Goiânia, 12 de maio de 2008

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PARQUE NACIONAL DAS EMAS

Isolamento ameaça onça-pintada

Área de preservação tem cerca de 30 animais. Falta de cruzamento com onças de outras regiões pode levar a problemas genéticos

Almiro Marcos
De Mineiros

É difícil de acreditar, mas o Parque Nacional das Emas, no sudoeste goiano, tem uma população ativa de onças-pintadas circulando pelos seus 132 mil hectares e entorno. Estimativas de pesquisadores indicam que pelos menos 30 exemplares do maior predador das Américas ainda vivam por ali. A população é considerada boa para a área, mas há preocupações sérias com o seu isolamento geográfico.

Ocorre que a falta de ligação com outros pontos onde existam exemplares da espécie vivendo na natureza pode levar a problemas genéticos. A alternativa para impedir a extinção seria a criação de corredores ecológicos.

Há duas décadas nem se sabia que existiam onças-pintadas no Parque das Emas. Os grandes felinos eram, até então, considerados animais de florestas e não havia confirmação de existência em áreas tão abertas como o parque goiano. “É a única área de campo onde há onças-pintadas”, argumenta o biólogo Leandro Silveira, presidente do Instituto Onça-Pintada.

Ele foi um dos responsáveis pelas primeiras pesquisas com o felino no parque. Primeiro, através do Instituto Pró-Carnívoros e, depois, por meio do Fundo para Preservação da Onça-Pintada, que se tornou o Instituto Onça-Pintada, com atuação nacional e internacional e que tem sede no entorno do parque.

Utilizando ferramentas diversas de pesquisa foi possível estimar que cerca de 30 onças-pintadas vivem atualmente no Parque Nacional das Emas. “Mas é só uma estimativa”, alerta Leandro Silveira.

No topo da cadeia alimentar, os animais aproveitam a rica fauna do parque, comendo antas, queixadas, veados, tamanduás-bandeira e tatus-canastra. Dificilmente atacam o gado, como normalmente ocorre no Pantanal. Em 15 anos, foram registrados menos de dez ataques de onças-pintadas ao gado. “Isso normalmente acontece com a onça-parda, que é menos sensível à presença humana do que a pintada”, explica.

A pesquisa com as onças-pintadas é importante porque elas são consideradas indicadores de qualidade ambiental. “A gente chama essa espécie de guarda-chuva porque é a escala maior. A onça-pintada é muito exigente e, para viver num ambiente, necessita que ele esteja saudável”, argumenta Leandro Silveira.

Por enquanto, o biólogo considera que a população de onças-pintadas do Parque das Emas está protegida. Afinal, elas não são caçadas na região e têm boa alimentação nativa disponível no parque, sem precisar atacar as fazendas de gado da vizinhança.

Ele alerta que o isolamento da população preocupa. Isso faz com que os felinos façam o cruzamento somente entre si, já que dificilmente um animal tão sensível se desloca de outra área para chegar ao parque. “É preciso ter onça-pintada entrando e saindo aqui, para cruzar com os exemplares locais”, afirma o biólogo Leandro Silveira.

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