Goiânia, 17 de maio de 2008

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Prefeitura, MP e Estado
constroem sem licença

Prédios do paço Municipal, Ministério Público Estadual e Centro
Cultural Oscar Niemeyer não têm alvará de funcionamento

Carla Borges

O prédio onde estão instalados o gabinete do prefeito de Goiânia e a estrutura administrativa, inclusive órgãos encarregados de emitir licença para uso do solo e alvará de localização e funcionamento, está em situação irregular. Ele só tem o projeto arquitetônico, que sequer foi submetido à avaliação para permissão de uso do solo. A situação é semelhante à do edifício-sede do Ministério Público (MP) estadual, que investiga a atividade sem alvará de escolas e faculdades particulares de Goiânia, mas também funciona sem licença há sete anos.

O Centro Cultural Oscar Niemeyer, projetado pelo centenário arquiteto brasileiro e inaugurado no início de 2006, está em situação pior: foi embargado pela Secretaria Municipal de Fiscalização Urbana (Sefur) por falta de autorização para construção. A obra sequer poderia ter sido iniciada. A situação é comum a outros prédios públicos federais, estaduais e municipais. Nos mais antigos, o quadro é praticamente generalizado, e mesmo em alguns dos recentes a situação de irregularidade se repete, salvo nos que precisam de financiamento de organismos oficiais, como a Caixa Econômica Federal (CEF), que há cerca de três anos exigem toda a documentação, inclusive as licenças.

No caso do prédio do MP, no Jardim Goiás, as primeiras etapas atenderam à legislação, com a apresentação do projeto e licença para construção. Mas o prédio não tem o habite-se, documento expedido pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam), que atesta que a obra foi concluída obedecendo o projeto. De posse do habite-se, o construtor pode procurar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedem), que emite o alvará de localização e funcionamento.

No caso do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o titular da Seplam, Jeová Alcântara Lopes, lembra que a Prefeitura notificou por diversas vezes a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e deu prazos para regularização. “Eles só deram entrada no projeto, mas o processo não teve continuidade e não tivemos alternativa, a não ser embargar”, comentou Lopes, que não quis confirmar a falta de licenciamento do prédio do Paço, no Parque Lozandes, na região leste, cuja construção foi iniciada na gestão do ex-prefeito Darci Accorsi e inaugurado por seu sucessor, Nion Albernaz, que começou a despachar da nova sede no dia 1º de setembro de 2000. No entanto, O POPULAR apurou que a obra não foi licenciada.

O prefeito Iris Rezende recebeu com surpresa, ontem à noite, a notícia de que o prédio do Paço Municipal está funcionando em desacordo com a legislação. “Estou há 3 anos e 4 meses na Prefeitura e nunca tive o objetivo de remexer coisas das administrações passadas. Eu pensava que estivesse tudo normal com a obra”, disse Iris, garantindo que vai tomar todas as providências para regularizar a situação, até porque ele pretende construir mais uma ala prevista no projeto do prédio, que ainda não foi concluído. “Entendo que o poder público tem de dar o exemplo.”

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Abdon Moura, informou, por meio da assessoria de imprensa, que tem conhecimento de que o órgão está funcionando sem licença municipal. Abdon informou que uma das ações de sua gestão será a regularização, que demorou por causa da desapropriação do terreno. O POPULAR não localizou o diretor de Obras da Agetop, Luiz Antônio de Paula para falar sobre a situação do Centro Cultural Oscar Niemeyer.

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