Goiânia, 12 de maio de 2008

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Deficiente ainda busca igualdade

Conferência realizada em todo o Estado debate reivindicações que serão levadas para encontro nacional, em dezembro

Rosane Rodrigues da Cunha

Calçadas ocupadas por veículos, degraus que dão acesso aos mais variados lugares, portas estreitas, letreiros coloridos, ambulantes que nas ruas não poupam a voz para tentar atrair a clientela. Para a maioria das pessoas, esses são objetos, ações e situações rotineiros, às vezes incômodos, outras agradáveis ou nem percebidos. Mas, para cerca de 10% da população mundial, podem se transformar em um grande obstáculo, uma angústia, uma incógnita.

Essa é a parcela da população, que, segundo a Organização Mundial de Saúde, tem algum tipo de deficiência física, intelectual, auditiva ou visual. Um grupo que em Goiás é ainda maior - 14,5% da população,ou 814 mil pessoa, de acordo com o Censo de 2000 – e cujos direitos estão sendo discutidos na II Conferência Regional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Os debates começaram em abril e vão até junho. Em agosto, os problemas, reivindicações e sugestões apresentados serão discutidos na II Conferência Estadual, que será realizada em Goiânia e vai aprovar as propostas que Goiás levará à Conferência Nacional marcada para dezembro, em Brasília.

Para facilitar a participação dos goianos, o Estado foi dividido em 11 regiões. O último encontro foi realizado na quinta-feira, em Goianésia. O próximo será no dia 15, em Itumbiara.

A partir do tema Inclusão, Participação e Desenvolvimento: um novo jeito de avançar, os direitos das pessoas com deficiência vão sendo debatidos sob a ótica da educação, acessibilidade, saúde, reabilitação profissional e mercado de trabalho.

“Ao final, teremos um documento que contribuirá com a luta histórica das pessoas com deficiência em busca de direitos iguais, equiparação de oportunidades e exercício pleno de cidadania”, diz Lucília Alves Cunha, gerente de Articulação das Ações Multissetoriais da Superintendência Estadual da Política de Atenção ao Deficiente (Supad).

Há dois anos, ela integrou a coordenação da primeira conferência realizada em Goiás e organizada pelo Conselho Estadual dos Direitos do Deficiente. Frente a frente, estiveram mais de 2,5 mil profissionais de várias áreas, pais e pessoas com deficiência.

“Naquele encontro, percebemos que em todos os municípios, as pessoas com deficiência convivem com problemas parecidos, como dificuldades de acessibilidade”, observa Lucília, que trabalha há 20 anos com a atenção a pessoas com deficiência.

Nesse período, viu muitos avanços e constatou que muito ainda precisa ser feito. Os maiores ganhos, diz, foram na área da educação, como a implantação da educação inclusiva em escolas públicas goianas, há quase dez anos.

Qualificação
Lucília, porém, está certa que muitos problemas apontados na primeira conferência voltarão a ser debatidos neste ano. Entre eles, as dificuldades de acesso ao trabalho. Apesar da legislação assegurar a reserva de vagas nas empresas, muitos não conseguem preencher esses espaços por falta de qualificação.

“E não conseguem se qualificar porque sequer têm acesso às salas de aula por falta de adaptação física dos prédios, embora também haja leis que determinem essa adaptação”, exemplifica. O rompimento desse ciclo, diz Lucília, depende da ação das pessoas com deficiência. “Elas devem cobrar seus direitos e não esperar que façam isso por elas”, afirma a gerente.

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