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CERRADO PEQUI

Diversidade que vem da natureza

Variedades gigante e sem espinhos são
boas alternativas para plantio comercial

Maria José Braga

Cristiano Borges

Maria Lúcia e Édemo Corrrêa observam planta de pequi

Quem gosta de pequi fica surpreso quando se depara com os frutos de uma variedade apelidada acertadamente de gigante, encontrada nos cerrados de Mato Grosso. Os apreciados caroços amarelos às vezes chegam a ser duas vezes maiores que os das variedades mais conhecidas e comercializadas. A polpa tem aproximadamente 2 centímetros de espessura, com o mesmo aroma e sabor inconfundíveis.

O pequi gigante é uma das boas surpresas da natureza, mas não é a única. Também originária de Mato Grosso, uma outra variedade que produz frutos sem espinhos desperta igualmente o interesse dos consumidores, dos comerciantes e, mais recentemente, de produtores rurais interessados no cultivo do pequizeiro. Alguns já perceberam que as duas variedades têm grande potencial de comercialização e, claro, de lucro.

Como as duas variedades já são conhecidas popular e cientificamente, a grande novidade é que pelo menos um produtor rural já reproduz e comercializa mudas de ambas. Édemo Corrêa é matogrossense e cultiva 14 variedades de pequi em sua propriedade, localizada no município de Canarana, na região conhecida como portal da Amazônia. O foco de sua atividade é a produção de mudas e sementes, mas ele também vende parte dos frutos. A comercialização é majoritariamente feita no Mato Grosso e em alguns municípios goianos como Aragarças, Jataí, Rio Verde e Goiânia.

Ele iniciou o cultivo de pequi em 1996 . Atualmente, Édemo Corrêa conta com 5 mil pés, dos quais 3 mil estão em produção. Desse total, cerca de 350 são da variedade gigante e 100 pés são sem espinho.

É sua intenção, entretanto, fazer crescer a produção de mudas e sementes das duas variedades e, principalmente, do pequi gigante. Segundo ele, além de produzir frutos com maior potencial para a indústria, a variedade gigante ainda tem a vantagem de ser mais precoce. Sua árvore entra em produção depois de três ou quatro anos do plantio, enquanto outras variedades levam até oito anos para começar a dar frutos.

Intercâmbio
Em Goiás, a agricultora Maria Lúcia de Oliveira, de Bela Vista, investe no cultivo de pequi há cerca de cinco anos e há um ano resolveu plantar a variedade gigante. Ela comprou 120 mudas prontas e produziu outras 700 a partir de sementes. Sua meta é chegar a 2 mil pés da variedade nos próximos dois anos. “Identificamos um grande apelo comercial”, justifica.

Ela e Édemo Corrêa resolveram fazer intercâmbio de tecnologia de manejo e trabalhar em parceria para difundir a cultura da recuperação do Cerrado, a partir do cultivo de árvores nativas, como o pequizeiro. “Quando eu comecei a plantar fruteiras do Cerrado, sofri muito, mas agora podemos dizer que temos know-how”, afirma.

Uma das grandes dificuldades para o cultivo do pequi, conta, é a produção de mudas. A propagação pode ser feita por sementes e por enxertia, processo que agiliza a produção. Segundo Édemo Corrêa, uma muda da variedade gigante produzida por enxertia leva cerca de um ano e meio do viveiro à comercialização. Ano passado, ele produziu cerca de 30 mil mudas de variedades diferentes e vendeu todas.

Em Mato Grosso, Édemo participa de um programa do Ibama voltado para os agricultores familiares e assentados no qual são ensinadas as técnicas de produzir mudas e de manejo do pequizeiro. Ele afirma que o mesmo pode ser feito em Goiás. “Precisamos difundir a cultura de que o Cerrado vale muito e produz riqueza quando preservado”, alerta.

Édemo e Maria Lúcia já convenceram as federações da agricultura de seus Estados a investir na divulgação do aproveitamento sustentável do Cerrado. Faeg e Famato vão promover seminários para os produtores rurais. O primeiro deve ser realizado em Goiás, no mês de agosto.

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