Goiânia, 22 de agosto de 2008

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Fotos: Mantovani Fernandes
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Familiares e amigos de Nívea, vestidos de camiseta com a foto dela, assistiram à sessão do Júri de Romarinho

Adiado para hoje júri de Romarinho

Sessão de julgamento foi instalada, mas um dos jurados sentiu-se mal levando à remarcação

Marília Costa e Silva

Durou pouco mais de quatro horas a sessão, no 1º Tribunal do Júri de Goiânia, de julgamento do vendedor Cleidiomar Alves da Silva Camargo, o Romarinho. Os trabalhos foram suspensos e a audiência remarcada para hoje, a partir das 8h30. Romarinho é acusado do assassinato da promotora de vendas Nívea Silveira Santos, de 31 anos, no dia 3 de abril de 2005.

A audiência foi interrompida porque o jurado Jerônimo Lázaro Rosa teve problemas de saúde, que o impediram de retornar ao plenário após o intervalo do almoço. Como o corpo de jurados, que tem sete integrantes, não pode prescindir de um dos seus membros, a juíza que presidia a sessão, Carmecy Maria Rosa de Oliveira, teve de remarcar o julgamento.

O adiamento da sessão frustou a expectativa dos familiares e de dezenas de amigos da vítima, que chegaram bem cedo para participar da audiência. Antes de lotarem o plenário, eles haviam participado de uma caminhada, que teve início na Praça Cívica. “Nos mobilizamos para chamar a atenção da população para um crime muito bárbaro, que precisa de punição exemplar”, afirmou Sílvio Silveira, irmão da vítima, que entregava panfletos com fotos da irmã na entrada do Fórum de Goiânia.

Além de Romarinho, seria julgado por participação no crime Lauro Antônio Goulart Gonçalves. Como o advogado de defesa Marcelo John Costa de Araújo não compareceu para a audiência, a magistrada remarcou o julgamento dele para 9 de outubro.

Legítima defesa
Apesar de não ter sido concluída, a sessão de ontem foi interrompida depois que foram ouvidos o réu e algumas testemunhas. Romarinho, que ficou preso por quase dois anos e está solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou que matou a vítima em legítima defesa. Segundo ele, Nívea o procurou no dia do crime para chamá-lo para ir a uma festa de casamento.

Durante o encontro, Romarinho afirmou que os dois teriam discutido, porque ele se negou a dar-lhe dinheiro para um tratamento estético. Enfurecida, a vítima teria agredido o réu com uma faca, que estava sobre a estante da sala. Nessa hora, garantiu, ele conseguiu imobilizá-la, desferindo-lhe vários golpes de faca.

Ao perceber que a vítima estava morta, ele afirmou que ficou desesperado. Como tinha gasolina no carro, tentou atear fogo no corpo. A seguir, levou o cadáver, de carro, até um loteamento nas imediações do Autódromo Internacional de Goiânia, na região sul da capital. O corpo de Nívea foi encontrado nu da cintura para baixo e parcialmente queimado.

O promotor João Teles, que não chegou a apresentar a tese da acusação, garante que Romarinho mentiu. Isso porque, de acordo com ele, o crime foi premeditado já que o réu tinha raiva da vítima por acreditar que ela estava aconselhando sua ex-mulher, Luana Rupf, a não reatar o casamento com ele.

No dia do crime, de acordo com Teles, a vítima foi atraída até a casa do réu. João Teles sustenta que para não chamar a atenção, ele teria colocado o som alto, de forma que quem passasse próximo da residência, na Vila Nova, não ouviria os gritos da vítima. Além disso, o promotor afirma que Romarinho já tinha até comprado uma lona preta para encobrir o corpo. Ele também garante que Romarinho chegou a confeccionar identidade falsa para fugir do País após matar a vítima.

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