 Família, torna-te o que és
Estamos na Semana Nacional da Família, promovida pela
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Inspirados na vida de Santa Gianna Beretta
Molla, aprendemos que somos filhos de um grande amor. A família constitui-se como uma das
mais significativas experiências do amor humano. E tal amor deve ser um puro reflexo do
imenso amor vindo de Deus e que é o próprio Deus. Por isso a família é o santuário do
amor.
D. Washington Cruz
Essa é a razão mais fundamental pela qual o homem deixa pai
e mãe e une-se à sua mulher. E os dois tornam-se uma só e indivisível carne (Mt 19,6).
Deus chama homem e mulher para a existência por amor. E, ao mesmo tempo, os chama ao amor
(Familiaris consortio, nº 11). Aliás, Deus é o grande ícone do perfeitíssimo amor e
do amor elevado à estatura de sua plenitude. Homem e mulher, quando se decidem por formar
uma nova família, na verdade procurarão formar uma nova comunidade de amor.
Quão belo é esse mistério! Quão insondáveis são esses
desígnios de Deus Pai Criador. E desse amor-mistério brotam as luzes que iluminam o amor
humano, radicado na mais profunda comunhão de amor experimentada no seio da Santíssima
Trindade.
A família é isso: chamado de Deus ao amor e resposta de
amor do homem e da mulher. Essa deve ser uma afirmação, uma profissão de fé que deve
estar presente todos os dias em nossas famílias. Na medida em que pais e filhos
compreendem-se como filhos amados do Pai que está nos céus, cai por terra toda
arrogância, desmorona-se toda pretensão de superioridade e toda atitude desrespeitosa
dos filhos para com os pais, desmascara-se toda prepotência, se desvanecem todos os
sinais de violência que muitas vezes marcam o cotidiano de inúmeras famílias.
A experiência do amor de Deus não é, assim, tão
humanamente simples de se colocar em prática. Exige uma atenção redobrada e permanente
de cada membro da família quanto às suas próprias atitudes. Importante, nesse sentido,
para pais e filhos, é beber da fonte originária da nossa fé cristã. Lemos na 1ª Carta
de São Pedro: Sede, pois, sensatos e vigiai na oração. Sobretudo amai-vos
constantemente uns aos outros (...) praticai a hospitalidade reciprocamente, sem
murmurar (1Pd 4,7-11).
Assim, cada família necessita tornar-se aquilo para a qual
foi constituída: ser uma oficina do amor fraterno, do exercício da solidariedade
recíproca, do bem-querer. Pais e filhos são, ambos, aprendizes desse amor. A autoridade
paterna, tão reivindicada em tempos de crises de grandes referenciais, deve ser exercida
num clima familiar de recíproco respeito. Que a Sagrada Família abençoe nossas
famílias!
D. washington cruz é
arcebispo metropolitano de goiânia
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