
Sergio Moraes/Reuters

Walewska ataca sobre o bloqueio de
Oulmou, da Rússia |
Brasil bate Rússia e enfrenta Sérvia
Seleção de vôlei feminino supera trauma e atropela
russas. Time brasileiro evita clima de já ganhou
Pequim O vôlei feminino do Brasil
tem na madrugada de amanhã mais um grande desafio nos Jogos de Pequim. O time enfrenta a
Sérvia em sua terceira partida, às 3h30 (de Brasília), e pode garantir vaga nas
quartas-de-final com uma vitória. Até agora, a equipe de José Roberto Guimarães
caminha sem sobressaltos. Depois de passar pela fraca Argélia na estréia, a seleção
também não teve trabalho para bater as russas na madrugada de ontem por 3 a 0 (25/14,
25/14 e 25/16).
Foi até mais fácil do que as jogadoras esperavam. O time
russo aceitou o ritmo brasileiro. Quando tentou acordar, acabou. O jogo reeditou o duelo
de quatro anos atrás em Atenas, quando as russas eliminaram as brasileiras na semifinal.
Desta vez a história foi outra: as russas não viram a cor da bola. Com uma defesa
consistente e um trabalho fortíssimo de saque, Paula Pequeno, Fofão e companhia não
permitiram qualquer reação das adversárias, lentas nos passes e na virada do jogo.
O Brasil comandou os três sets e marcou 75 pontos, contra 44
das russas. Nem mesmo a grandalhona Gamova, de 2,02 metros, conseguiu fazer a diferença e
assustar. A jogadora era considerada um pesadelo para as brasileiras. Ficou encaixotada
entre o bloqueio e a defesa. A vitória foi boa, mas pouco comemorada. Ainda é cedo.
Além do temor de que a Rússia ainda pode crescer, há a expectativa de que a Sérvia,
sim, será o primeiro teste de verdade.
O time da Servia é parecido com o nosso. Sempre usamos
a expressão que elas são as brasileiras da Europa no vôlei. É um time rápido. E tem
na levantadora Maja Ognjenovic sua principal atleta. Ela é diferente, disse Zé
Roberto, ainda calejado das amareladas que o vôlei feminino costuma dar em momentos
cruciais de competição.
É isso que tem segurado o entusiasmo das jogadoras em
Pequim. A equipe sabe que terá de conviver com a desconfiança até conseguir uma medalha
de ouro. As chances foram muitas e todas bateram na trave. Nem no Pan do Rio, ano passado,
aconteceu: a equipe caminhava a passos largos em direção ao ouro, jogava no Brasil e
tinha o apoio da torcida, mas ficou com a prata ao ser derrotada na final por Cuba. No
Mundial de 2006 no Japão, a seleção já havia escorregado na decisão contra a Rússia
e ficou em 2º.
É contra essa sina de morrer na praia que as meninas lutam.
O fracasso nos Jogos de Atenas é assunto proibido entre elas. As meninas não
agüentam mais responder sobre aquela derrota. Querem virar o jogo. Mas todos sabemos que
teremos de conviver com essa situação até a gente ganhar uma medalha olímpica,
disse Zé Roberto. O vôlei tem dois bronzes em Olimpíadas: Atlanta/96 e Sydney/2000. O
jogo com a Sérvia pode ser o primeiro passo da virada. (AE)
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