Goiânia, 12 de maio de 2008

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PARQUE NACIONAL DAS EMAS

Presença na área era desconhecida

Primeira relação de felinos da reserva ambiental não considerava a presença de onça-pintada na área

Almiro Marcos
De Mineiros

A primeira reação é de desconfiança. “Onça-pintada no Parque das Emas? Isso é lenda.” É mais ou menos isso o que as pessoas dizem até hoje quando se comenta sobre a existência do maior felino das Américas na reserva. Não foi diferente do que imaginava há 20 anos o biólogo Leandro Silveira, quando foi convidado a ir ao parque estudar o impacto de um grande incêndio nos carnívoros locais.

Até então a onça-pintada nem fazia parte da lista oficial de bichos da unidade de preservação. Considerava-se que ela não vivia por ali. Afinal, era pouco provável que um animal tão sensível à presença humana vivesse em uma área cercada por lavouras. Só que os pesquisadores observaram rastros dos felinos em áreas do parque.

“Mas será que existe onça-pintada aqui?”, foi a primeira pergunta que eles fizeram. Os pesquisadores foram atrás de relatos. Nem os próprios moradores da região acreditavam na existência delas ali. “O pessoal dizia que nunca tinha visto nenhuma em toda a vida”, lembra Leandro Silveira.

Depois de novas pesquisas, foram identificados animais na área. “Era uma população residente e com boa quantidade de animais”, diz. Através de capturas e de armadilhas fotográficas, os pesquisadores descobriram os hábitos dos animais.

Atualmente, existem dez onças-pintadas rastreadas dentro do parque. Elas levam colares nos pescoços que possibilitam o acompanhamento de seus roteiros diários. Os colares têm sensores que emitem sinais de rádio. Outra forma de verificação da rotina dos animais são 230 armadilhas fotográficas espalhadas pelo parque.

Recentemente, uma pesquisadora norte-americana ligada ao instituto passou a pesquisar os animais através das fezes. Cães de várias raças foram devidamente treinados para localizar os dejetos deixados pelos felinos.

Todo o material é coletado e através dele se identificam detalhes como a dieta e a possibilidade de existirem enfermidades. “Os cães farejadores são o que há de mais atual em pesquisas voltadas para onça-pintada no mundo”, resume o biólogo Leandro Silveira. (A equipe do jornal O POPULAR viajou ao Parque das Emas a convite da Monsanto do Brasil)

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