| Deficiente ainda busca igualdade Conferência realizada em todo o Estado debate reivindicações que serão
levadas para encontro nacional, em dezembro
Rosane Rodrigues da Cunha
Calçadas ocupadas por veículos, degraus que dão acesso aos
mais variados lugares, portas estreitas, letreiros coloridos, ambulantes que nas ruas não
poupam a voz para tentar atrair a clientela. Para a maioria das pessoas, esses são
objetos, ações e situações rotineiros, às vezes incômodos, outras agradáveis ou nem
percebidos. Mas, para cerca de 10% da população mundial, podem se transformar em um
grande obstáculo, uma angústia, uma incógnita.
Essa é a parcela da população, que, segundo a
Organização Mundial de Saúde, tem algum tipo de deficiência física, intelectual,
auditiva ou visual. Um grupo que em Goiás é ainda maior - 14,5% da população,ou 814
mil pessoa, de acordo com o Censo de 2000 e cujos direitos estão sendo discutidos
na II Conferência Regional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Os debates começaram em abril e vão até junho. Em agosto,
os problemas, reivindicações e sugestões apresentados serão discutidos na II
Conferência Estadual, que será realizada em Goiânia e vai aprovar as propostas que
Goiás levará à Conferência Nacional marcada para dezembro, em Brasília.
Para facilitar a participação dos goianos, o Estado foi
dividido em 11 regiões. O último encontro foi realizado na quinta-feira, em Goianésia.
O próximo será no dia 15, em Itumbiara.
A partir do tema Inclusão, Participação e Desenvolvimento:
um novo jeito de avançar, os direitos das pessoas com deficiência vão sendo debatidos
sob a ótica da educação, acessibilidade, saúde, reabilitação profissional e mercado
de trabalho.
Ao final, teremos um documento que contribuirá com a
luta histórica das pessoas com deficiência em busca de direitos iguais, equiparação de
oportunidades e exercício pleno de cidadania, diz Lucília Alves Cunha, gerente de
Articulação das Ações Multissetoriais da Superintendência Estadual da Política de
Atenção ao Deficiente (Supad).
Há dois anos, ela integrou a coordenação da primeira
conferência realizada em Goiás e organizada pelo Conselho Estadual dos Direitos do
Deficiente. Frente a frente, estiveram mais de 2,5 mil profissionais de várias áreas,
pais e pessoas com deficiência.
Naquele encontro, percebemos que em todos os
municípios, as pessoas com deficiência convivem com problemas parecidos, como
dificuldades de acessibilidade, observa Lucília, que trabalha há 20 anos com a
atenção a pessoas com deficiência.
Nesse período, viu muitos avanços e constatou que muito
ainda precisa ser feito. Os maiores ganhos, diz, foram na área da educação, como a
implantação da educação inclusiva em escolas públicas goianas, há quase dez anos.
Qualificação
Lucília, porém, está certa que muitos problemas apontados na primeira conferência
voltarão a ser debatidos neste ano. Entre eles, as dificuldades de acesso ao trabalho.
Apesar da legislação assegurar a reserva de vagas nas empresas, muitos não conseguem
preencher esses espaços por falta de qualificação.
E não conseguem se qualificar porque sequer têm
acesso às salas de aula por falta de adaptação física dos prédios, embora também
haja leis que determinem essa adaptação, exemplifica. O rompimento desse ciclo,
diz Lucília, depende da ação das pessoas com deficiência. Elas devem cobrar seus
direitos e não esperar que façam isso por elas, afirma a gerente.
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