 128 calorias.

Além disso, era só adicioná-la no cardápio que a quantidade de vitamina A ia lá pra cima. “Oba, fechei a vitamina A” (vibrava com isso). O alimento também tem quantidades consideráveis de vitamina C, potássio e magnésio. Seu teor de fibras (cerca de 10% das nossas necessidades diárias) dá saciedade, faz o que muita gente chama de “sustentar”.

Outra razão para tanto gosto por abóbora é sua versatilidade na cozinha – a combinação de sua textura com seu sabor suave possibilita diferentes apresentações. Nossa queridinha vai do prato principal à sobremesa, dá para fazer várias receitas com ela. Abóbora refogada é uma das formas mais usadas pelos goianos, mas também podemos servi-la assada, em musseline, como sopa ou purê, chips, recheada, ao estilo escondidinho, ou até mesmo como doce. Para todas elas, a dica da nutri é maneirar nos complementos que podem deixar as receitas engordativas ou pouco saudáveis, como a quantidade de gordura (óleo de cozinha, margarina, manteiga, creme de leite, leite de coco, etc.), açúcar ou sal.

E saiba que as sementes de abóbora também podem ser aproveitadas, e não é só pra passarinhos não. As sementes podem ser torradas: é só lavar, secar em um pano limpo ou papel absorvente, levar ao forno quente por cerca de 40 minutos; mexa de vez em quando para que fiquem torradas por igual (você também encontra as sementes prontas pra consumo nessas lojinhas de produtos naturais). As sementes de abóbora são parecidas com as castanhas, pois são ricas em gordura vegetal (insaturadas), com efeitos antioxidantes, prevenindo o envelhecimento celular devido à concentração de vitamina E e zinco. A quantidade de fibras na semente é bastante elevada e seu consumo é indicado na prevenção e no tratamento de intestino preso.

Na hora de comprar, escolha as que têm a casca firme, lisa e sem rachaduras. O consumo regular de abóbora vai bem principalmente para gestantes (pois necessitam de boas doses de vitamina A), crianças menores, já que se adaptam bem ao sabor adocicado da verdura e, claro, para a turma que precisa melhorar seu sistema imunológico (pelo teor de vitaminas e minerais que a compõem). Por tudo isso, a abóbora é, sim, nossa queridinha, principalmente se sua nutricionista for goiana do pé rachado como eu. Portanto, aproveite seus benefícios!

 

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