Goiânia, 12 de maio de 2008

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TURISMO

Encontro com o passado

Beleza e preservação de obras históricas atraem visitantes e fazem
de Tiradentes (MG) o cenário preferido para minisséries de época

Erika Lettry

Ernane Fonseca

Relógio do Sol e Igreja Matriz de Santo Antônio: visitação obrigatória para o turista

Tiradentes, em Minas Gerais, é uma cidade para ser descoberta aos poucos, com uma dose de paciência e outra de fôlego. Uma passagem rápida pelo lugar pode resultar em perda de passeios inusitados, de traços instigantes da população e, principalmente, de detalhes das construções que fazem parte não apenas da história de Minas Gerais, mas de todo o Brasil. Ali nasceu simplesmente Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, o líder da Inconfidência Mineira.

Lembra de suas aulas de história na escola? Pois é. O aprendizado pode ficar muito mais interessante em Tiradentes. Por isso, a primeira recomendação: separe um tênis confortável para percorrer as ruas de pedras. Elas são parecidas com as da cidade de Goiás, com o agravante de terem subidas mais desgastantes. Mas a dificuldade compensa. Chegar ao alto da cidade dá ao visitante uma visão panorâmica do lugar. E é no alto que fica a Igreja Matriz de Santo Antônio, erguida em 1710 e tida como a segunda mais rica do Brasil. Segunda recomendação: em igrejas, se acostume com a idéia de que não poderá fotografá-las por dentro. Não adianta brigar, berrar ou bancar uma de desentendido. É conveniente obedecer.

Lá em cima, fica também o Alto de São Francisco. Desse lugar, até quem nunca ouviu falar de Tiradentes vai se lembrar. Foi ali que Ana Paula Arósio, na pele da personagem Hilda Furacão, seduziu o padre interpretado por Rodrigo Santoro e mostrou pela primeira vez sua nudez na televisão. Essa informação você vai receber assim que pisar no município. Os tiradentinos adoram falar da minissérie, apesar da cidade já ter sido cenário de outras produções, como Rabo de Saia (1984), Memorial de Maria Moura (1994) e, recentemente, JK.

Depois de tanto percorrer a pé as ruas de Tiradentes, a idéia de pagar R$ 15 por um passeio rápido de charrete não soa tão estranha. O veículo parece ser mais disputado na cidade do que os táxis. Talvez por isso seja possível encontrar uma profusão de charreteiros na praça central, que transportam os turistas em modelos de veículos para todos os gostos. Hello Kitty e Bob Esponja são apenas algumas das opções para os turistas que não querem perder a oportunidade de fazer o trajeto turístico como os moradores faziam há muitos anos, mas com uma dose de modernidade.

Festa e ecoturismo
O clima de nostalgia está presente em cada esquina. Não à toa que Tiradentes recebe, entre 26 e 29 de junho, o 16º Encontro de Proprietários de Harley Davidson. O contraste entre os proprietários dessas motos e as construções históricas da cidade resultam numa combinação, no mínimo, interessante. Já em julho, entre os dias 3 e 27, ocorre uma séria de eventos relacionados ao Inverno Cultural de Tiradentes. São realizadas exposições com artistas plásticos e apresentações de teatro, dança e música. Em agosto, a cidade recebe o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia. Como se pode ver, evento é o que não falta na cidade.

Se for viajar para ver as festas, aproveite a oportunidade para conhecer a fundo a cidade. O Chafariz de São José é um dos lugares que merecem ser visitados. A obra foi construída em 1749 para abastecimento de água da Vila de São José (antigo nome da cidade) e lembra a fachada de uma igreja. A parede em alvenaria de pedra abre-se no centro em nicho que guarda a imagem de São José de Botas. Logo abaixo, estão colocadas três carrancas com bicas de bronze, de onde sai água de um tanque. A água canalizada vem da Mãe d’Água, que fica na Serra de João José.

Erguida a 800 metros de altitude aos pés dessa serra, Tiradentes possui ainda rios, cachoeiras e uma vegetação que, de tão rica, transformou a região em área de proteção ambiental, título que mantém desde 1990. Na serra, pode-se seguir pelo Caminho das Águas Santas e tomar banho no riacho do mangue, indo depois para a Cachoeira do Bom Despacho. Só não se arrisque a fazer esse passeio sem um bom guia orientando todos os seus passos.

Nesse cenário, existem também boas opções de trekking, caminhadas de pequena, média e longa duração, podendo até dormir em algumas de suas travessias. Existem ainda opções de cavalgadas à margem do Rio das Mortes, pelas trilhas da Serra de São José e o tradicional roteiro da Estrada Real. Procure agências de viagem local para fazer o passeio.

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