Ricardo Rafael

Sebastião Ferreira da Costa
tranca o portão da escola e impede a entrada dos alunos |
Impasse deixa 320 alunos sem aulas
Dono do lote onde fica escola municipal fechou
portão da unidade para receber aluguel
Rosane Rodrigues da Cunha
Um impasse entre a Prefeitura de Goiânia e o proprietário
do terreno onde funciona a Escola Municipal Evangelina Pereira da Costa, situada na
Chácara São Joaquim, região noroeste da capital, deixou os cerca de 320 alunos de 6 a
12 anos da instituição sem aulas distribuídos nos turnos matutino e vespertino,
com 160 estudantes em cada turno.
Ontem pela manhã, sem receber pelo aluguel da escola desde
2005 e sem um acordo com a administração municipal para a venda do terreno, o
proprietário da área fechou o portão de acesso à unidade de ensino com seis
salas de aulas que ministram os ciclos 1 e 2, correspondentes ao ensino da primeira à
sexta série da educação fundamental.
Fechado
Quando os funcionários e estudantes do período matutino chegaram ao estabelecimento já
encontraram o portão fechado. Foi muito difícil tomar essa decisão, que me deixa
constrangido, mas não tinha outra saída, declarou Sebastião Ferreira da Costa
Sobrinho, acrescentando que o aluguel é a sua única fonte de renda.
Sebastião, que mora em uma casa situada no mesmo terreno que
abriga a unidade, contou que a escola foi construída pela família dele há 37 anos, na
Rua 115. O objetivo era atender estudantes da região. Com a escola funcionando há 18
anos, a família procurou a Prefeitura e firmou um contrato de aluguel da área.
Em 2001, disposto a vender o terreno, Sebastião novamente
procurou a administração municipal. A negociação só avançou três anos depois, mas,
ao invés de um acordo, gerou um impasse. A Prefeitura avaliou a área, de 5 mil metros
quadrados, em R$ 155 mil. Porém, Sebastião Ferreira pediu a quantia de R$ 180 mil pelo
terreno.
Sem acordo
Sem um acordo, a venda não foi concretizada. Mesmo assim, a Prefeitura ainda construiu
mais uma sala de aula e uma ala administrativa no terreno e, até dezembro de 2004,
continuou pagando o aluguel de 950 reais mensais.
Mas, desde o início dessa gestão, o pagamento do
aluguel foi suspenso, queixou-se Sebastião. Em abril, ele enviou outra proposta de
venda à Prefeitura, desta vez pedindo R$ 350 mil pelo terreno.
Preciso resolver essa situação, pois eu estou
enfrentando muitas dificuldades financeiras, disse o proprietário, que se mostra
disposto a reduzir o valor que foi pedido, desde que supere os R$ 155 mil propostos pelo
município para o imóvel.
O proprietário tomou a medida certa, pois não pode
ficar esperando eternamente uma solução, disse a manicure Haylza Nascimento Silva,
que ontem pela manhã, como faz desde o início do ano letivo, deixou os filhos Michelle,
de 9 anos, e Patrick, de 7, na escola. Mas, logo depois, a manicure foi surpreendida pela
volta das crianças para casa.
¤ LEIA MAIS:
|