Goiânia, 17 de maio de 2008

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Atleta amputado pode competir na Olimpíada

Corte Arbitral dos Esportes autoriza velocista sul-africano a disputar seletiva para tentar índice nos Jogos de Pequim

Lausanne – Em uma decisão histórica, a Corte Arbitral dos Esportes (CAS) deu ontem, após julgamento na Suíça, a autorização para que o sul-africano Oscar Pistorius tente se classificar para a Olimpíada de Pequim, mesmo utilizando próteses em suas duas pernas amputadas. Os juízes do tribunal deixaram claro, no entanto, que a decisão vale apenas para esse caso, sem abrir precedentes para outros atletas.

A Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf) havia anunciado em janeiro que Pistorius não poderia competir na Olimpíada, já que as próteses lhe dariam vantagem em relação aos demais competidores. Mas o sul-africano decidiu recorrer da decisão e obteve a vitória no CAS, a última instância judicial no esporte.

Feitas de fibra de carbono, as próteses substituem as pernas de Pistorius, amputadas quando ele ainda era criança – tinha 11 meses de idade. Hoje, com 21 anos, a vida esportiva do sul-africano ganhou um novo capítulo. “Agora terei a oportunidade de tentar buscar meu sonho olímpico, se não em 2008 (em Pequim), mas em 2012 (nos Jogos de Londres)”, afirmou o atleta.

Segundo o CAS, a Iaaf não provou que as regras das competições estavam sendo violadas nem que a prótese dava uma vantagem ao atleta sobre os demais. “Os juízes não se convenceram de que há evidências suficientes de que as próteses Cheetah Flex-Foot dêem qualquer vantagem metabólica”, afirmou o tribunal ao anunciar sua decisão, lembrando que Pistorius usa as próteses desde criança.

Apesar da vitória judicial, Pistorius ainda não tem presença assegurada na Olimpíada de Pequim. Sem índice para as provas que costuma disputar –100, 200 e 400 m rasos –, ele precisa se qualificar até o final de julho. Mas pode ser convocado, independente do seu tempo, para fazer parte da equipe de revezamento (4x400 m) da África do Sul.

A Iaaf já se manifestou publicamente, garantido aceitar a decisão do CAS.

Para o Comitê Olímpico Internacional, a decisão foi histórica. “Oscar Pistorius é um atleta determinado, que certamente colocará toda sua energia para conseguir a vaga olímpica. E, se conseguir, estaremos felizes por lhe dar as boas-vindas”, anunciou a entidade.

Nadadora
Se Pistorius conseguir o índice e garantir presença na Olimpíada, poderá ser o segundo atleta com necessidades especiais a disputar os Jogos Olímpicos.

A sul-africana Natalie du Toit, de 24 anos, obteve índice para nadar a maratona aquática, os 10 km em águas abertas, uma das mais desafiadoras competições da natação – ela perdeu parte da perna esquerda num acidente de moto, na Cidade do Cabo, em 2001, e compete sem prótese. Natalie ainda depende da confirmação do Comitê Olímpico Sul-Africano. (AE)

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