16 a 22 de maio de 2008

Sebastião Nogueira

Eqüinos de várias raças são destaques da Expo-Goiás

PECUÁRIA / EXPO-GOIÁS

Urbano e rural têm encontro na Nova Vila

Organizadores vivem o desafio de manter a parte festiva e garantir a excelência técnica na exposição dos animais

Heloísa Lima

Começa nessa sexta-feira e vai até 1º de junho, a 63º Exposição Agropecuária de Goiás, no Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia, na Nova Vila. Maior evento agropecuário do Estado e um dos maiores do País, a expectativa é de que a festa movimente, intra e extra muros, mais de 40 milhões de reais, incluindo a arrecadação de bilheteria, remates, além do incremento no comércio e no setor de hotelaria e alimentos em toda a cidade.

Segundo os organizadores, levando em consideração o número de animais inscritos em julgamentos, o evento só fica atrás da Expozebu – realizada em Uberaba, de 28 de abril a 11 de maio – e ocupa o primeiro lugar em número de visitantes. E é justamente a grandiosidade e o caráter múltiplo da festa que se transformaram nos maiores desafios para os organizadores.

A exposição atrai tanto agropecuaristas, interessados em incrementar seus negócios, quanto pessoas de hábitos bastante urbanos em busca de shows e badalação.

Para os que estão em busca de atividade que remetam à tradição rural, há opções como rodeios, Museu Agropecuário do Estado de Goiás, e ainda a tradicional cavalgada pelo centro da cidade, que esse ano será realizada no primeiro sábado do evento. Os rodeios, que começam no dia 29 e se estendem por quatro dias, são uma atração a parte e trazem para a cidade um pouco da tradição do campo.

Somente nesse ano serão realizados 11 shows de cantores e grupo musicais de todos os ritmos, passando, inclusive, pelo gospel.

Quem vai ao evento em busca de negócios encontra remates, julgamentos, palestras técnicas, standes de fornecedores de maquinário e insumos. Mas o encontro de duas realidades tão distintas nem sempre é tranqüilo. Expositores reclamam do barulho que estressa os animais, e também da estrutura física do parque que envelheceu e já se mostra insuficiente para o porte do evento.

Mudança do Parque
O presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Gilberto Sant’Anna, afirma que a mudança do parque para outra localidade deve acontecer em breve. Segundo ele a aquisição de uma nova área na região Norte de Goiânia está em estudo.

Gilberto, porém, admite, que as mudanças não virão no curto prazo. Quanto à coexistência do lado técnico e festivo da festa, a intenção da entidade é continuar se esforçando para atender aos dois públicos. Enquanto o novo parque não é construído, as exposições de animais continuam divididas em duas fases. Na primeira, que vai de 16 a 25 de maio, serão expostas as raças de corte nelore (mais de mil são esperados) e tabapuã. Na segunda fase, que vai de 26 a 1º de junho, animais de raças leiteira ou com dupla aptidão.

Fábio Porto, presidente da Associação Goiana do Nelore, diz que o predomínio do caráter técnico na festa seria o ideal. Ele cita o exemplo da Expozebu, em Uberaba, que esse ano aboliu os shows e priorizou os julgamentos, remates e eventos técnicos. Apesar do incômodo causado pelo barulho ele diz que a SGPA tem se esforçado para minimizar os inconvenientes. “Eles limitaram os números de boates e os espaço para rádios e estandes”, conta. O criador elogia ainda a cama, silagem e água oferecidas aos animais.

Eurípedes Cândido Melo, presidente da Associação Goiana dos Criadores de Gado Holandês, cita alguns pontos que considera deficitários no Parque de Exposições da Nova Vila. Entre eles, o espaço limitado para animais e tratadores, corredores estreitos, dificuldades de retirar os animais dos pavilhões para exibí-los para potenciais compradores e, ainda, a falta de contato dos animais com a terra. “Tudo é cimentado .”

Eurípedes diz que o estresse provocado pelo barulho prejudica mais o gado leiteiro, pois as vacas em lactação reduzem a produção de leite.

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