Goiânia, 19 de agosto de 2008

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Ricardo Rafael

Sebastião Ferreira da Costa tranca o portão da escola e impede a entrada dos alunos

Impasse deixa 320 alunos sem aulas

Dono do lote onde fica escola municipal fechou portão da unidade para receber aluguel

Rosane Rodrigues da Cunha

Um impasse entre a Prefeitura de Goiânia e o proprietário do terreno onde funciona a Escola Municipal Evangelina Pereira da Costa, situada na Chácara São Joaquim, região noroeste da capital, deixou os cerca de 320 alunos de 6 a 12 anos da instituição sem aulas – distribuídos nos turnos matutino e vespertino, com 160 estudantes em cada turno.

Ontem pela manhã, sem receber pelo aluguel da escola desde 2005 e sem um acordo com a administração municipal para a venda do terreno, o proprietário da área fechou o portão de acesso à unidade de ensino – com seis salas de aulas que ministram os ciclos 1 e 2, correspondentes ao ensino da primeira à sexta série da educação fundamental.

Fechado
Quando os funcionários e estudantes do período matutino chegaram ao estabelecimento já encontraram o portão fechado. “Foi muito difícil tomar essa decisão, que me deixa constrangido, mas não tinha outra saída”, declarou Sebastião Ferreira da Costa Sobrinho, acrescentando que o aluguel é a sua única fonte de renda.

Sebastião, que mora em uma casa situada no mesmo terreno que abriga a unidade, contou que a escola foi construída pela família dele há 37 anos, na Rua 115. O objetivo era atender estudantes da região. Com a escola funcionando há 18 anos, a família procurou a Prefeitura e firmou um contrato de aluguel da área.

Em 2001, disposto a vender o terreno, Sebastião novamente procurou a administração municipal. A negociação só avançou três anos depois, mas, ao invés de um acordo, gerou um impasse. A Prefeitura avaliou a área, de 5 mil metros quadrados, em R$ 155 mil. Porém, Sebastião Ferreira pediu a quantia de R$ 180 mil pelo terreno.

Sem acordo
Sem um acordo, a venda não foi concretizada. Mesmo assim, a Prefeitura ainda construiu mais uma sala de aula e uma ala administrativa no terreno e, até dezembro de 2004, continuou pagando o aluguel de 950 reais mensais.

“Mas, desde o início dessa gestão, o pagamento do aluguel foi suspenso”, queixou-se Sebastião. Em abril, ele enviou outra proposta de venda à Prefeitura, desta vez pedindo R$ 350 mil pelo terreno.

“Preciso resolver essa situação, pois eu estou enfrentando muitas dificuldades financeiras”, disse o proprietário, que se mostra disposto a reduzir o valor que foi pedido, desde que supere os R$ 155 mil propostos pelo município para o imóvel.

“O proprietário tomou a medida certa, pois não pode ficar esperando eternamente uma solução”, disse a manicure Haylza Nascimento Silva, que ontem pela manhã, como faz desde o início do ano letivo, deixou os filhos Michelle, de 9 anos, e Patrick, de 7, na escola. Mas, logo depois, a manicure foi surpreendida pela volta das crianças para casa.

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