Goiânia,  27 a 3 de julho de 2009

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HÉLIO ROCHA
A praga do continuísmo

A Organização dos Estados Americanos reuniu-se ontem para analisar a situação política tensa em Honduras, na América Central, onde deve se realizar neste domingo consulta popular a respeito da pretensão do presidente Manuel Zelaya de se reeleger. Como grande parte da sociedade se manifesta contra, a tensão se instalou.

A tentação do continuísmo no poder é uma praga. Não importa qual tendência ideológica busca o continuísmo, ele sempre será um mal, pois é um passo para as ditaduras e para o totalitarismo.

A alternância no poder faz parte dos princípios democráticos, de modo que os verdadeiros democratas são imunizados contra a praga do continuísmo.

No caso de Honduras, o presidente Zelaya se proclama de esquerda, como Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador e Hugo Chávez, na Venezuela. Todos querem ficar longo tempo no poder. Chávez, pelo resto da vida.

Não faz diferença quanto à ambição de ficar eternamente no poder. No passado, direitistas comandaram longas ditaduras: Salazar, em Portugal, Franco, na Espanha, Somoza na Guatemala e Stroessner, no Paraguai. Nivelam-se por baixo na perseguição do continuísmo, pois às vezes os extremos se juntam. Democratas não aceitam continuísmo.

Ah, os críticos

Nas primeiras décadas do século passado, Agripino Grieco era um crítico literário demolidor. Sobre um escritor, escreveu ele: “Estilo mais engomado do que irmã de caridade.” Sobre outro escritor: “Pitecantropo não muito ereto.” Mas ele próprio, Agripino, que se pretendeu poeta e ficcionista, fracassou nessa intenção.

O filósofo alemão Frederico Nietzsche (1844-1900), autor de Assim Falava Zaratustra que, embora bem mais novo, foi amigo do compositor Richard Wagner, poderia ter também tido êxito na música, mas foi desestimulado pela crítica. A critica também torceu o nariz para a magnífica peça Pavana para uma Princesa Morta, composta pelo francês Maurice Ravel, quando ele estava com apenas 24 anos. Como se vê, nem sempre a razão está com os críticos.

O Neruda romântico

A mensagem política e social ocupa largo espaço no território da poesia do chileno Pablo Neruda (1904-1973). Às vezes, com mensagens ardentes e ásperas. Mas Neruda também se rendeu substancialmente à poesia romântica. Como nestes versos do poema Teus Pés:

“Quando não te posso contemplar/Contemplo os teus pés./Teus pés de osso arqueado/Teus pequenos pés duros,/Eu sei que te sustentam/ E que teu doce peso/Sobre eles se ergue./Tua cintura e teus seios,/ A duplicada púrpura/Dos teus mamilos,/A caixa dos teus olhos/Que há pouco levantaram voo,/A larga boca de fruta,/Tua rubra cabeleira, /Pequena torre minha./Mas se amo os teus pés/É só porque andaram/Sobre a terra e sobre/O vento e sobre a água,/Até me encontrarem.”

Os Estados promissores

Em resposta à crise global e ao risco de um Produto Bruto Interno (PIB) negativo este ano, o Brasil precisa produzir mais, exportar mais - e este apelo implica valorizar a face do Brasil novo, dos Estados emergentes. Ponto importante para a retomada do crescimento econômico será o apoio do governo às regiões e Estados de economia em desenvolvimento, de perspectivas promissoras, no sentido de que passem a crescer em ritmo sempre mais rápido do que a média, compensando assim a perda de ímpeto dos Estados que lideram há algum tempo a produção. É evidente, por exemplo, que São Paulo não poderá mais oferecer a mesma proporcionalmente contribuição de décadas atrás à meta de retomada do crescimento. E já Goiás, Mato grosso e Mato Grosso do Sul são Estados que podem ampliar muito a sua contribuição proporcional ao desenvolvimento do País.


FOLHETIM POLÍTICO

Presente de grego _ Governador de Goiás entre 1947 e 1950, Jerônymo Coimbra Bueno ganhou de um fazendeiro presente no mínimo estranho: um jacarezinho, capturado em um lago da fazenda. O governador mandou colocá-lo dentro da lâmina d’água perto da entrada do Palácio das Esmeraldas. Deputados da bancada situacionista na Assembleia Legislativa tiveram logo depois encontro com o governador. Chegando ao Palácio, viram o jacarezinho e ficaram sabendo que era um presente. Um dos deputados, José Fleury, comentou: “Parece presente de grego.” O jacarezinho foi crescendo – e um dia desapareceu. A cidade toda tomou conhecimento disso e um temor se generalizou entre as famílias que residiam na áreas mais próximas ao Palácio. O jacaré nunca mais foi encontrado e o tempo se encarregou de eliminar o temor.


REFLEXÕES PARA A SEMANA

“Não julgueis para que não sejais julgados.”
Evangelho, São Mateus

“Ao rei a vida e os bens devem ser dados, mas a honra, por sua vez, basta que não seja perdida.”
A . Schopenhauer, filósofo alemão

“Os aduladores assemelham-se aos amigos como os lobos aos cães.”
J. J. Chapman, dramaturgo norte-americano

“O melhor remédio contra as ofensas é desprezá-las.”
M. Aleman, escritor espanhol

“Viva durante um século, aprenda durante um século.”
Provérbio russo

“Em tempo de pouca pesca, mesmo uma lagosta é considerada peixe.”
Provérbio russo

“Não acorde o problema enquanto o problema está dormindo.”
Provérbio russo