Goiânia, 5 de janeiro de 2009

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Guimarães Rosa
Há cerca de uns 15 anos, depois de intensa pesquisa, principalmente no acervo da minha amiga Olga Moreira Barbosa, mineira de Belo Horizonte e que, junto com o seu falecido marido o dr. Pedro Barbosa, conviveu longo tempo com Guimarães Rosa, produzi um ensaio biográfico com o título de Veredas de Guimarães Rosa, em homenagem até como título de sua monumental obra Grande Sertão: Veredas.

Após concluído o trabalho, fiz contato com a família (a Vilma e a Inês), no sentido de autorizar a sua publicação. Diante de uma obra despretensiosa, cheia de citações e de encômios ao nosso maior ficcionista do século 20, tal não foi a minha surpresa quando recebi do então advogado da família, dr. Eduardo Tess Filho, uma notificação não autorizando a edição do livro.

Nada havia de particularidades que pudessem denegrir a imagem do autor mas, pelo contrário, exaltá-lo com toda plenitude.

Inconformado com a decisão, fiz um contato com o professor Haroldo Marques que, em setembro de 1993, estava organizando o Memorial Guimarães Rosa, na PUC–MG. A ele, como colaboração, encaminhei um pacote de alguns quilos de livros, cartas, fotos, depoimentos, o original deste meu trabalho, recortes de jornais, artigos etc. Tudo isto veio a compor o que hoje é, em termos mais amplos, este Memorial situado em Belo Horizonte.

Com efeito, mesmo com todo o trabalho que tive, na coleta e pesquisa sobre Guimarães Rosa, abandonei, de vez, o intento de levar avante o projeto Veredas de Guimarães Rosa. Pois bem. Hoje deparo com a deplorável decisão judicial em mandar recolher o livro Sinfonia Minas Gerais: a Vida e a Literatura de João Guimarães Rosa, do fantástico pesquisador Alaor Barbosa, fato este promovido por Vilma Guimarães Rosa, a mesma que há anos, também abortou a minha pretensão.

Mais dia ou menos dia, a alteração de 70 para 30 anos dos direitos sucessórios na propriedade intelectual, será fato consumado. E como já se passaram 41 anos da morte de Guimarães Rosa, voltará às livrarias e ao convívio de todos, o trabalho hercúleo de Alaor Barbosa.

Mas, de toda forma, com a honra e com a dignidade que cabe a cada qual, na produção de obras biográficas ou não, mas sempre de exaltação a figuras, como Guimarães Rosa, deixo, aqui, a minha expressão de entusiasmo e de fé ao estimado amigo e companheiro Alaor Barbosa: meu irmão, as coisas vão mudar. Tenha esperança, de que os seus amigos, verdadeiros amigos, estão por perto. Parabéns, pelo magnífico livro e pela iniciativa da LGE Editora.

JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA
Goiânia – GO


Sossego público
Concordo com a leitora Helena Bagliano de Oliveira, (do Setor Oeste) que manifestou aqui sua indignação quanto ao exibicionismo e incômodo do som automotivo. É justamente na hora em que escrevo esta, às 3h30 da manhã, vem um carro em frente a outro prédio onde moro com o som bem audível – resido no 12º andar – e como se não bastasse buzinando insistentemente para que o porteiro abrisse o portão eletrônico para o dono desse carro entrar.

Até há bem pouco tempo, um morador desse mesmo prédio chegava em sua vistosa caminhonete vermelha, entre 18 e 19 horas, num som caipira na maior altura do mundo para que o porteiro abrisse o portão. Estou falando do Setor Aeroporto, que, até há bem pouco tempo, era considerado bairro nobre de Goiânia.

Fico estarrecido com falta de educação e de respeito com o próximo.

JOSÉ MARIA DE ALENCASTRO
Setor Aeroporto – Goiânia


Venda de carros
Fim de ano é comum as vendas de veículos novos crescerem, ainda mais com a nova lei de isenção do IPI, que deixou o carro zero mais barato. Um fato que tem despertado revolta de alguns compradores é na hora de emplacar. As concessionárias têm sua área de abrangência para atendimento ao cliente limitada a determinada região e, se o cliente tem residência e domicílio em uma região e quer comprar o carro em outra, ele é obrigado a emplacar seu veiculo naquela cidade onde está localizada a concessionária e não na cidade onde reside e tem domicílio.

O artigo 120 do Código de Trânsito Brasileiro diz que todo veículo automotor deve ser registrado perante o órgão executivo de trânsito do Estado, no município de domicílio ou residência de seu proprietário. As concessionárias estão obrigando os consumidores a infringirem a lei, pois não aceitam que emplaquem em suas cidades de origem.

Por ter necessidade urgente do veículo, acabei tornando-me vítima desse procedimento e tive de aceitar emplacá-lo em Goiânia, condição imposta pela concessionária. Caso contrário, a compra estava desfeita. Quando recebi a documentação, percebi um endereço estranho, questionei e o vendedor me informou que se tratava de seu próprio endereço. Argumentei que tinha o direito de comprar o carro onde me agradasse, não importa qual fosse a revendedora que atendesse minha cidade, mas ele não aceitou.

BIRACY CAMARGO
Jaraguá – Go


Repercussão do viaduto
Com certa estranheza, vejo a repercussão do complexo viário da Avenida 85 com T-63. Percebo que a falta de grandes obras faz as intervenções necessárias no trânsito virarem fofocas. Tudo teve início com o viaduto da Praça Latif Sebba, agora na João Alves e assim acontecerá com todas as obras de grande vulto aqui construídas.

Sou goiano e há um tempo moro na capital paulista. Lá, não se vê isso, não. Há, sim, como aqui, debates com a sociedade, discussão do projeto, do cronograma, desvios alternativos, etc. Temos de melhorar sempre e isso quer dizer também deixar hábitos que não levam a sociedade a nenhum crescimento pessoal e moral.

BRUNO SOUZA
São Paulo – SP


Escrever certo
Enquanto alguns estão preocupados em escrever de uma forma igual a língua portuguesa nos países que a usam, é cada vez maior o número de pessoas que não sabem ouvir, pensar, entender nem falar o português. Aliás, para escrever acertadamente hoje em dia, basta manter o corretor ortográfico atualizado. Assim sendo, deverá acontecer uma grande mudança daqui alguns anos, quando não será mais necessário estudar a língua portuguesa. Bastará a pessoa cursar o primário, onde aprenderá a norma técnica de rabiscar o som que ouviu. A pessoa estará capacitada a usar a fonte de informação que é a internet. Qualquer coisa você acha. É um conhecimento em ritmo de vapt-vupt. O internauta está criando uma forma de escrever tão veloz como a velocidade da informação que chega na sua cabeça. É o internetês. A cada dia que passa a língua portuguesa vai diminuindo na grafia do internetês. Daqui algum tempo o português dessa reforma ortográfica de 2009 estará arcaico e os jovens internéticos vão ter dificuldade em ler e entender os livros escritos no português agora reformado.

Acho que os nossos iluminados linguistas e editores de livros deveriam começar a prestar atenção para esta realidade nua e crua. Conforme a coisa está caminhando, acho que é mais importante ensinar o pessoal a ouvir, entender, pensar e falar a língua, do que se preocupar somente com a forma correta de sua escrita.

WILSON GORDON
Nova Friburgo – RJ