Goiânia, 21 de novembro de 2008

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Centenário de Domingos Juliano

JOSÉ MENDONÇA TELES

No dia 8 passado, se estivesse vivo, Domingos Juliano completaria 100 anos. Ele faleceu em Goiânia, no dia 17 de março de 1997, aos 89 anos, e minha crônica de hoje é para homenagear esse notável goiano que, nascendo em Rio Verde, estudou no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e, no ano de 1932, já estava na antiga capital dirigindo a Imprensa Oficial. Nesse mesmo ano, participou como 1º sargento da Revolução Constitucionalista de São Paulo. Pioneiro de Goiânia, aqui chegou em fevereiro de 1936, quando assumiu o cargo de fiscal geral das rendas do Estado e, em seguida, superintendente geral da Receita do Estado. Em abril de 1939, em Goiânia, casa-se com Eurydice Natal e Silva (Canã), de tradicional família vilaboense, irmã do saudoso professor e fundador da Academia Goiana de Letras, Colemar Natal e Silva.

A vida de Domingos Juliano é toda ela marcada pela discrição e dinamismo em suas ações. Ocupou cargos importantes no governo goiano, destacando-se pela inteligência e determinação, como, por exemplo, quando elaborou o novo Código Tributário do Estado, trabalho revolucionário, que serviu de modelo a vários Estados, sendo o “precursor do Código Tributário Nacional”, conforme declarou o ex-governador goiano Jerônimo Coimbra Bueno.

Advogado, professor de Direito na Universidade Federal de Goiás, secretário da Fazenda em 1948, logo em seguida ingressou na carreira do Ministério Público, chegando a procurador de Justiça do Estado, cargo em que se aposentou, depois de fazer parte da Comissão de Levantamento Jurídico e de Desapropriação dos imóveis situados nas áreas onde seria construída Brasília, comissão presidida pelo saudoso doutor Altamiro de Moura Pacheco.

Em 1982, foi biografado na série de artigos publicados no jornal O Popular, com o título Vultos Goianos, pelo escritor, jornalista e cronista Brasigóis Felício, série que está a merecer do amigo escritor uma publicação reunida, pois foram muitos os vultos goianos por ele biografados. Na entrevista a Brasigóis, Domingos Juliano afirma que “nunca fui fetichista de ninguém e sempre me afastei de qualquer publicidade e dos homens do poder. Nunca fui palaciano”.

Eis a história de um homem sóbrio, modesto, “que não passou pela vida em brancas nuvens”, como na imagem do poeta, com seus passos lentos de modéstia caminhou pelo caminho do bem, da ética e da moral, deixando seu nome gravado na história dos homens ilustres de Goiás.