| A praga do continuísmo A Organização dos Estados Americanos reuniu-se ontem para analisar a
situação política tensa em Honduras, na América Central, onde deve se realizar neste
domingo consulta popular a respeito da pretensão do presidente Manuel Zelaya de se
reeleger. Como grande parte da sociedade se manifesta contra, a tensão se instalou.
A tentação do continuísmo no poder é uma praga. Não
importa qual tendência ideológica busca o continuísmo, ele sempre será um mal, pois é
um passo para as ditaduras e para o totalitarismo.
A alternância no poder faz parte dos princípios
democráticos, de modo que os verdadeiros democratas são imunizados contra a praga do
continuísmo.
No caso de Honduras, o presidente Zelaya se proclama de
esquerda, como Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador e Hugo Chávez, na
Venezuela. Todos querem ficar longo tempo no poder. Chávez, pelo resto da vida.
Não faz diferença quanto à ambição de ficar eternamente
no poder. No passado, direitistas comandaram longas ditaduras: Salazar, em Portugal,
Franco, na Espanha, Somoza na Guatemala e Stroessner, no Paraguai. Nivelam-se por baixo na
perseguição do continuísmo, pois às vezes os extremos se juntam. Democratas não
aceitam continuísmo.
Ah, os críticos
Nas primeiras décadas do século passado, Agripino Grieco
era um crítico literário demolidor. Sobre um escritor, escreveu ele: Estilo mais
engomado do que irmã de caridade. Sobre outro escritor: Pitecantropo não
muito ereto. Mas ele próprio, Agripino, que se pretendeu poeta e ficcionista,
fracassou nessa intenção.
O filósofo alemão Frederico Nietzsche (1844-1900), autor de
Assim Falava Zaratustra que, embora bem mais novo, foi amigo do compositor Richard Wagner,
poderia ter também tido êxito na música, mas foi desestimulado pela crítica. A critica
também torceu o nariz para a magnífica peça Pavana para uma Princesa Morta, composta
pelo francês Maurice Ravel, quando ele estava com apenas 24 anos. Como se vê, nem sempre
a razão está com os críticos.
O Neruda romântico
A mensagem política e social ocupa largo espaço no
território da poesia do chileno Pablo Neruda (1904-1973). Às vezes, com mensagens
ardentes e ásperas. Mas Neruda também se rendeu substancialmente à poesia romântica.
Como nestes versos do poema Teus Pés:
Quando não te posso contemplar/Contemplo os teus
pés./Teus pés de osso arqueado/Teus pequenos pés duros,/Eu sei que te sustentam/ E que
teu doce peso/Sobre eles se ergue./Tua cintura e teus seios,/ A duplicada púrpura/Dos
teus mamilos,/A caixa dos teus olhos/Que há pouco levantaram voo,/A larga boca de
fruta,/Tua rubra cabeleira, /Pequena torre minha./Mas se amo os teus pés/É só porque
andaram/Sobre a terra e sobre/O vento e sobre a água,/Até me encontrarem.
Os Estados promissores
Em resposta à crise global e ao risco de um Produto Bruto
Interno (PIB) negativo este ano, o Brasil precisa produzir mais, exportar mais - e este
apelo implica valorizar a face do Brasil novo, dos Estados emergentes. Ponto importante
para a retomada do crescimento econômico será o apoio do governo às regiões e Estados
de economia em desenvolvimento, de perspectivas promissoras, no sentido de que passem a
crescer em ritmo sempre mais rápido do que a média, compensando assim a perda de ímpeto
dos Estados que lideram há algum tempo a produção. É evidente, por exemplo, que São
Paulo não poderá mais oferecer a mesma proporcionalmente contribuição de décadas
atrás à meta de retomada do crescimento. E já Goiás, Mato grosso e Mato Grosso do Sul
são Estados que podem ampliar muito a sua contribuição proporcional ao desenvolvimento
do País.
FOLHETIM POLÍTICO
Presente de grego _ Governador de
Goiás entre 1947 e 1950, Jerônymo Coimbra Bueno ganhou de um fazendeiro presente no
mínimo estranho: um jacarezinho, capturado em um lago da fazenda. O governador mandou
colocá-lo dentro da lâmina dágua perto da entrada do Palácio das Esmeraldas.
Deputados da bancada situacionista na Assembleia Legislativa tiveram logo depois encontro
com o governador. Chegando ao Palácio, viram o jacarezinho e ficaram sabendo que era um
presente. Um dos deputados, José Fleury, comentou: Parece presente de grego.
O jacarezinho foi crescendo e um dia desapareceu. A cidade toda tomou conhecimento
disso e um temor se generalizou entre as famílias que residiam na áreas mais próximas
ao Palácio. O jacaré nunca mais foi encontrado e o tempo se encarregou de eliminar o
temor.
REFLEXÕES PARA A SEMANA
Não julgueis para
que não sejais julgados.
Evangelho, São Mateus
Ao rei a vida e os bens devem ser
dados, mas a honra, por sua vez, basta que não seja perdida.
A . Schopenhauer, filósofo alemão
Os aduladores assemelham-se aos
amigos como os lobos aos cães.
J. J. Chapman, dramaturgo norte-americano
O melhor remédio contra as ofensas
é desprezá-las.
M. Aleman, escritor espanhol
Viva durante um século, aprenda
durante um século.
Provérbio russo
Em tempo de pouca pesca, mesmo uma
lagosta é considerada peixe.
Provérbio russo
Não acorde o problema enquanto o
problema está dormindo.
Provérbio russo |