Goiânia, 17 de maio de 2008

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Portugal aprova acordo ortográfico

Parlamento vota medida já ratificada no Brasil em 1995. Maiores alterações serão na grafia lusitana

Lisboa - O Parlamento português aprovou ontem um acordo ortográfico para sua língua-mãe que prevê a padronização do idioma nos sete países lusófonos. A implementação deve ocorrer ao longo dos próximos seis anos. As mudanças enfrentavam grande resistência em Portugal porque centenas de palavras teriam de passar a ser escritas como no Brasil.

A proposta prevê, entre outras coisas, que a grafia das palavras seja mais próxima da pronúncia por meio da remoção de consoantes mudas, como no Brasil. Os estudos lingüísticos que basearam o acordo indicam que os portugueses terão mais modificações do que os brasileiros. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no Brasil apenas 0,43% sofrerão mudanças. Já o alfabeto aumenta de 23 para 26 letras, com a inclusão oficial do “k”, do “w” e do “y”.

Os defensores das mudanças alegam que a padronização facilitará buscas na internet e uniformizará termos jurídicos para a elaboração de contratos internacionais.

Além disso, o governo português tem a esperança de que, com a padronização, o idioma finalmente se torne uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, a ONU tem seis idiomas oficiais: o árabe, o espanhol, o francês, o inglês, o mandarim e o russo.

Questionado sobre o acordo, o escritor José Saramago, prêmio Nobel de literatura, optou por não entrar em polêmica: “Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores”. (Agências Internacionais)

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