Goiânia, 17 de maio de 2008

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Wildes Barbosa

Vista do Residencial Serra das Brisas: MP protocolou ação para tentar parar despejo

MP tenta
reverter despejo
no Serra das Brisas

Cerca de 800 famílias estão para
perder suas casas em Aparecida
de Goiânia. Justiça já determinou
a reintegração de posse do terreno

Isabel Czepak

O Ministério Público (MP) de Goiás decidiu somar suas forças às 800 famílias dos residenciais Serra das Brisas e Belo Horizonte Sul, em Aparecida de Goiânia, que estão sob ordem de despejo da Justiça. Ontem, o órgão interpôs recurso no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) contra decisão do juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 1ª Vara Cível da Comarca de Aparecida de Goiânia. O juiz indeferiu o pedido feito pela Construtora Gutemberg Caetano, responsável pelos loteamentos, na tentativa de barrar a execução de sentença em ação de reintegração de posse movida por Luiz Antônio Lino Silva. O autor da ação se diz o legítimo proprietário da área onde estão os loteamentos.

Ele sustenta que os imóveis eram parte de uma fazenda de propriedade de sua família, que foi arrecadada nos anos 70 pelo antigo Instituto de Desenvolvimento Agrário de Goiás (Idago) como terra devoluta (sem dono). Com isso, o imóvel foi transferido para o Estado, que vendeu, posteriormente as áreas para particulares. Além das chácaras, na área da fazenda foram construídos os loteamentos. A tese foi aceita pelo juiz.

Em defesa de direitos das famílias, que adquiriram os terrenos de boa-fé, o MP questiona a competência do juízo que proferiu a sentença. Isso pode alterar a situação jurídica da questão, com a extinção imediata da decisão. Não sendo esse o entendimento do TJ-GO, o Ministério Público estadual pede o efeito suspensivo da decisão até pronunciamento definitivo.

Na quinta-feira, as associações de moradores dos residenciais Serra das Brisas e Belo Horizonte Sul também buscaram respaldo da Justiça com o objetivo de permanecer na área. As entidades protocolaram duas ações de embargo de terceiros com o mesmo objetivo: suspender a ordem de reintegração de posse.

As ações foram elaboradoras pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O presidente do Conselho das Associações e Bairros da Região do Garavelo de Aparecida de Goiânia, Felipe Robson, não acredita em resultados positivos de nenhuma das medidas. “A tendência é o arquivamento tanto do recursos, quanto das ações.” Tanto que as entidades estão se articulando para uma reunião com o governo do Estado e a prefeitura de Aparecida de Goiânia. Eles pretendem pleitear a desapropriação da área.

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