| PARQUE NACIONAL DAS EMAS Presença na área era desconhecida
Primeira relação de felinos da reserva ambiental
não considerava a presença de onça-pintada na área
Almiro Marcos
De Mineiros
A primeira reação é de desconfiança. Onça-pintada
no Parque das Emas? Isso é lenda. É mais ou menos isso o que as pessoas dizem até
hoje quando se comenta sobre a existência do maior felino das Américas na reserva. Não
foi diferente do que imaginava há 20 anos o biólogo Leandro Silveira, quando foi
convidado a ir ao parque estudar o impacto de um grande incêndio nos carnívoros locais.
Até então a onça-pintada nem fazia parte da lista oficial
de bichos da unidade de preservação. Considerava-se que ela não vivia por ali. Afinal,
era pouco provável que um animal tão sensível à presença humana vivesse em uma área
cercada por lavouras. Só que os pesquisadores observaram rastros dos felinos em áreas do
parque.
Mas será que existe onça-pintada aqui?, foi a
primeira pergunta que eles fizeram. Os pesquisadores foram atrás de relatos. Nem os
próprios moradores da região acreditavam na existência delas ali. O pessoal dizia
que nunca tinha visto nenhuma em toda a vida, lembra Leandro Silveira.
Depois de novas pesquisas, foram identificados animais na
área. Era uma população residente e com boa quantidade de animais, diz.
Através de capturas e de armadilhas fotográficas, os pesquisadores descobriram os
hábitos dos animais.
Atualmente, existem dez onças-pintadas rastreadas dentro do
parque. Elas levam colares nos pescoços que possibilitam o acompanhamento de seus
roteiros diários. Os colares têm sensores que emitem sinais de rádio. Outra forma de
verificação da rotina dos animais são 230 armadilhas fotográficas espalhadas pelo
parque.
Recentemente, uma pesquisadora norte-americana ligada ao
instituto passou a pesquisar os animais através das fezes. Cães de várias raças foram
devidamente treinados para localizar os dejetos deixados pelos felinos.
Todo o material é coletado e através dele se identificam
detalhes como a dieta e a possibilidade de existirem enfermidades. Os cães
farejadores são o que há de mais atual em pesquisas voltadas para onça-pintada no
mundo, resume o biólogo Leandro Silveira. (A equipe do jornal O POPULAR
viajou ao Parque das Emas a convite da Monsanto do Brasil)
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