 Limpar a sujeira
Como desde 1994 está no ar a promessa da reforma política,
a campanha eleitoral deste ano é a oitava que se realiza depois deste vago e protelado
compromisso. Quando o governo e as lideranças das bancadas no Congresso vão cumprir tal
promessa com a sociedade?
Esta protelada reforma significará avanço para a democracia
brasileira e dispensará a necessidade de outras intervenções, principalmente aquelas
que se caracterizam como casuísticas. Saudáveis regras do processo eleitoral, por
exemplo, levantarão o perfil moral dos quadros políticos brasileiros. Convivemos ainda
com deploráveis deformações no sistema partidário e eleitoral, pois não se fechou a
margem para práticas clientelistas e para a atuação de legendas de aluguel. Partidos
que se alugam são indesejáveis e têm de ser excluídos do processo.
A boa reforma política terá de minar muitos defeitos nas
composições e alianças que levam a práticas antiéticas, precisa impedir esse tipo de
adesismo fisiológico, tem de impor alguma forma de lealdade partidária e neutralizar a
possibilidade de que grupos ou uma pessoa tomem conta de legendas para delas se servirem
em funções de interesses e projetos pessoais.
Essencial também para o bom funcionamento da democracia, das
instituições em geral e dos Poderes Executivo e Legislativo, em especial, é a
imposição de normas que impeçam o acesso de candidatos inidôneos às chapas que são
homologadas e submetidas às urnas.
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