Dylan Martinez

Bolt reconhece que precisa melhorar seu arranque |
Bolt leva ouro e ironiza os rivais
Jamaicano confirma a condição de homem mais rápido
do mundo, humilha rivais e ainda supera sua marca na prova dos 100 metros
Pequim Usain Bolt parecia ter sido
empurrado por uma máquina até a linha de chegada. A assustadora vantagem sobre os
concorrentes não deixou dúvidas aos cerca de 90 mil presentes no Ninho do Pássaro: o
atletismo conheceu, ontem, um novo fenômeno. Com o tempo incrível de 9s69, o jamaicano
confirmou a condição de homem mais rápido do mundo, quebrou o recorde mundial que já
era seu (9s72) e levou o ouro nos 100 metros rasos.
Os chineses ficaram em pé (sem exceção) para ver a disputa
mais nobre da Olimpíada e deixaram o estádio espantados e, ao mesmo tempo, felizes. Vão
poder falar que viram de perto um dos maiores nomes do esporte em todos os tempos.
Foi impossível acompanhá-lo. Ele esteve intocável, declarou seu compatriota
Asafa Powell, decepcionado com o 5º lugar na prova em que era um dos favoritos.
O americano Tyson Gay, outro forte candidato ao pódio, fez
ainda pior e nem chegou à final. A prata foi para Richard Thompson, 23 anos, de Trinidad
e Tobago, e o bronze ficou com Walter Dix, de 22, dos Estados Unidos.

Na raia 7, Bolt é superior e cruza linha de chegada com vantagem sobre
rivais nos 100 m |
Nas tribunas do Ninho do Pássaro, treinadores e atletas se
diziam certos de que Bolt ainda tirou um pouco o pé. Caso contrário, teria completado os
100 metros em menos tempo. As câmeras de TV comprovam os comentários. Ele relaxou nos
metros finais, abriu os braços e bateu no peito antes de cruzar a linha, tão expressiva
era sua vantagem em relação aos oponentes.
Vi que não havia ninguém perto de mim e resolvi
comemorar (antes mesmo do fim da prova), confirmou Bolt, com ar de desprezo, de
superioridade. Inteiro fisicamente, seguiu correndo pela pista depois de ter cruzado a
linha. Deu a volta olímpica e parou em todos os setores do estádio.
Pegou a bandeira de seu país, enrolou-se nela, tirou o
tênis e posou para fotos ao lado do cronômetro que exibia seus 9s69. Vim para ser
campeão, não estava preocupado com o recorde. Bolt foi soberano desde a primeira
eliminatória e não sentiu em nada a pressão por ter chegado à China como recordista
mundial. Para não dizer que foi perfeito, vacilou na largada e reconheceu o erro.
Preciso melhorar o arranque, constatou.
Apesar dos 21 anos, ele pareceu um veterano. Antes da prova,
brincou com Powell e Michael Frater, seus amigos da Jamaica, e se aqueceu como se fosse
apostar corrida com algum vizinho de rua em Trelawny, cidade em que nasceu e onde vive sua
família. Não deu a menor importância para o público. (Agência Estado)
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