Goiânia, 22 de agosto de 2008

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Cristina Cabral
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Thays Campos da Silva já enfrentou quatro greves e critica sistema de reposição de aulas

99 dias de greve em quatro anos

Professores da rede estadual entram hoje no 23º dia de greve. Educadores vêem prejuízos pedagógicos

Malu Longo

De braços cruzados desde o dia 31 de julho, os professores da rede estadual de ensino entram hoje no 23º dia de greve e não há perspectiva de retorno às aulas. Desde 2005, essa é a terceira paralisação da categoria, totalizando 99 dias sem aulas nas escolas estaduais, metade de um ano letivo –em 2005 foram 30 dias de greve e, no ano passado, 46 dias.

O problema preocupa alunos e professores, que temem os prejuízos pedagógicos provocados pela seqüência de paralisações.

Aos 16 anos, Thays Campos da Silva, estudante da 8ª série do Colégio Estadual Petrônio Portela, no Conjunto Cruzeiro do Sul, está preocupada com os rumos do movimento. “Estamos parados há mais de 20 dias, tempo que deixamos de receber novas matérias”, diz. Ela já enfrentou quatro greves na rede pública e acha que a reposição das aulas não resolve a lacuna de conteúdo e não mantém a qualidade do ensino.

“Quando há compromisso de reposição, ela tem de ser feita com qualidade”, afirma a coordenadora de Estágios e professora de Didática da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, Dulce Barros de Almeida.

José Antônio Ciríaco, pai de Laila, estudante da 6ª série do Colégio Polivalente Modelo Vasco dos Reis, no Setor Oeste, uma das três unidades de ensino militares da capital, participa ativamente dos debates sobre a paralisação dos professores que tem prejudicado os estudos da filha. “Ela saiu de uma escola particular, fez a prova no Colégio Militar, vinha tendo resultados excelentes e agora vem a greve”, lamenta ele.

A questão da reposição de aulas em razão da greve evidencia os prejuízos para o aprendizado. É o que pensa o professor Sebastião César, há 22 anos efetivo do Estado. “Da forma como vem sendo feita nos últimos anos, a reposição aos sábados não surte efeito. O professor faz de conta que dá aula e o aluno finge que assiste”. Segundo Sebastião, poucos alunos comparecem às aulas aos sábados.

Docente de Biologia no Colégio Estadual Polivalente Goiany Prates, no Setor Sudoeste, o professor acredita que o descrédito da escola pública envolve um amplo contexto. Conforme diz, o processo passa não apenas pela falta de diálogo dos governantes com os trabalhadores do ensino, mas também pelos pais, que não se preocupam com a formação escolar dos filhos. Na escola onde é professor, com 650 alunos somente no turno matutino costumam aparecer em média 18 pais nas reuniões.

O Sintego reivindica 23,5% de reposição salarial, mas o governo informou que qualquer reajuste será concedido só em 2009. Ontem, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego) estiveram reunidos com o secretário da Fazenda, Jorcelino Braga, e com a secretária da Educação, Milca Severino. Participaram do encontro deputados que são membros da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa.

No encontro, o secretário da Fazenda informou que o Estado está no limite de suas depesas com a máquina e que nada poderia oferecer à categoria. Mas prometeu cumprir o piso salarial nacional a partir de dezembro de 2009. Mas o Sintego lembra que, por lei, deve ser implementado a partir de janeiro do ano que vem.

Diante da falta de propostas do Estado, o sindicato anunciou que a paralisação vai continuar. “Vamos avaliar novas estratégias de mobilização dos trabalhadores”, disse Domingos Pereira, presidente do Sintego.

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