Aung Hla Tun/Reuters

Monges levam, em barco, pacotes de arroz para desabrigados |
Novos tremores assustam a China
Um forte abalo sísmico causou mais destruição e
pânico na já devastada região central do país
Pequim - Enquanto a China sofre para
enterrar os mortos e ajudar as dezenas de milhares de feridos e desabrigados, um forte
abalo sísmico secundário causou mais destruição ontem, apenas quatro dias depois de um
terremoto de 7,9 graus na escala Richter ter devastado a região central do país.
O tremor de ontem alcançou 5,5 graus na escala Richter e
atingiu Lixian, a oeste do epicentro do terremoto, em Wenchuan. O abalo secundário
provocou deslizamentos de terra que bloquearam as estradas e derrubaram os sistemas de
telecomunicações, recentemente consertados. Muitos veículos foram cobertos pelos
deslizamentos de terra. O número de mortos ainda não é conhecido, informou a
agência de notícias Nova China.
O novo tremor ocorreu em um dia no qual o presidente chinês,
Hu Jintao, visitou a região. Ele esteve na aldeia de Mianyang, no condado de Wenchuan. A
área é a mais atingida pelo terremoto, que é considerado a pior catástrofe
natural da China no período comunista.
Hu Jintao reuniu-se com o primeiro-ministro Wen Jiabao, que
está em Sichuan desde a segunda-feira, quando ocorreu o terremoto, coordenando os mais de
135 mil soldados e médicos que participam dos esforços de resgate.
Neste momento, os trabalhos de ajuda entram na fase
mais crucial. Nós precisamos fazer todos os esforços, correr contra o tempo e superar
todas as dificuldades para alcançar a vitória, disse Hu.
Wen pediu que as autoridades garantam a estabilidade social,
já que a frustração cresce entre os sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo e
vivem em barracas ou ao relento. Se houver o mínimo de esperança, não vamos
poupar esforços. Se houver um sobrevivente nos escombros, não vamos desistir,
disse Wen sobre os escombros de uma escola onde centenas estão soterrados.
Ontem, uma enfermeira foi retirada dos escombros de uma
clínica no condado de Beichuan 96 horas depois do terremoto. Além dela, 17 pessoas foram
salvas ali nos últimos dias.
Também ontem, uma equipe de resgate salvou uma criança das
ruínas de uma escola em Beichuan 80 horas depois do tremor. Eles disseram que podiam
ouvir pedidos de ajuda entre os escombros, informou a Nova China.
Mais três pessoas foram salvas ontem, duas dos escombros de
um prédio de escritórios e outra, entre as ruínas de um hospital. Além disso, 483
crianças e professores saíram ilesos dos escombros de uma escola em Beichuan.
Investigação
O terremoto que abalou a região colocou em xeque a qualidade da construção das escolas
públicas no país, depois que centenas delas desabaram durante o horário de aula e
provocaram o soterramento de milhares de crianças e adolescentes.
O governo chinês iniciou ontem uma investigação para
apurar se autoridades locais utilizaram materiais de baixa qualidade nos edifícios,
depois que inúmeros pais se revoltaram com o fato de que em vários lugares as escolas
desabaram, enquanto prédios vizinhos permaneceram em pé. (Agência Estado/AP)
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