Goiânia, 21 de agosto de 2008

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Família, torna-te o que és

Estamos na Semana Nacional da Família, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Inspirados na vida de Santa Gianna Beretta Molla, aprendemos que somos filhos de um grande amor. A família constitui-se como uma das mais significativas experiências do amor humano. E tal amor deve ser um puro reflexo do imenso amor vindo de Deus e que é o próprio Deus. Por isso a família é o santuário do amor.

D. Washington Cruz

Essa é a razão mais fundamental pela qual o homem deixa pai e mãe e une-se à sua mulher. E os dois tornam-se uma só e indivisível carne (Mt 19,6). Deus chama homem e mulher para a existência por amor. E, ao mesmo tempo, os chama ao amor (Familiaris consortio, nº 11). Aliás, Deus é o grande ícone do perfeitíssimo amor e do amor elevado à estatura de sua plenitude. Homem e mulher, quando se decidem por formar uma nova família, na verdade procurarão formar uma nova comunidade de amor.

Quão belo é esse mistério! Quão insondáveis são esses desígnios de Deus Pai Criador. E desse amor-mistério brotam as luzes que iluminam o amor humano, radicado na mais profunda comunhão de amor experimentada no seio da Santíssima Trindade.

A família é isso: chamado de Deus ao amor e resposta de amor do homem e da mulher. Essa deve ser uma afirmação, uma profissão de fé que deve estar presente todos os dias em nossas famílias. Na medida em que pais e filhos compreendem-se como filhos amados do Pai que está nos céus, cai por terra toda arrogância, desmorona-se toda pretensão de superioridade e toda atitude desrespeitosa dos filhos para com os pais, desmascara-se toda prepotência, se desvanecem todos os sinais de violência que muitas vezes marcam o cotidiano de inúmeras famílias.

A experiência do amor de Deus não é, assim, tão humanamente simples de se colocar em prática. Exige uma atenção redobrada e permanente de cada membro da família quanto às suas próprias atitudes. Importante, nesse sentido, para pais e filhos, é beber da fonte originária da nossa fé cristã. Lemos na 1ª Carta de São Pedro: “Sede, pois, sensatos e vigiai na oração. Sobretudo amai-vos constantemente uns aos outros (...) praticai a hospitalidade reciprocamente, sem murmurar” (1Pd 4,7-11).

Assim, cada família necessita tornar-se aquilo para a qual foi constituída: ser uma oficina do amor fraterno, do exercício da solidariedade recíproca, do bem-querer. Pais e filhos são, ambos, aprendizes desse amor. A autoridade paterna, tão reivindicada em tempos de crises de grandes referenciais, deve ser exercida num clima familiar de recíproco respeito. Que a Sagrada Família abençoe nossas famílias!

D. washington cruz é arcebispo metropolitano de goiânia

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