| Centenário de Domingos Juliano JOSÉ MENDONÇA TELES
No dia 8 passado, se estivesse vivo, Domingos Juliano
completaria 100 anos. Ele faleceu em Goiânia, no dia 17 de março de 1997, aos 89 anos, e
minha crônica de hoje é para homenagear esse notável goiano que, nascendo em Rio Verde,
estudou no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e, no ano de 1932, já estava na antiga
capital dirigindo a Imprensa Oficial. Nesse mesmo ano, participou como 1º sargento da
Revolução Constitucionalista de São Paulo. Pioneiro de Goiânia, aqui chegou em
fevereiro de 1936, quando assumiu o cargo de fiscal geral das rendas do Estado e, em
seguida, superintendente geral da Receita do Estado. Em abril de 1939, em Goiânia,
casa-se com Eurydice Natal e Silva (Canã), de tradicional família vilaboense, irmã do
saudoso professor e fundador da Academia Goiana de Letras, Colemar Natal e Silva.
A vida de Domingos Juliano é toda ela marcada pela
discrição e dinamismo em suas ações. Ocupou cargos importantes no governo goiano,
destacando-se pela inteligência e determinação, como, por exemplo, quando elaborou o
novo Código Tributário do Estado, trabalho revolucionário, que serviu de modelo a
vários Estados, sendo o precursor do Código Tributário Nacional, conforme
declarou o ex-governador goiano Jerônimo Coimbra Bueno.
Advogado, professor de Direito na Universidade Federal de
Goiás, secretário da Fazenda em 1948, logo em seguida ingressou na carreira do
Ministério Público, chegando a procurador de Justiça do Estado, cargo em que se
aposentou, depois de fazer parte da Comissão de Levantamento Jurídico e de
Desapropriação dos imóveis situados nas áreas onde seria construída Brasília,
comissão presidida pelo saudoso doutor Altamiro de Moura Pacheco.
Em 1982, foi biografado na série de artigos publicados no
jornal O Popular, com o título Vultos Goianos, pelo escritor, jornalista e cronista
Brasigóis Felício, série que está a merecer do amigo escritor uma publicação
reunida, pois foram muitos os vultos goianos por ele biografados. Na entrevista a
Brasigóis, Domingos Juliano afirma que nunca fui fetichista de ninguém e sempre me
afastei de qualquer publicidade e dos homens do poder. Nunca fui palaciano.
Eis a história de um homem sóbrio, modesto, que não
passou pela vida em brancas nuvens, como na imagem do poeta, com seus passos lentos
de modéstia caminhou pelo caminho do bem, da ética e da moral, deixando seu nome gravado
na história dos homens ilustres de Goiás. |