| TURISMO Encontro com o passado
Beleza e preservação de obras históricas atraem
visitantes e fazem
de Tiradentes (MG) o cenário preferido para minisséries de época
Erika Lettry
Ernane Fonseca

Relógio do Sol e Igreja Matriz de Santo
Antônio: visitação obrigatória para o turista |
Tiradentes, em Minas Gerais, é uma cidade para ser
descoberta aos poucos, com uma dose de paciência e outra de fôlego. Uma passagem rápida
pelo lugar pode resultar em perda de passeios inusitados, de traços instigantes da
população e, principalmente, de detalhes das construções que fazem parte não apenas
da história de Minas Gerais, mas de todo o Brasil. Ali nasceu simplesmente Joaquim José
da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, o líder da Inconfidência Mineira.
Lembra de suas aulas de história na escola? Pois é. O
aprendizado pode ficar muito mais interessante em Tiradentes. Por isso, a primeira
recomendação: separe um tênis confortável para percorrer as ruas de pedras. Elas são
parecidas com as da cidade de Goiás, com o agravante de terem subidas mais desgastantes.
Mas a dificuldade compensa. Chegar ao alto da cidade dá ao visitante uma visão
panorâmica do lugar. E é no alto que fica a Igreja Matriz de Santo Antônio, erguida em
1710 e tida como a segunda mais rica do Brasil. Segunda recomendação: em igrejas, se
acostume com a idéia de que não poderá fotografá-las por dentro. Não adianta brigar,
berrar ou bancar uma de desentendido. É conveniente obedecer.
Lá em cima, fica também o Alto de São Francisco. Desse
lugar, até quem nunca ouviu falar de Tiradentes vai se lembrar. Foi ali que Ana Paula
Arósio, na pele da personagem Hilda Furacão, seduziu o padre interpretado por Rodrigo
Santoro e mostrou pela primeira vez sua nudez na televisão. Essa informação você vai
receber assim que pisar no município. Os tiradentinos adoram falar da minissérie, apesar
da cidade já ter sido cenário de outras produções, como Rabo de Saia (1984), Memorial
de Maria Moura (1994) e, recentemente, JK.
Depois de tanto percorrer a pé as ruas de Tiradentes, a
idéia de pagar R$ 15 por um passeio rápido de charrete não soa tão estranha. O
veículo parece ser mais disputado na cidade do que os táxis. Talvez por isso seja
possível encontrar uma profusão de charreteiros na praça central, que transportam os
turistas em modelos de veículos para todos os gostos. Hello Kitty e Bob Esponja são
apenas algumas das opções para os turistas que não querem perder a oportunidade de
fazer o trajeto turístico como os moradores faziam há muitos anos, mas com uma dose de
modernidade.
Festa e ecoturismo
O clima de nostalgia está presente em cada esquina. Não à toa que Tiradentes
recebe, entre 26 e 29 de junho, o 16º Encontro de Proprietários de Harley Davidson. O
contraste entre os proprietários dessas motos e as construções históricas da cidade
resultam numa combinação, no mínimo, interessante. Já em julho, entre os dias 3 e 27,
ocorre uma séria de eventos relacionados ao Inverno Cultural de Tiradentes. São
realizadas exposições com artistas plásticos e apresentações de teatro, dança e
música. Em agosto, a cidade recebe o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia.
Como se pode ver, evento é o que não falta na cidade.
Se for viajar para ver as festas, aproveite a oportunidade
para conhecer a fundo a cidade. O Chafariz de São José é um dos lugares que merecem ser
visitados. A obra foi construída em 1749 para abastecimento de água da Vila de São
José (antigo nome da cidade) e lembra a fachada de uma igreja. A parede em alvenaria de
pedra abre-se no centro em nicho que guarda a imagem de São José de Botas. Logo abaixo,
estão colocadas três carrancas com bicas de bronze, de onde sai água de um tanque. A
água canalizada vem da Mãe dÁgua, que fica na Serra de João José.
Erguida a 800 metros de altitude aos pés dessa serra,
Tiradentes possui ainda rios, cachoeiras e uma vegetação que, de tão rica, transformou
a região em área de proteção ambiental, título que mantém desde 1990. Na serra,
pode-se seguir pelo Caminho das Águas Santas e tomar banho no riacho do mangue, indo
depois para a Cachoeira do Bom Despacho. Só não se arrisque a fazer esse passeio sem um
bom guia orientando todos os seus passos.
Nesse cenário, existem também boas opções de trekking,
caminhadas de pequena, média e longa duração, podendo até dormir em algumas de suas
travessias. Existem ainda opções de cavalgadas à margem do Rio das Mortes, pelas
trilhas da Serra de São José e o tradicional roteiro da Estrada Real. Procure agências
de viagem local para fazer o passeio.
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