

Técnico Jorge Barcellos dá instruções para as jogadoras do Brasil na
véspera da decisão do ouro |
Meninas do Brasil vão a campo para fazer história
Seleção disputa o ouro contra os EUA. Equipe quer
1º título olímpico para impulsionar o futebol feminino no País
Pequim As meninas da seleção
feminina de futebol jogam hoje para fazer história. Tentam mais uma vez a inédita
medalha de ouro em Jogos Olímpicos. A decisão contra os Estados Unidos repete o duelo de
Atenas, quatro anos atrás, quando o time então dirigido pelo técnico Renê Simões
ficou com a prata. Desta vez, ninguém na delegação acredita em novo fracasso olímpico.
Entre si, as jogadoras comentam que desta vez a equipe não vai bater na trave.
Mais que defender as cores do País, as brasileiras lideradas
por Marta jogam por elas mesmas, por uma boa premiação e uma condição de trabalho
melhor. Embora todas digam que a conquista poderá mudar o cenário do futebol feminino no
Brasil, ninguém acredita muito nisso. As esperanças são mínimas. Nem a escolha de
Marta como a melhor do mundo pela Fifa, dois anos seguidos, alterou a condição de
abandono da modalidade.
São palavras ditas e repetidas desde muito antes da
conquista do ouro no Pan do Rio, por exemplo. Marta afirmou recentemente que tem chance
mínima de um dia voltar a jogar no Brasil, de preferência no seu Corinthians de
coração. Não há times nem campeonatos. A CBF e os clubes ainda não
encontraram uma maneira de prolongar a vida do futebol feminino e torná-lo competitivo no
País.
Qualquer surpresa nesse sentido passa obrigatoriamente pela
conquista do ouro em Pequim. Mesmo assim, com ressalvas. Não há garantias de nada após
o torneio na China. Mas elas não entregam os pontos. De alguma forma, desde
Atenas/2004 nossas vidas mudaram um pouco com aquela prata. Sabemos que é difícil jogar
no Brasil porque não há clubes, mas o interesse de equipes estrangeiras pelo nosso
trabalho é grande, disse a atacante Cristiane, que joga na Europa há quatro anos.
A atleta tenta nessa final contra as americanas tornar-se a
maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos, com 10 gols. A marca já é sua, mas
ela a divide com a alemã Prinz. É claro que quero continuar fazendo meus gols.Mas
o que mais quero mesmo é ganhar essa medalha de ouro inédita. (Agência
Estado)
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