09 a 15 de maio de 2008

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PROPRIEDADE AGRICULTURA FAMILIAR

Crédito fundiário facilita acesso à terra

Grupo de seis famílias que vive na região de Ouro Verde colhe
lucros na sua própria terra e faz planos para novos investimentos

Heloísa Lima

Wildes Barbosa

Horticultor Claudiney de Souza mostra a produção de jiló

Um grupo de seis famílias, que vive na Fazenda Europinha, no município de Ouro Verde (GO), não esconde o contentamento por finalmente estar trabalhando no seu pedaço de chão. Para cada uma delas coube uma área de aproximadamente 1 alqueire, graças aos recursos do Programa Nacional de Crédito Fundiário.

Nesse espaço limitado, há pouco mais de um ano estão colhendo lucros e a possibilidade de ter um futuro melhor. Por anos, eles viveram do cultivo de hortaliças na condição de arrendatários, e viam os lucros indo embora com o pagamento do aluguel da terra e também pela falta de assistência técnica.

As coisas começaram a mudar quando, com a ajuda do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município, conseguiram adquirir as terras. O prazo para pagar é de 17 anos.

O presidente do sindicato de Anápolis, Milton do Carmo Rezende, responsável também pela região de Ouro Verde, diz que a aquisição das terras foi conjunta para garantir um preço melhor pelo alqueire. Segundo ele, na região, cada alqueire custa em média R$ 60 mil. Como eles compraram uma área de seis alqueires, foi pago um valor aproximado de R$ 40 mil por alqueire. Com isso, o grupo garantiu um bônus extra para o pagamento das parcelas sem atraso.

O desconto total das parcelas em caso de adimplência pode chegar a 20%. As parcelas só começarão a ser pagas no próximo ano.

Ouro Verde é conhecida como a “capital da beterraba”, cultura com um manejo exigente. O grupo de produtores que vive na Fazenda Europinha optou por hortaliças de manejo mais simples, como jiló, pimentão, pepino, tomate e inhame. Os produtos são comercializados nas Centrais de Abastecimento de Goiânia, Anápolis e do Distrito Federal e garantem renda o ano todo. Eles também plantam arroz e feijão para a subsistência.

A reportagem encontrou Claudiney de Souza Lima preparando um terreno para o plantio de pepino, tarefa que havia iniciado há pouco mais de uma semana. Suado e com as mãos calejadas, ele não escondeu a alegria por estar cultivando sua própria terra.

Claudiney sempre viveu do cultivo de hortaliças, mas diz que “o lucro era muito pouco”, quando tinha de pagar pelo arrendamento da terra. Para os próximos dias, ele pretende colher uma área de jiló, de uma variedade que dá frutos maiores, muito apreciados no Distrito Federal. Pela caixa, ele consegue faturar entre 7 e 10 reais. “É muito fácil de colher, a família ajuda”.

Claudiney também cultiva uma variedade de jiló mais miúda, destinada ao mercado de Goiás. A caixa sai em média a 20 reais, mas, segundo ele, essa variedade é mais difícil de cultivar e colher. O agricultor conta, sorridente, que, recentemente colheu em uma área de aproximadamente 420 metros quadrados, na frente da sua casa, 805 caixas de pepinos, que ele comercializou em Goiânia e Anápolis, por preços entre 5 e 7 reais a caixa. “Foi bom demais, eu consegui apurar R$ 4,5 mil”.

A esposa Maria Lúcia de Souza também comemora a vida nova. “Quando a gente não mora na nossa terra, até para ter criação é diferente. A gente fica com medo do bichos irem na casa dos outros e estragar as coisas.”

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