A CPI do Cachoeira volta atrás e aprova a intimação do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que dá nome à CPI, para depor na Assembleia Legislativa. A decisão foi tomada na manhã desta terça-feira (10), no Auditório Solon Amaral, durante 11ª reunião da CPI que investiga o possível envolvimento de autoridades e políticos goianos com a contravenção e o crime organizado, e a atuação das empresas Delta e Gerplan no Estado. Na semana passada, os deputados haviam rejeitado a presença de Cachoeira para depor na CPI.

 

Na reunião, os deputados-membros da CPI rejeitaram o requerimento de autoria do deputado Mauro Rubem (PT), que solicitava a convocação para depor na comissão do secretário de Estado de Indústria e Comércio (SIC), Alexandre Baldy, do secretário extraordinário de Articulação Política, Sérgio Cardoso, do secretário de Estado da Educação, Thiago Peixoto, do presidente da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), José Luiz Bittencourt Filho, e do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincon.

 

Também foram rejeitadas a intimação do empresário Luiz Alberto Rassi, do diretor-presidente da Agência Goiana de Gás Canalizado (Goiasgás), Marcos Martins Machado, do cabo da Polícia, Marcelo Alessandro Capinam Macedo, e dos coronéis da Polícia Militar Eurípedes José Marques, Paulo Alves, Marciano Basílio de Queiroz e Raimundo Nonato de Araújo Sobrinho.

 

Em seguida, foram aprovadas a intimação do coronel Divino Efigênio de Almeida e de Ozenir Pereira Soares, prima do cabo da Polícia Militar, Marcelo Capinam, acusado de ter cometido atentado à casa do senador Demóstenes Torres em 2004. Na época, Ozenir, acusou o primo de ser autor de ter disparado tiros na casa do senador. Requerimento é de autoria dos deputados Mauro Rubem (PT) e Daniel Vilela (PMDB). Por consenso, deputados-membros da CPI aprovaram requerimentos em bloco e escolheram dois promotores de Justiça para depor. São eles: Tito Souza do Amaral e Bernardo Boclin Borges.

 

Aredes Correia Pires

Em depoimento na CPI, o delegado Aredes Correia Pires revelou ao deputado Talles Barreto (PTB) que esteve por duas vezes com o empresário Carlos Cachoeira, por causa de inquéritos relativos a atividades com jogos ilegais. Ele explicou que foi coordenador de campanha do deputado João Campos (PSDB) e participou ativamente da política, por isso conhecia o ex-vereador Wladmir Garcêz. "O Wladmir me disse várias vezes que Carlos Cachoeira tinha deixado a contravenção e tinha se tornado um empresário bem-sucedido", comentou o delegado, que ainda admitiu que conversou em rádio Nextel de Wladmir Garcêz quando estava em companhia do ex-vereador.

 

Ele também afirmou a Talles Barreto que não existe comprovação de seu envolvimento com Carlinhos Cachoeira e que não sabia das atividades ilegais do empresário. Sabia apenas de possível envolvimento de parentes de Cachoeira com a contravenção. Sobre os diálogos com Cachoeira gravados pela polícia federal, Aredes explica que os policiais conversavam com criminosos e contraventores. “Temos diálogos com bandidos de todas as espécies”, afirma.

 

O delegado reconhece que as conversas que manteve com Carlinhos Cachoeira são imorais. Talles Barreto explica que, num diálogo com o contraventor, ele faz revelações sobre as atividades do serviço de inteligência da Polícia Civil.

 

Aredes explicou que era apenas "uma forma de se livrar do empresário". "Em nenhum desses diálogos houve a comprovação de que uma dessas ações se efetivasse", afirmou o delegado.

 

O delegado Aredes Correia explica que esteve com representantes da Construtora Delta somente por ocasião da assinatura de contrato de locação de veiculos para a Secretaria de Segurança Pública, que seriam fornecidos pela referida empresa. Ele afirma que participou apenas da parte festiva da cerimônia, momento em que os carros foram entregues.

 

Aredes Pires revela também que combateu a contravenção e comandou a maior apreensão de máquinas de bingo da história.

 

O deputado Wagner Siqueira (PMDB) sugere que o delegado Aredes Correira Pires processe o ex-vereador Wladmir Garcêz e Carlos Cachoeira, já que, como disse o próprio Aredes, estes teriam citado seu nome indevidamente em diálogos gravados pela Polícia Federal.

 

O delegado Aredes Correia Pires explica ao deputado Mauro Rubem (PT) que foi promovido, pela primeira vez, no governo de Alcides Rodrigues (PP), por indicação do ex-secretário de Segurança Pública, Ernesto Roller, em reconhecimento ao seu trabalho. Ele disse, ainda, que as promoções políticas na Polícia Civil são muito difíceis de acontecer.

 

Aredes disse aos deputados que o combate aos caça-níqueis era "desmotivante", pois a polícia fazia a apreensão num dia e, no outro, já existiam novas máquinas funcionando no mesmo lugar. "As máquinas enchiam as delegacias e nada era feito pelas instâncias superiores para solucionar o problema", afirma.

