Fotos: Mantovani Fernandes

Familiares e amigos de Nívea, vestidos de camiseta com a
foto dela, assistiram à sessão do Júri de Romarinho |
Adiado para hoje júri de Romarinho
Sessão de julgamento foi instalada, mas um dos
jurados sentiu-se mal levando à remarcação
Marília Costa e Silva
Durou pouco mais de quatro horas a sessão, no 1º Tribunal
do Júri de Goiânia, de julgamento do vendedor Cleidiomar Alves da Silva Camargo, o
Romarinho. Os trabalhos foram suspensos e a audiência remarcada para hoje, a partir das
8h30. Romarinho é acusado do assassinato da promotora de vendas Nívea Silveira Santos,
de 31 anos, no dia 3 de abril de 2005.
A audiência foi interrompida porque o jurado Jerônimo
Lázaro Rosa teve problemas de saúde, que o impediram de retornar ao plenário após o
intervalo do almoço. Como o corpo de jurados, que tem sete integrantes, não pode
prescindir de um dos seus membros, a juíza que presidia a sessão, Carmecy Maria Rosa de
Oliveira, teve de remarcar o julgamento.
O adiamento da sessão frustou a expectativa dos familiares e
de dezenas de amigos da vítima, que chegaram bem cedo para participar da audiência.
Antes de lotarem o plenário, eles haviam participado de uma caminhada, que teve início
na Praça Cívica. Nos mobilizamos para chamar a atenção da população para um
crime muito bárbaro, que precisa de punição exemplar, afirmou Sílvio Silveira,
irmão da vítima, que entregava panfletos com fotos da irmã na entrada do Fórum de
Goiânia.
Além de Romarinho, seria julgado por participação no crime
Lauro Antônio Goulart Gonçalves. Como o advogado de defesa Marcelo John Costa de Araújo
não compareceu para a audiência, a magistrada remarcou o julgamento dele para 9 de
outubro.
Legítima defesa
Apesar de não ter sido concluída, a sessão de ontem foi interrompida depois
que foram ouvidos o réu e algumas testemunhas. Romarinho, que ficou preso por quase dois
anos e está solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou que matou a vítima
em legítima defesa. Segundo ele, Nívea o procurou no dia do crime para chamá-lo para ir
a uma festa de casamento.
Durante o encontro, Romarinho afirmou que os dois teriam
discutido, porque ele se negou a dar-lhe dinheiro para um tratamento estético.
Enfurecida, a vítima teria agredido o réu com uma faca, que estava sobre a estante da
sala. Nessa hora, garantiu, ele conseguiu imobilizá-la, desferindo-lhe vários golpes de
faca.
Ao perceber que a vítima estava morta, ele afirmou que ficou
desesperado. Como tinha gasolina no carro, tentou atear fogo no corpo. A seguir, levou o
cadáver, de carro, até um loteamento nas imediações do Autódromo Internacional de
Goiânia, na região sul da capital. O corpo de Nívea foi encontrado nu da cintura para
baixo e parcialmente queimado.
O promotor João Teles, que não chegou a apresentar a tese
da acusação, garante que Romarinho mentiu. Isso porque, de acordo com ele, o crime foi
premeditado já que o réu tinha raiva da vítima por acreditar que ela estava
aconselhando sua ex-mulher, Luana Rupf, a não reatar o casamento com ele.
No dia do crime, de acordo com Teles, a vítima foi atraída
até a casa do réu. João Teles sustenta que para não chamar a atenção, ele teria
colocado o som alto, de forma que quem passasse próximo da residência, na Vila Nova,
não ouviria os gritos da vítima. Além disso, o promotor afirma que Romarinho já tinha
até comprado uma lona preta para encobrir o corpo. Ele também garante que Romarinho
chegou a confeccionar identidade falsa para fugir do País após matar a vítima. |