Goiânia, 12 de maio de 2008

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Pacote vai desonerar tecnologia

Nova política industrial a ser anunciada hoje reduz à metade a contribuição ao INSS de exportadoras de tecnologia da informação

Brasília - O governo deve anunciar hoje uma significativa desoneração das exportações do setor tecnologia da informação (softwares e serviços relacionados). O governo vai reduzir à metade a contribuição patronal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) das empresas exportadoras do setor. Dessa forma, a contribuição cairá dos atuais 20% da folha de pagamentos para 10%.

Essa desoneração incidirá só sobre a parte das empresas que está envolvida no processo exportador. Ou seja, se dentro de uma companhia, a folha de pagamentos dos funcionários que trabalham com exportação é de R$ 100 mil, a contribuição patronal cai de R$ 20 mil para R$ 10 mil. Mas o restante da folha de pagamentos da empresa - a parcela voltada ao mercado interno - ainda recolherá 20% ao INSS.

O governo ainda estudava a possibilidade de eliminar as contribuições de empresas exportadoras de software ao Sistema S (Sesi e Senai), ao Sebrae e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o que representaria uma redução adicional de 3,1 pontos porcentuais na carga tributária sobre a folha de pagamentos do setor. Confirmada a redução dessas contribuições acessórias, a desoneração total da folha de pagamentos do setor seria de 13,1 pontos porcentuais.

De acordo com os cálculos dos envolvidos na discussão, o conjunto de desonerações poderia levar a um ganho de competitividade (redução de preços) da ordem de 10%.

Resistências
Um dos focos de resistência à redução da contribuição patronal ao INSS era seu impacto fiscal. Os ministérios da Previdência e da Fazenda temiam perdas de recursos que aumentassem o desequilíbrio no sistema de aposentadorias. Mas, segundo uma fonte, como a desoneração é focada nas exportações do setor, hoje reduzidas, o impacto fiscal é pequeno.

Por outro lado, se a estratégia for bem sucedida, o Brasil pode ter ganhos importantes de receitas em dólares que ajudariam a conter a escalada do déficit na conta corrente do Balanço de Pagamentos, hoje a grande preocupação da equipe econômica.

Emprego
O setor de softwares é um dos mais intensivos em mão-de-obra, com os custos trabalhistas representando cerca de 75% de todas despesas do setor. As medidas do governo visam colocar o Brasil em outro patamar no disputado mercado global de tecnologia da informação, estimado em US$ 1,3 trilhão. Desse total, entre US$ 35 e 40 bilhões são de terceirização para exportação, no qual a Índia, com sua mão-de-obra barata e falante de inglês e incentivos fiscais é líder, exportando entre US$ 25 e US$ 30 bilhões.

Países da América do Sul, como Argentina, também incentivam o setor, configurando uma guerra fiscal em escala internacional, que tem gerado inquietação no empresariado e no governo, já que diz respeito ao direcionamento de investimentos que poderiam ser feitos no Brasil. Apesar de ter uma força de trabalho considerada de alta qualidade, pela combinação de qualidade com disciplina, os encargos trabalhistas prejudicam o desenvolvimento do setor no Brasil, sobretudo para competir no mercado de terceirização para exportações.

Desde o ano passado, o setor de software tem trabalhado junto ao governo por uma desoneração da folha de pagamentos. A proposta levada pelas empresas ao governo previa uma migração da incidência da cobrança sobre a folha para o faturamento das empresas. A idéia do setor era criar um “regime especial” em que as companhias exportadoras de Tecnologia da Informação se inscreveriam e recolheriam, ao invés de 20% sobre a folha de pagamentos, 2% sobre o faturamento no mercado interno.

Para entrar nesse regime, as empresas teriam de ter 70% da produção voltada para exportação. A indústria se comprometia ainda, na proposta, a elevar as exportações de US$ 800 milhões em 2007 para US$ 5 bilhões em 2011, gerando cerca de 100 mil novos empregos.

O projeto implica em uma perda significativa de receitas do INSS, mas o setor calcula que, no terceiro e quarto anos, os ganhos de produção gerariam outras receitas para a União que cobririam as perdas da Previdência. (AE)

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