| PROPRIEDADE
AGRICULTURA FAMILIAR Crédito fundiário facilita
acesso à terra
Grupo de seis famílias que vive na região de Ouro
Verde colhe
lucros na sua própria terra e faz planos para novos investimentos
Heloísa Lima
Wildes Barbosa

Horticultor Claudiney de Souza mostra a
produção de jiló |
Um grupo de seis famílias, que vive na Fazenda
Europinha, no município de Ouro Verde (GO), não esconde o contentamento por finalmente
estar trabalhando no seu pedaço de chão. Para cada uma delas coube uma área de
aproximadamente 1 alqueire, graças aos recursos do Programa Nacional de Crédito
Fundiário.
Nesse espaço limitado, há pouco mais de um ano estão
colhendo lucros e a possibilidade de ter um futuro melhor. Por anos, eles viveram do
cultivo de hortaliças na condição de arrendatários, e viam os lucros indo embora com o
pagamento do aluguel da terra e também pela falta de assistência técnica.
As coisas começaram a mudar quando, com a ajuda do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município, conseguiram adquirir as terras. O prazo
para pagar é de 17 anos.
O presidente do sindicato de Anápolis, Milton do Carmo
Rezende, responsável também pela região de Ouro Verde, diz que a aquisição das terras
foi conjunta para garantir um preço melhor pelo alqueire. Segundo ele, na região, cada
alqueire custa em média R$ 60 mil. Como eles compraram uma área de seis alqueires, foi
pago um valor aproximado de R$ 40 mil por alqueire. Com isso, o grupo garantiu um bônus
extra para o pagamento das parcelas sem atraso.
O desconto total das parcelas em caso de adimplência pode
chegar a 20%. As parcelas só começarão a ser pagas no próximo ano.
Ouro Verde é conhecida como a capital da
beterraba, cultura com um manejo exigente. O grupo de produtores que vive na Fazenda
Europinha optou por hortaliças de manejo mais simples, como jiló, pimentão, pepino,
tomate e inhame. Os produtos são comercializados nas Centrais de Abastecimento de
Goiânia, Anápolis e do Distrito Federal e garantem renda o ano todo. Eles também
plantam arroz e feijão para a subsistência.
A reportagem encontrou Claudiney de Souza Lima preparando
um terreno para o plantio de pepino, tarefa que havia iniciado há pouco mais de uma
semana. Suado e com as mãos calejadas, ele não escondeu a alegria por estar cultivando
sua própria terra.
Claudiney sempre viveu do cultivo de hortaliças, mas diz
que o lucro era muito pouco, quando tinha de pagar pelo arrendamento da terra.
Para os próximos dias, ele pretende colher uma área de jiló, de uma variedade que dá
frutos maiores, muito apreciados no Distrito Federal. Pela caixa, ele consegue faturar
entre 7 e 10 reais. É muito fácil de colher, a família ajuda.
Claudiney também cultiva uma variedade de jiló mais
miúda, destinada ao mercado de Goiás. A caixa sai em média a 20 reais, mas, segundo
ele, essa variedade é mais difícil de cultivar e colher. O agricultor conta, sorridente,
que, recentemente colheu em uma área de aproximadamente 420 metros quadrados, na frente
da sua casa, 805 caixas de pepinos, que ele comercializou em Goiânia e Anápolis, por
preços entre 5 e 7 reais a caixa. Foi bom demais, eu consegui apurar R$ 4,5
mil.
A esposa Maria Lúcia de Souza também comemora a vida
nova. Quando a gente não mora na nossa terra, até para ter criação é diferente.
A gente fica com medo do bichos irem na casa dos outros e estragar as coisas. |