Goiânia, 17 de maio de 2008

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Crueldade tributária

Antiga e persistente crueldade tributária é cultivada no Brasil e, atualmente, em grau ainda pior do que nos tempos do regime militar, encerrado há mais de 23 anos. Proporcionalmente, a carga tributária que cai sobre as pessoas dos estratos de menor renda, de até dois salários mínimos, chega a 48,9%, enquanto os que têm rendimento acima de 30 salários mínimos pagam 26,3%.

Mais lamentável ainda é que a proposta de reforma tributária sobre a qual o Congresso vai deliberar não altera essa situação. Ou seja: o Legislativo fica, assim, na obrigação de tentar impedir que essa crueldade tributária tenha continuidade.

O levantamento de dados a respeito foi promovido por instituição respeitada, que é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cujo presidente, Márcio Pochmann, fez palestra a respeito deste tema no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Um sistema tributário que absorve tamanha iniqüidade só pode ser considerado anacrônico, e corre na contramão de modernos conceitos sobre a distribuição de renda. A concentração de renda no Brasil não está sendo combatida e isto também contribui para atrasos no plano social.

Se não houver profunda reavaliação da proposta de reforma tributária, não se conseguirá tão cedo remover o elevado grau de concentração da renda, com decorrências ruins para todos os interesses sociais, como educação e moradia.

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