Goiânia, 21 de agosto de 2008

HOME

ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

EDITORIAS
Capa
Opinião
Cidades
Política
Economia
Mundo
Esporte
Magazine

CLASSIFICADOS
Vrum
Lugar Certo

COLUNAS
Giro
Direito e Justiça
Coluna social
- Arthur Rezende
- Spot
Memorandum
Crônicas e
outras histórias

SERVIÇOS
E-mail
Cartas dos leitores
Assinatura
Acontece
Na telinha
Cinema
Horóscopo
Guia do Assinante
Central
do Assinante

CHARGE

ESPECIAIS
Minimaratona 2007
Maratoninha 2007
Pensar 2007
Prêmio Propaganda

SITES
OJC
Tv Anhanguera
Goiasnet
Jornal do Tocantins
Fundação J. Câmara
Rede Anhanguera
97FM
Executiva FM

Anuncie

 

Vivendo de saudade

JOSÉ MENDONÇA TELES

À medida que a gente vai chegando lá, a saudade vai batendo aqui. Chega de supetão e vai entrando corpo adentro, tirando as coisas do lugar, fazendo as maiores estripulias, deixando a gente num estado de indecisão: ou deixa a saudade bater fundo, ou levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.

Acostumado com sua presença, vou deixando o tempo correr, procurando acomodá-la nos meus anseios, pois sei que assim agindo vou vivendo os meus dias de espera. Razão tinha o poeta Guilherme de Almeida, ao afirmar que “Infeliz quem passa pelo mundo/ procurando do amor felicidade!/ A mais linda ilusão dura um segundo/ e dura a vida inteira uma saudade”.

Assim, mais uma vez me envolvo com o tema saudade. Mexendo numa gaveta de guardados, encontro dois poemas que fiz para as netas Isabella e Laura, quando elas tinham respectivamente sete e seis anos. Eu perguntava, no poema: “E as historinhas, Bebella/ até quando irei contá-las?/ O Romãozinho fazendo artes/ e o Chapeuzinho Vermelho / levando doces para a vovozinha! Até quando, Bebella/ posso viver esse sonho/ de tê-la nos meus sonhos/ todos os dias/ enquanto a noite não vem?”

Para Laura, eu afirmava: “Laurinha, quero você / pequenininha,/ correndo pela casa,/ fazendo arte; falando ‘meu vô’/ a toda hora”.

A vida é mesmo um sofrimento em conta-gota. Vivemos carregados de dores e para todas elas, tanto para a dor física como a psíquica, temos o remédio. Mas quando a dor é a saudade, não há remédio. Temos de aceitá-la.

E como é bom conviver com a saudade. Quando ela chega, já estou paramentado para recebê-la. Aí, vem o poema-canção de Mário Palmério: “Se queres compreender o que é saudade/ terás que antes de tudo conhecer/ Sentir o que é querer e o que é ternura. E ter também um grande amor-viver!/ Então compreenderás o que é saudade/ Depois de ter vivido um grande amor/ Saudade é solidão/ melancolia/ é nostalgia/ é recordar – viver!”

Isabella e Laurinha não ouvem mais historinhas do vovô, não brincam mais de bonecas, estão na faixa dos 15 anos, o mundo delas é outro, de ilusões e vaidades. Sei que estão crescendo, buscando sua própria identidade, mas este cronista, saudosista, gostaria que elas continuassem como nos versos de Vinicius de Moraes: “Menininha do meu coração/ eu só quero você a três palmos do chão”.

Saudade é o alimento, a energia da vida, o que seria de nós, seres humanos, se não existisse saudade?