Rosimar Silva

Animais selecionados da raça gir: foco na seleção é a
prioridade dos criadores goianos |
SELEÇÃO / MARCADORES MOLECULARES
Criadores investem em nova tecnologia
Raça gir passa por momento de melhoramento
genético. Brasil destaca-se como berço de animais de alta qualidade
Pablo Hernandez
A raça gir tem origem na região de Catiavar, na Índia. As
primeiras importações para o Brasil datam do início do século passado. Desde uma
seleção feita a partir da década de 30 começou a se desenvolver por aqui o gir
leiteiro, rústico, versátil para cruzamentos, fértil e de bom temperamento. Apesar de
todas essas qualidades, durante algum tempo a raça não teve a atenção devida e sua
criação chegou a entrar em crise na década de 70. Mas, agora, com o investimento de um
bom número de criadores em tecnologias de seleção, o gir leiteiro experimenta uma fase
de ascensão.
A criação de gir leiteiro no Brasil é tradicional, passa
de pai para filho. Segundo os produtores, o manejo desse tipo de gado sempre foi
apaixonante. O avô e o pai do criador Athos Magno, por exemplo, já criavam o gir e ele
acabou recebendo a herança. Mas, segundo diz, há uma diferença. Hoje ainda somos
apaixonados, mas não é só isso, há muita gente jovem no negócio, gente com uma visão
empresarial, conta.
Uma das características mais fortes da modernização na
criação do gir é a forma de seleção dos melhores animais da raça. A novidade são os
marcadores moleculares, que permitem ao criador descobrir de um animal, em tenra idade,
qual seu potencial genético para produção de leite, gordura ou proteína. De acordo com
o Rosimar Silva, vice-presidente da Associação Goiana dos Criadores de Gir, essa
informação serve para o pecuarista tomar decisões antecipadas sobre a vida do animal.
Retiramos um pouco de pêlo do rabo do bezerro logo
depois que ele nasce. A partir disso faz-se a genotipagem, atrávés de teste de DNA, e
já se pode descobrir se ele é leiteiro ou não, explica.
Henry Berger é veterinário e gerente da divisão de
serviços genéticos de um laboratório que possui tecnologia de análise de DNA bovino.
Ele explica que as análises são feitas desde o final de 2007 e que a procura dos
criadores começa a crescer. Desde janeiro, cinco produtores goianos de gir já fizeram
análises de DNA de seus animais no laboratório.
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