16 a 22 de maio de 2008

Francisco Maffezoli Jr. e Jorge dos Santos / TV Rede Globo

Variedade de feijão branco cultivada em Lamim: milagre ou mais um capricho da natureza?

FEIJÃO / CURIOSIDADE

Ciência e fé explicam imagem do Divino

Agricultores reproduzem feijão com figura semelhante a símbolo religioso

Em Lamim, município do interior de Minas Gerais, moradores da cidade afirmam que uma mancha vermelha nos grãos de uma cultivar de feijão branco é a imagem do Divino Espírito Santo. Na cidade, os habitantes reproduzem há mais de 100 anos a história de que o feijão surgiu por milagre, em 1801.

A crença está relatada no texto de um autor local, escrito a mão em 1899. Um agricultor muito pobre teria sido escolhido para organizar a festa do Divino. Como não tinha dinheiro, fez pedido ao Espírito Santo para colher uma boa safra de feijão e conseguir pagar as despesas. A graça foi alcançada e parte do feijão nasceu com a pomba estampada nos grãos.

Alguns desses grãos foram trazidos à Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás, por uma equipe de reportagem da Rede Globo de Televisão e mostrados a especialistas da unidade. Pesquisador da unidade, Jaime Roberto Fonseca explica que, à luz da ciência, há pelo menos três possibilidades que explicariam a mancha. Segundo ele, pode ter ocorrido no passado o cruzamento entre plantas de feijão branco e vermelho, em algumas poucas plantas de uma lavoura. Maravilhado com a possibilidade de estar diante de um milagre, o produtor teria guardado os grãos como sementes e sua reprodução teve continuidade através dos tempos pelos agricultores da região.

Outra possibilidade é a ocorrência de uma mutação genética, que resultou em alteração da coloração do grão. E por fim, a mancha poderia ter sido o resultado da manifestação de uma característica da planta progenitora, que até então não havia ocorrido.

A Embrapa Arroz e Feijão é referência em pesquisas com os grãos e mantém um banco genético 12 mil amostras de feijão, com inúmeras particularidades diferentes, como a verificada no feijão de Lamil, alguns com mais de 100 anos.

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