Goiânia, 20 de novembro de 2008

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Vivendo de escândalos

::MÁRIO DE MORAES

No Brasil ele é pouco conhecido, mas, nos Estados Unidos, pessoas de sobrenome famoso – principalmente políticos – tremem só de ouvir falar em Larry Flynt, o dono da revista Hustler (em inglês, indivíduo enérgico, ativo), especializada em escândalos, principalmente de natureza sexual.

Flynt ficou mais famoso depois das escabrosas histórias que envolveram Bill Clinton e Monica Lewinsky. A Hustler explorou até o cansaço as estripulias do presidente dos Estados Unidos com a fogosa estagiária.

Quanto mais escandaloso for o fato, mais revistas ele vende. E para a Hustler não faltam assuntos, como um que Flynt revelou em janeiro de 2001, envolvendo o deputado Bob Barr, por sinal da oposição à Clinton. Segundo depoimento, que Flynt comprou da ex-esposa de Barr, o deputado teria, sob juramento, obstruído a Justiça ao se recusar a comentar seu adultério no processo de divórcio.

O pior é que Barr liderava uma campanha contra o aborto e, entre as acusações apresentadas pela sua ex-cara-metade – não tão cara assim –, ele a teria obrigado a abortar, tendo pago a operação.

Em 1978, Larry Flynt foi vítima de um atentado à bala e terminou paralítico. Desde então ele se exibe numa cadeira de rodas...folheada a ouro! A Hustler publica fotos capazes de corar o mais pervertido dos homens. E elas chegam as centenas à redação da revista – a maior parte batida às escondidas –, já que Flynt oferece até um milhão de dólares por um bom (e aí o bom é sinônimo de escândalo) flagrante ou uma história sensacional.

Ele se vangloria que seus leitores ainda não viram nada, que tem em suas gavetas dezenas de histórias cabeludas aguardando publicação. Isto faz com que alguns tremam na base, como o deputado Bob Livingston que, ao saber que a Hustler ia publicar uma matéria sobre ele, apressou-se a declarar ter cometido adultério com uma lobista e renunciar à presidência da Câmara, que estava prestes a assumir.

Larry Flynt faz qualquer coisa para aparecer, inclusive comparecer a um tribunal usando apenas a bandeira norte-americana como fralda. Ou candidatar-se à Presidência dos Estados Unidos. E financiar o filme O Povo contra Larry Flynt, onde é apresentado como um paladino da democracia.

O dono da Hustler, no entanto, é tão podre quanto a sua revista. A tal ponto que não hesita em publicar, em suas páginas, até fotos pornográficas de crianças. Mas não vai para a cadeia, livrando-se facilmente de todos os processos movidos contra ele. Entre outras coisas, porque ele ajuda gente poderosa, divulgando fatos que interessam a esses graúdos. Como fez, por diversas vezes, com Bill Clinton.