 

O delegado Aredes Pires afirma que foi o autor da sugestão que equipou a Polícia Civil em Goiás com aeronaves, mas não participou do processo de compra das máquinas. "A Polícia Civil ou Militar não faz processo licitatório ou administrativo de um real sequer. O máximo que pode ser feito é pedir a realização da compra", explica o delegado.

 

Em depoimento, o delegado Aredes explica que era próximo ao ex-vereador Wladmir Garcêz, mas não mantinha relacionamento com Carlinhos Cachoeira e não recebia remuneração paga pelo contraventor. O delegado afirma ainda que nunca conversou com a ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo (PSDB), Eliane Pinheiro.

 

Niteu Chaves Júnior

A CPI começa a ouvir o delegado de polícia Niteu Chaves Júnior, que antes de ser afastado de suas funções foi durante sete anos o titular do 2º Distrito Policial da cidade de Luziânia.

 

O delegado de polícia Niteu Chaves Júnior afirma que teve contato com Washington e Vitorino, proprietários de máquinas de caça-níqueis, que lhe foram apresentados por Lenine Araújo de Souza, com quem mantinha encontros casuais e ficou mais próximo durante uma pescaria em Mato Grosso.

 

Lenine, de acordo com a Polícia Federal, era supostamente o contador do grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele conta também que não sabia das atividades ilegais de nenhuma dessas pessoas.

 

Niteu Júnior afirma ao relator Talles Barreto (PTB) que recebeu de Lenine Araújo de Souza, uma passagem para a Argentina, para onde viajou de férias com sua mulher. No entanto, ele garante que, posteriormente, ressarciu Lenine, em dólares, que teria trazido da viagem.

 

O delegado conta que Lenine e empresários da região ajudavam muito a delegacia que comandava na cidade, que é escassa em recursos, pois até papel para impressão costumava faltar e que, por reconhecimento ao seu trabalho, a sociedade de Luziânia sempre ajudava no funcionamento do distrito policial. O delegado explica ainda que é candidato a vereador pelo PTB em Luziânia e que, por isso, tem ido em busca de patrocinadores para sua campanha.

 

Niteu revela ainda que os R$ 2 mil aos quais Lenine e Washington se referiram, em conversa telefônica grampeada, seriam destinados, na verdade, à delegacia de Luziânia. Na conversa, os dois contraventores dizem que a quantia seria entregue a Niteu.

 

O delegado Niteu Chaves Júnior explica ao deputado Mauro Rubem (PT) que não só Lenine Araújo de Souza, mas outros empresários, se disponibilizaram a ajudá-lo em sua campanha para vereador do município, nas eleições deste ano.

 

Niteu Chaves reafirma que não recebia dinheiro do grupo de Cachoeira e que não sabia das atividades ilegais das pessoas com quem convivia em Luziânia, entre elas Lenine.

 

Juracy José Pereira

A CPI começa a ouvir o depoimento do delegado regional da Polícia Civil de Luziânia, Juracy José Pereira. Ele é suspeito de favorecer o esquema de exploração de máquinas caça-níqueis do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, no entorno de Brasília.

 

O delegado Juracy José Pereira afirma ao relator Talles Barreto (PTB) que não conhece Lenine, funcionário de Carlos Cachoeira, e que nem sabe de suas atividades ilegais. Ele conta que a delegacia que comandava realizou 331 apreensões de máquinas caça-níqueis somente no ano de 2010 e que, como delegado regional, desempenhava atividades administrativas e não realizava operações nas ruas. Explica ainda que a prioridade de seu trabalho era o combate ao tráfico de drogas.

 

Juracy Pereira diz que conhecia Sônia Regina, que trabalhava em sua delegacia como telefonista e com quem tinha relação de amizade, mas nunca recebeu nenhuma proposta financeira dela. Ele afirma ainda que nunca teve apelido de "professor de índio" e que, como ficou comprovado na quebra do seu sigilo bancário, a pedido da Polícia Federal, sua movimentação financeira é compatível com seus ganhos.

 

O delegado Juracy José Pereira explica ao deputado Mauro Rubem (PT) que não responde a nenhuma sindicância e que nunca trabalhou em campanha eleitoral. Ele diz acreditar que as promoções na Polícia Civil se dão por critérios objetivos, porém o fim da escolha é político. O delegado afirma também que não conhece Carlos Cachoeira e nem o ex-vereador Wladmir Garcêz.

 

Devido a atraso nas atividades da CPI, foi adiado o depoimento do coronel da Polícia Militar Sergio Katayama. O coronel se apresentou no horário marcado, porém não foi ouvido. Ele não pode esperar por causa de consulta médica que comprovará posteriormente.

 

O presidente da CPI, deputado Helio de Sousa (DEM) encerrou as atividades da CPI correspondentes ao primeiro semestre às 14h48 desta terça-feira (10). A próxima sessão fica convocada para o dia 1º de agosto, às 8 horas, quando a Comissão vai realizar atividades externas.
 

 
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