Goiânia, 14 de agosto de 2008

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Mantovani Fernandes

Bruce Lee deixa a Delegacia de Homicídios, onde foi buscar chave de apartamento

BARBÁRIE

Pertences de Mohammed D’Ali serão retirados de apartamento

Bruce Lee, irmão do acusado, recebeu ontem as chaves do imóvel onde a inglesa foi morta. Mudança será na próxima semana

Rosane Rodrigues da Cunha

Bruce Lee Carvalho dos Santos, de 22 anos, irmão de Mohammed D’Ali, de 20, o assassino confesso da garota inglesa Cara Marie Burke, de 17, esteve ontem pela manhã na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH). Ele foi buscar as chaves do apartamento número 1302 do Edifício Marconi, no Setor Leste Universitário, onde morava Mohammed e palco da morte e do esquartejamento de Cara.

Bruce Lee chegou à delegacia por volta das 11h30, acompanhado por um amigo. O advogado Carlos Augusto Trajano o aguardava no local. O rapaz estava tranqüilo, mas cerca de 50 minutos depois, ao deixar o prédio, voltou a ficar agitado com o assédio da imprensa e saiu do local correndo. Além das chaves do apartamento, que passou por uma nova perícia na noite de terça-feira, Bruce Lee pegou também o notebook do irmão, que tinha sido apreendido pela polícia.

Segundo o delegado Carlos Raimundo Lucas Batista, que preside o inquérito, o computador não continha dados de interesse das investigações. O aparelho celular de Mohammed continua em poder da Polícia Civil que, segundo o delegado, deve concluir e enviar o inquérito ao Judiciário até amanhã.

Clínica
Mohammed, que foi preso no dia 30 e desde sexta-feira está em uma cela isolada no Núcleo de Custódia do complexo prisional de Aparecida de Goiânia, será indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil, ocultação e vilipêndio de cadáver. “A pena para o homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos e para cada um dos outros crimes, de 1 a 3 anos”, disse o delegado.

Com a conclusão do inquérito, a prisão temporária deve ser transformada em prisão preventiva. De acordo com o advogado, a defesa não deve pedir o relaxamento da prisão de Mohammed. “Por enquanto, não faremos esse pedido”, disse Trajano, que não descarta posteriormente pleitear a transferência de Mohammed para uma clínica de tratamento de dependentes químicos.

A defesa também vai pedir que Mohammed seja submetido a um exame de insanidade mental. Segundo Trajano, não há neste pedido qualquer intenção de inocentar Mohammed. “Ele mesmo está ciente que cometeu um crime e que tem de ser punido”, disse, ressaltando, porém, que a pena pode ser reduzida caso fique provado que Mohammed, que alegou ser dependente químico e ter consumido grande quantidade de cocaína e crack no dia do crime, agiu sob efeito de drogas.

Desde a transferência para o Núcleo de Custódia, Mohammed teve apenas um contato com o advogado. Também não voltou a falar com a mãe, com quem vinha conversando por telefone enquanto esteve preso na Delegacia de Homicídios. A direção do Núcleo de Custódia avalia se há possibilidade de Mohammed receber visitas no próximo sábado, entre elas a do irmão Bruce Lee. Os dois não se encontram há cerca de oito meses, desde que Mohammed, que estava morando na capital inglesa com a mãe e o irmão, voltou ao País.

As visitas no Núcleo de Custódia são liberadas apenas no sábado, mas o diretor da unidade, Leandro Ezequiel, estava avaliando se autorizaria a entrada de Bruce Lee hoje ou amanhã. “Acreditamos que ainda seja cedo para que o preso receba visitas. Ele está no isolamento”, informou.

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