| PARQUE NACIONAL DAS EMAS Isolamento ameaça onça-pintada
Área de preservação tem cerca de 30 animais. Falta
de cruzamento com onças de outras regiões pode levar a problemas genéticos
Almiro Marcos
De Mineiros
É difícil de acreditar, mas o Parque Nacional das Emas, no
sudoeste goiano, tem uma população ativa de onças-pintadas circulando pelos seus 132
mil hectares e entorno. Estimativas de pesquisadores indicam que pelos menos 30 exemplares
do maior predador das Américas ainda vivam por ali. A população é considerada boa para
a área, mas há preocupações sérias com o seu isolamento geográfico.
Ocorre que a falta de ligação com outros pontos onde
existam exemplares da espécie vivendo na natureza pode levar a problemas genéticos. A
alternativa para impedir a extinção seria a criação de corredores ecológicos.
Há duas décadas nem se sabia que existiam onças-pintadas
no Parque das Emas. Os grandes felinos eram, até então, considerados animais de
florestas e não havia confirmação de existência em áreas tão abertas como o parque
goiano. É a única área de campo onde há onças-pintadas, argumenta o
biólogo Leandro Silveira, presidente do Instituto Onça-Pintada.
Ele foi um dos responsáveis pelas primeiras pesquisas com o
felino no parque. Primeiro, através do Instituto Pró-Carnívoros e, depois, por meio do
Fundo para Preservação da Onça-Pintada, que se tornou o Instituto Onça-Pintada, com
atuação nacional e internacional e que tem sede no entorno do parque.
Utilizando ferramentas diversas de pesquisa foi possível
estimar que cerca de 30 onças-pintadas vivem atualmente no Parque Nacional das Emas.
Mas é só uma estimativa, alerta Leandro Silveira.
No topo da cadeia alimentar, os animais aproveitam a rica
fauna do parque, comendo antas, queixadas, veados, tamanduás-bandeira e tatus-canastra.
Dificilmente atacam o gado, como normalmente ocorre no Pantanal. Em 15 anos, foram
registrados menos de dez ataques de onças-pintadas ao gado. Isso normalmente
acontece com a onça-parda, que é menos sensível à presença humana do que a
pintada, explica.
A pesquisa com as onças-pintadas é importante porque elas
são consideradas indicadores de qualidade ambiental. A gente chama essa espécie de
guarda-chuva porque é a escala maior. A onça-pintada é muito exigente e, para viver num
ambiente, necessita que ele esteja saudável, argumenta Leandro Silveira.
Por enquanto, o biólogo considera que a população de
onças-pintadas do Parque das Emas está protegida. Afinal, elas não são caçadas na
região e têm boa alimentação nativa disponível no parque, sem precisar atacar as
fazendas de gado da vizinhança.
Ele alerta que o isolamento da população preocupa. Isso faz
com que os felinos façam o cruzamento somente entre si, já que dificilmente um animal
tão sensível se desloca de outra área para chegar ao parque. É preciso ter
onça-pintada entrando e saindo aqui, para cruzar com os exemplares locais, afirma o
biólogo Leandro Silveira.
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