Goiânia, 17 de maio de 2008

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ANÁLISE

Necessidade de mais critérios

Preocupar-se com a cultura local, tomar iniciativas para estimular escritores de talento e possibilitar que estudantes tenham acesso a obras de real valor literário são, obviamente, posturas louváveis em um homem público. Mas tudo isso precisa ser feito com critério, em diversos sentidos. É necessário que o vereador Rusembergue Barbosa saiba quanto vai custar e as formas de implementar sua proposta. Isso é o mínimo, o básico.

Essa questão leva a outros debates. O projeto apega-se a um conceito discutível: literatura goiana, que não faz muito sentido e que soa bairrista, provinciana. Literatura é literatura. Quando de qualidade, ela será boa em Goiás, no Brasil, no Japão. Bernardo Élis não escrevia “livros goianos”, assim como Guimarães Rosa não é um “escritor de livros mineiros”. Tentar criar um gueto literário em Goiás é uma estratégia que serve apenas para enfraquecer os bons autores que nasceram ou moram aqui.

Goiás teve e continua a ter bons autores que merecem ser reconhecidos. Mas é preciso admitir que há muitos amadores no mercado, gente que escreve mal, que não tem autocrítica e que edita livros <EM><QA0>
horrorosos pensando que são obras-primas.

Se os alunos da rede municipal forem obrigados a ler esses bagulhos, será um verdadeiro crime contra a infância e a adolescência.

A qualidade literária e a decência das edições precisam figurar entre as principais preocupações em projetos dessa natureza. Livros ruins causam um prejuízo enorme, sobretudo nas crianças. Eles podem desestimular os alunos a continuarem lendo, danificam o uso do vocabulário, deturpam o ensino da língua portuguesa. Mediocridade gera mediocridade. E isso vale para qualquer lugar, em qualquer tempo, não só para Goiás. E apenas mais um adendo: gosto pela leitura não se forma por meio de leis e sim de bons livros. (RB)

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