Sebastião Nogueira

Eqüinos de várias raças são destaques da Expo-Goiás |
PECUÁRIA / EXPO-GOIÁS
Urbano e rural têm encontro na Nova Vila
Organizadores vivem o desafio de manter a parte
festiva e garantir a excelência técnica na exposição dos animais
Heloísa Lima
Começa nessa sexta-feira e vai até 1º de junho, a 63º
Exposição Agropecuária de Goiás, no Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia,
na Nova Vila. Maior evento agropecuário do Estado e um dos maiores do País, a
expectativa é de que a festa movimente, intra e extra muros, mais de 40 milhões de
reais, incluindo a arrecadação de bilheteria, remates, além do incremento no comércio
e no setor de hotelaria e alimentos em toda a cidade.
Segundo os organizadores, levando em consideração o número
de animais inscritos em julgamentos, o evento só fica atrás da Expozebu realizada
em Uberaba, de 28 de abril a 11 de maio e ocupa o primeiro lugar em número de
visitantes. E é justamente a grandiosidade e o caráter múltiplo da festa que se
transformaram nos maiores desafios para os organizadores.
A exposição atrai tanto agropecuaristas, interessados em
incrementar seus negócios, quanto pessoas de hábitos bastante urbanos em busca de shows
e badalação.
Para os que estão em busca de atividade que remetam à
tradição rural, há opções como rodeios, Museu Agropecuário do Estado de Goiás, e
ainda a tradicional cavalgada pelo centro da cidade, que esse ano será realizada no
primeiro sábado do evento. Os rodeios, que começam no dia 29 e se estendem por quatro
dias, são uma atração a parte e trazem para a cidade um pouco da tradição do campo.
Somente nesse ano serão realizados 11 shows de cantores e
grupo musicais de todos os ritmos, passando, inclusive, pelo gospel.
Quem vai ao evento em busca de negócios encontra remates,
julgamentos, palestras técnicas, standes de fornecedores de maquinário e insumos. Mas o
encontro de duas realidades tão distintas nem sempre é tranqüilo. Expositores reclamam
do barulho que estressa os animais, e também da estrutura física do parque que
envelheceu e já se mostra insuficiente para o porte do evento.
Mudança do Parque
O presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), Gilberto
SantAnna, afirma que a mudança do parque para outra localidade deve acontecer em
breve. Segundo ele a aquisição de uma nova área na região Norte de Goiânia está em
estudo.
Gilberto, porém, admite, que as mudanças não virão no
curto prazo. Quanto à coexistência do lado técnico e festivo da festa, a intenção da
entidade é continuar se esforçando para atender aos dois públicos. Enquanto o novo
parque não é construído, as exposições de animais continuam divididas em duas fases.
Na primeira, que vai de 16 a 25 de maio, serão expostas as raças de corte nelore (mais
de mil são esperados) e tabapuã. Na segunda fase, que vai de 26 a 1º de junho, animais
de raças leiteira ou com dupla aptidão.
Fábio Porto, presidente da Associação Goiana do Nelore,
diz que o predomínio do caráter técnico na festa seria o ideal. Ele cita o exemplo da
Expozebu, em Uberaba, que esse ano aboliu os shows e priorizou os julgamentos, remates e
eventos técnicos. Apesar do incômodo causado pelo barulho ele diz que a SGPA tem se
esforçado para minimizar os inconvenientes. Eles limitaram os números de boates e
os espaço para rádios e estandes, conta. O criador elogia ainda a cama, silagem e
água oferecidas aos animais.
Eurípedes Cândido Melo, presidente da Associação Goiana
dos Criadores de Gado Holandês, cita alguns pontos que considera deficitários no Parque
de Exposições da Nova Vila. Entre eles, o espaço limitado para animais e tratadores,
corredores estreitos, dificuldades de retirar os animais dos pavilhões para exibí-los
para potenciais compradores e, ainda, a falta de contato dos animais com a terra.
Tudo é cimentado .
Eurípedes diz que o estresse provocado pelo barulho
prejudica mais o gado leiteiro, pois as vacas em lactação reduzem a produção de leite.
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