Mantovani Fernandes

Bruce Lee deixa a Delegacia de Homicídios, onde foi buscar
chave de apartamento |
BARBÁRIE
Pertences de Mohammed DAli serão retirados de
apartamento
Bruce Lee, irmão do acusado, recebeu ontem as chaves
do imóvel onde a inglesa foi morta. Mudança será na próxima semana
Rosane Rodrigues da Cunha
Bruce Lee Carvalho dos Santos, de 22 anos, irmão de Mohammed
DAli, de 20, o assassino confesso da garota inglesa Cara Marie Burke, de 17, esteve
ontem pela manhã na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH). Ele foi
buscar as chaves do apartamento número 1302 do Edifício Marconi, no Setor Leste
Universitário, onde morava Mohammed e palco da morte e do esquartejamento de Cara.
Bruce Lee chegou à delegacia por volta das 11h30,
acompanhado por um amigo. O advogado Carlos Augusto Trajano o aguardava no local. O rapaz
estava tranqüilo, mas cerca de 50 minutos depois, ao deixar o prédio, voltou a ficar
agitado com o assédio da imprensa e saiu do local correndo. Além das chaves do
apartamento, que passou por uma nova perícia na noite de terça-feira, Bruce Lee pegou
também o notebook do irmão, que tinha sido apreendido pela polícia.
Segundo o delegado Carlos Raimundo Lucas Batista, que preside
o inquérito, o computador não continha dados de interesse das investigações. O
aparelho celular de Mohammed continua em poder da Polícia Civil que, segundo o delegado,
deve concluir e enviar o inquérito ao Judiciário até amanhã.
Clínica
Mohammed, que foi preso no dia 30 e desde sexta-feira está em uma cela isolada
no Núcleo de Custódia do complexo prisional de Aparecida de Goiânia, será indiciado
por homicídio qualificado por motivo fútil, ocultação e vilipêndio de cadáver.
A pena para o homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos e para cada um dos outros
crimes, de 1 a 3 anos, disse o delegado.
Com a conclusão do inquérito, a prisão temporária deve
ser transformada em prisão preventiva. De acordo com o advogado, a defesa não deve pedir
o relaxamento da prisão de Mohammed. Por enquanto, não faremos esse pedido,
disse Trajano, que não descarta posteriormente pleitear a transferência de Mohammed para
uma clínica de tratamento de dependentes químicos.
A defesa também vai pedir que Mohammed seja submetido a um
exame de insanidade mental. Segundo Trajano, não há neste pedido qualquer intenção de
inocentar Mohammed. Ele mesmo está ciente que cometeu um crime e que tem de ser
punido, disse, ressaltando, porém, que a pena pode ser reduzida caso fique provado
que Mohammed, que alegou ser dependente químico e ter consumido grande quantidade de
cocaína e crack no dia do crime, agiu sob efeito de drogas.
Desde a transferência para o Núcleo de Custódia, Mohammed
teve apenas um contato com o advogado. Também não voltou a falar com a mãe, com quem
vinha conversando por telefone enquanto esteve preso na Delegacia de Homicídios. A
direção do Núcleo de Custódia avalia se há possibilidade de Mohammed receber visitas
no próximo sábado, entre elas a do irmão Bruce Lee. Os dois não se encontram há cerca
de oito meses, desde que Mohammed, que estava morando na capital inglesa com a mãe e o
irmão, voltou ao País.
As visitas no Núcleo de Custódia são liberadas apenas no
sábado, mas o diretor da unidade, Leandro Ezequiel, estava avaliando se autorizaria a
entrada de Bruce Lee hoje ou amanhã. Acreditamos que ainda seja cedo para que o
preso receba visitas. Ele está no isolamento, informou.
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