16 a 22 de maio de 2008


OPINIÃO

Etanol, perspectivas para o futuro


Jaime Finguerut
“Temos espaço para absorver e viabilizar grandes investimentos em pesquisa e transferência de tecnologia.”

O etanol brasileiro, depois de muitos anos sendo amplamente usado no Brasil, passou a chamar a atenção de forma positiva, no mundo todo. Praticamente todos os governos do mundo reconhecem que a nossa opção à gasolina é a melhor, por diversas razões, principalmente por reconhecerem que a sua produção é sustentável. As razões para este sucesso devem-se não apenas ao fato de termos terra, sol, água e mão-de- obra abundantes mas, principalmente, por termos a melhor tecnologia.

Em toda a cadeia de produção, usamos as melhores soluções, as mais adaptadas às nossas condições brasileiras. Temos um conceito diferente de desenvolvimento de variedades, que se baseia no uso de dezenas de cultivares diferentes, todos adaptados aos diferentes ambientes de produção, ou seja, plantamos o material genético correto, no lugar certo. Usamos controle biológico de pragas, desenvolvemos soluções para todas as operações agrícolas, começando do preparo do solo, passando pelo reciclo dos efluentes e terminando na entrega da cana em condições de uso.

Na usina que processa a cana, temos também as melhores soluções, usamos processos que são permanentemente atualizados, pois a quantidade de cana e a quantidade de açúcar aumentam todos os anos, e a eficiência tem de ser mantida alta para que o preço dos produtos finais possa ser mantido baixo.

Vária usinas do Brasil já são auto-suficientes em energia e muitas delas geram excedentes de energia elétrica que já são integrados à rede elétrica e serão, em futuro próximo, em conjunto com outros excedentes, usados para agregar valor à produção da usina. Toda a cadeia produtiva encontra suporte de pesquisa, boa parte dela feita com recursos próprios. Há uma grande interação entre as unidades de produção e os pesquisadores e este sistema de geração e de transferência de tecnologia já é considerado um exemplo de sucesso.

Embora não tenhamos os bilhões de dólares que estão à disposição nos EUA e na Europa para desenvolver, por exemplo, o assim chamado etanol celulósico, temos grandes diferenciais competitivos que tornarão o Brasil o local onde esta tecnologia será demonstrada.

Não precisamos desenvolver uma nova cadeia produtiva, os resíduos agrícolas estão ou dentro da usina (o bagaço), já moído, lavado e processado, ou muito próximo dela (a palha).

Teremos acesso às mesmas facilidades que estão disponíveis nos EUA ou na Europa como enzimas. Ou se quisermos seguir no desenvolvimento de sistemas termoquímicos, não nos faltam pesquisadores competentes e um ambiente industrial propício para o desenvolvimento e a demonstração de tecnologias.

A diversificação, ou seja, a produção de outros produtos hoje fabricados a partir do petróleo, transformando a usina em uma autentica biorefinaria, ajudará a tornar viável o processamento das novas matérias-primas.

O que falta, portanto, para realizar este futuro promissor? Precisamos e rapidamente de mais gente qualificada em todos os níveis, do médio ao superior, de muita pesquisa básica e aplicada, de bases firmes para construir os novos processos que estão sendo gestados.

O modelo atual de pesquisa privada tem funcionado, porém, temos urgência de ampliá-lo e aperfeiçoá-lo tendo em vista os enormes desafios a as grandes oportunidades. Temos espaço para absorver e viabilizar grandes investimentos em pesquisa e transferência de tecnologia e as expansões previstas são totalmente sustentáveis.

O futuro é agora. Vamos construí-lo já.

Jaime Finguerut é gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do – Centro de Tecnologia Canavieira

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