Goiânia,  11 a 17 de outubro de 2008

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HÉLIO ROCHA
A deformação do
voto de legenda

Mais uma vez em eleições proporcionais brasileiras, no caso a dos vereadores, realizada no último domingo, essa excrescência do voto de legenda deformou resultados, frustrou eleitores e prejudicou bons quadros. A protelada reforma política não pode continuar sendo mais empurrada no tempo, pois há muitas correções a serem feitas no sistema eleitoral e o critério equivocado do voto de legenda é uma delas.

Em eleições passadas já se colheu enorme amostra de que o voto de legenda é deformador. Em Goiás, o ex-deputado Aldo Arantes, um dos bons quadros da política de Goiás, sofreu duas vezes os golpes dessa armadilha. Em 2006, Vilmar Rocha, com desempenho brilhante nos mandatos que havia exercido, teve votação muito maior do que alguns dos que se elegeram – e ele, no entanto, foi sacrificado pelo critério.

Em Goiânia, no domingo passado, entre outros exemplos, os vereadores Josué Gouveia e Jacyra Alves foram barrados pela deformação do voto de legenda, não obstante tivessem sido bem votados.

Além de injusto, o critério, que em princípio visaria a favorecer a proporcionalidade pelo coeficiente eleitoral, na prática se torna prejudicial à essência da democracia, pois recusa o que o eleitor desejou.

Até quando esse risco?

O pedestre que atravessa uma rua prestando atenção no fluxo de trânsito pode ser surpreendido pela bicicleta que esteja circulando na contramão. O próprio ciclista se expõe a grandes riscos pessoais, como mostram as estatísticas de atendimento a vítimas de trânsito em Goiânia.

O outro risco está nas calçadas. Boa parte delas, em Goiânia, não oferece condições de segurança para a circulação de cadeiras de roda e carrinhos de bebê, tornando o seu uso, assim, arriscado ou no mínimo desconfortável para deficientes físicos e para mães ou acompanhantes de crianças em idade de usar os carrinhos.

No caso das calçadas, os entulhos, a inclinação acentuada, irregularidades e a ausência do rebaixamento onde se exige que existam são embaraços que também persistem porque os responsáveis nem sequer são advertidos. Até quando a cidade conviverá com tais riscos?

Uma adesão surpreendente

Recebidas hoje com naturalidade, as adesões de figuras ou áreas conservadoras à linha do presidente Lula tinham um tom de inimaginável quando surgiu o Partido dos Trabalhadores. Mas um político e empresário goiano, na época com mais de 80 anos, teve a ousadia de romper essa barreira – e se aproximou de Lula e do PT, filiando-se ao partido em 1980, entre os pioneiros da legenda.

Passou a defender a democracia popular, vendeu uma fazenda no município de Rio Verde e destinou dois terços do dinheiro recebido a uma fundação para educar menores carentes.

César da Cunha Bastos – ou apenas César Bastos, seu nome parlamentar – foi deputado federal pela conservadora União Democrática Nacional (UDN) e candidato ao governo de Goiás, em 1958.

Seu último voto foi dado a Lula, no segundo turno da eleição presidencial de 1989, quando estava com 91 anos. “Estamos andando mais rapidamente do que todos supunham. Chegaremos à Presidência”, profetizou ele numa declaração à imprensa, durante aquela campanha pós-ditadura. Lula perderia para Collor, mas insistiria e, de fato, a predição de César Bastos se confirmaria 12 anos depois.

FOLHETIM POLÍTICO

O pecado mora ao lado - Ano: 1948. Estava em curso a primeira legislatura da Câmara de Goiânia, aberta em 1947. Ana Braga apresentava um requerimento, a pedido de moradores da Rua 70, solicitando providências à Chefia de Polícia (que correspondia, na época, ao cargo hoje de secretário de Segurança) para remover algumas prostitutas que haviam se instalado nessa via. Outro vereador, Eustórgio Vaz, interfere na questão com outro requerimento, propondo que se formasse uma comissão de vereadores para discutir com as autoridades competentes outro local, “distante das ruas de família”, para aquelas mulheres exercerem suas atividades.

REFLEXÕES PARA A SEMANA

“O homem pode acreditar no impossível,
mas nunca deveria acreditar no improvável.”

Oscar Wilde, escritor inglês

“A imaginação governa o mundo.”
Napoleão Bonaparte

“As mulheres são as verdadeiras arquitetas da sociedade.”
Harriet Beecher Stowe, escritora americana

“Se você deseja que alguma coisa seja dita, procure um homem; se você deseja que alguma coisa seja feita, procure uma mulher.”
Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra inglesa

“Parto da premissa de que a função maior da liderança é produzir não apenas mais liderados, como também mais líderes.”
Ralph Nader, líder de movimento de defesa dos consumidores nos Estados Unidos

“Vamos enterrar os mortos e cuidar dos vivos.”
Marquês de Pombal, então primeiro-ministro de Portugal, respondendo ao rei José I, que indagara o que se podia fazer em seguida ao grande terremoto que abalara Lisboa em 1775