| O menino de Campo Formoso ::BARIANI ORTENCIO
Marrequinho O Menino de Campo Formoso, trabalho
autobiográfico de Francisco Ricardo de Souza e registro antológico da nossa música
caipira e sertaneja, relata sua vinda para Goiânia, suas realizações na arte de compor
e de cantar. Ninguém poderá pesquisar a nossa música sem consultar este magnífico
compêndio, de linguagem primorosa, registrando, desde o advento de Goiânia, os pioneiros
do rádio e do disco, primeiros a enfrentarem um microfone de rádio: Zé Micuim, meu
compadre (Jorge Batista Ribeiro), Chico Onça (Rosaldo), Tiburtino (Henrique Cezar da
Veiga Jardim) e Tiburneco, indo até os que vieram depois.
São 50 capítulos vivos, bem narrados, a música sertaneja
goiana abrindo o seu caminho glorioso para as gravadoras paulistas. Apresentadores
famosos, como Moraes Cezar e Claudino Silveira, com os programas Nossa Fazenda e No
Moeirão da Porteira (Radio Anhanguera e Difusora). O fenômeno Goiá (Gerson Coutinho da
Silva), quebrando a norma das letras caipiras para o português correto. Goiá chegou de
Minas (Coromandel) com o nome artístico de Rouxinol e formou o Trio da Amizade, com Zé
Micuim e Goiazinho (José Ignácio), os primeiros a gravarem discos sertanejos (Columbia
do Brasil).
Marrequinho fala dos seus sucessos, principalmente, a
guarânia Pranto do Adeus, com sucessivas gravações. Faz, também, trajetória dos
violeiros, cantadores sertanejos que elegeram São Paulo o paraíso da música sertaneja.
Quem quisesse se realizar, fazer sucesso, teria que se bandear para a capital paulista,
sendo o ponto tradicional de encontros, o Café Caboclo, no Largo Paissandu, esquina com a
Avenida São João. Suas várias parcerias, mormente com um dos mais famosos compositores
populares, Ubirajara Moreira, de Uruana. Todas as folias gravadas por Melrinho &
Belguinha e demais foliões, tiveram, como embaixador, o Marrequinho, algumas vezes, o
Adolfinho (das Velhas).
No capítulo 15 conta a sua passagem pelo nosso Bazar
Paulistinha, por quatro anos, onde foi secretário particular, auxiliar de escritório,
motorista da família e testador de candidatos a gravarem discos em São
Paulo. Conservo, ainda, o gravador Philips, de rolo, com o microfone cara de
gato. Conta que, num ato impensado, pediu demissão, que foi concedida, prontamente.
Acontece que eu nunca segurei e nem seguro empregado que pede demissão, porque, se ele
continuar, nunca vai ser o mesmo.
Discute a evolução ou deturpação da música caipira,
passando por Sertaneja Raiz, Sertaneja Urbana, Urbaneja, Sertaneja Universitária,
Sertaneja Popular Brasileira, seus compositores e intérpretes. Na Campininha, os
primeiros pontos de encontros: Nosso Bar, Pensão da Brasilina e o Bazar Paulistinha. Os
seus 20 anos afastado da música e motorista-entregador na firma Alô Brasil. Tem, como
herdeiro artístico, o filho Chico Júnior que, com o parceiro Robson, faz sucesso nas
noites goianas.
Em 1999 foi homenageado pela Agepel, com um livro e um CD
Projeto Marrequinho Uma Vida, Uma História. O seu novo trabalho será
Marrequinho 50 Anos de Música 1958/2008.
O autor orizonense tem conterrâneos ilustres na área da
cultura, sendo alguns, entre outros, Dom Antônio Ribeiro de Oliveira, Benedito Silva,
Sônia Maria Ferreira, Terezinha Miranda (Tê Miranda), Geraldo Vale, José Pereira da
Costa (Zequinha da Costa), que deve estar se revirando no túmulo devido a nova reforma
ortográfica...
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