Goiânia, 12 de maio de 2008

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cileide@jornalopopular.com.br

“Até mesmo os deputados governistas já sabem que a redução
da folha não se limitará aos cortes dos 1,9 mil cargos de chefia.”

Surfando numa onda de dificuldades

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acima de tudo um homem de sorte, dizem analistas políticos e a oposição. O mesmo não se pode dizer do governador Alcides Rodrigues. Não que ele seja uma pessoa azarada, mas sua vida não tem sido facilitada em nada. Muito em função de sua dificuldade de desvencilhar-se com agilidade dos problemas que o rodeiam desde a posse, há um ano e quatro meses, mas a sorte também não lhe tem dado o ar da graça.

Era para o governador ter terminado a semana passada celebrando a conclusão do longo, desgastante e delicado processo de elaboração da reforma administrativa, que chegou à Assembléia às 20h50 de terça-feira, aos 45 minutos do segundo tempo do prazo de seis meses concedido pelos deputados para o governo elaborar a reforma.

Só que na sexta-feira, os problemas políticos de Alcides ficaram até maiores do que já estiveram, com a reportagem da revista Época, informando que o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, denunciou-o e também o senador Marconi Perillo ao Supremo Tribunal Federal (STF) por supostos crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa 2, uso da máquina pública e utilização de notas frias e laranjas na prestação de contas da eleição de 2006.

Esse fato soma-se a outros que não têm dado tranqüilidade ao governo: as dificuldades financeiras do Estado, que está operando no vermelho e deixando visíveis problemas administrativos que só pioram a imagem de Alcides, como as péssimas condições das estradas; as dificuldades políticas, em função dos conflitos silenciosos, mas desgastantes do governador com Marconi. Agora, também pelas conseqüências da reforma administrativa, que extingue 1,9 mil cargos de chefia, o filé mignon dos cargos públicos e, por isso, ocupados pelos mais importantes apadrinhados políticos.

Se ainda já é pouco, a dificuldade do governo de tomar decisões têm sido um grande complicador. Na terça-feira, por exemplo, os deputados se irritaram por ficar de plantão até quase 21 horas esperando pelo projeto. Alcides tomou posse em janeiro, anunciou a reforma em novembro e só conseguiu concluí-la em maio, isso porque ela é urgente, já que se espera que ela cumpra as metas de redução do déficit, fundamental para o governo fazer caixa e começar a tão anunciada agenda positiva.

A equipe econômica havia pedido prazo de um ano para cumprir as metas de redução do déficit e acredita que cumprirá esse prazo (que termina em novembro), já que as medidas propostas pela reforma começam a vigorar em 1º de junho. A Secretaria da Fazenda está otimista com cortes que vem conseguindo além da folha de pagamento.

Cita dois exemplos: redução de 20% no gasto anual de R$ 58 milhões com locação de carros e economia, também anual, de R$ 20 milhões com a licitação para serviço de telefonia (voz e dados), experiência que o governo buscou em outros Estados, como Piauí e Distrito Federal, que também conseguiram reduzir custos com telefone depois de nova licitação.

Essas grandes economias aqui e ali, somadas à redução da folha de pagamento darão conta do recado, acredita a Sefaz. Entretanto, até mesmo os deputados governistas já sabem que a redução da folha não se limitará aos cortes dos 1,9 mil cargos de chefia. O governo sabe que precisará cortar também nos cargos comissionados. E as medidas terão de ser tomadas de uma vez, isto é, quando a reforma entrar em vigor. Se o governo cumprir essas metas, conseguirá afastar seu principal problema, a falta de recursos, para tocar a administração. Se isso acontecer e as contas ficarem no azul, o governo Alcides finalmente começará.

Sobrarão os problemas políticos, que não são poucos, e que têm sido mantidos em banho-maria pelo governador.

Pesquisa
Os números da consulta espontânea da pesquisa SERPES/O POPULAR, divulgada hoje, é um retrato fiel da disputa eleitoral em Goiânia neste momento. O prefeito Iris Rezende aparece com 25,80% dos votos (66,90% não sabem em quem votar). Os demais candidatos são traço na pesquisa. Demóstenes Torres (DEM), Raquel Teixeira (PSDB) e Sandes Júnior (PP) têm menos de 1% das intenções de voto. Em outras palavras, o eleitor só enxerga um candidato na disputa em Goiânia, o prefeito.

Na estimulada, mais problemas para a oposição. Iris tem 58,60% dos votos (crescimento de quase 12 pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior) e venceria no primeiro turno. O segundo colocado, Demóstenes, com 9,90%, nem ameaça o líder. O PSDB tem uma dificuldade adicional. Sua candidata, a deputada federal Raquel Teixeira, tem a maior rejeição entre todos os pré-candidatos: 19,10% não votariam nela, índice que lhe dá a liderança negativa.

É bom frisar que esses números refletem apenas o quadro atual, mas mesmo assim é um fato grave para a oposição. Indica que a cerca de 50 dias para as convenções partidárias ainda não há candidato, ou candidatos, competitivos para enfrentar Iris.

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