Guimarães Rosa
Há cerca de uns 15 anos, depois de intensa pesquisa, principalmente no acervo da minha
amiga Olga Moreira Barbosa, mineira de Belo Horizonte e que, junto com o seu falecido
marido o dr. Pedro Barbosa, conviveu longo tempo com Guimarães Rosa, produzi um ensaio
biográfico com o título de Veredas de Guimarães Rosa, em homenagem até como título de
sua monumental obra Grande Sertão: Veredas.Após
concluído o trabalho, fiz contato com a família (a Vilma e a Inês), no sentido de
autorizar a sua publicação. Diante de uma obra despretensiosa, cheia de citações e de
encômios ao nosso maior ficcionista do século 20, tal não foi a minha surpresa quando
recebi do então advogado da família, dr. Eduardo Tess Filho, uma notificação não
autorizando a edição do livro.
Nada havia de particularidades que pudessem denegrir a imagem
do autor mas, pelo contrário, exaltá-lo com toda plenitude.
Inconformado com a decisão, fiz um contato com o professor
Haroldo Marques que, em setembro de 1993, estava organizando o Memorial Guimarães Rosa,
na PUCMG. A ele, como colaboração, encaminhei um pacote de alguns quilos de
livros, cartas, fotos, depoimentos, o original deste meu trabalho, recortes de jornais,
artigos etc. Tudo isto veio a compor o que hoje é, em termos mais amplos, este Memorial
situado em Belo Horizonte.
Com efeito, mesmo com todo o trabalho que tive, na coleta e
pesquisa sobre Guimarães Rosa, abandonei, de vez, o intento de levar avante o projeto
Veredas de Guimarães Rosa. Pois bem. Hoje deparo com a deplorável decisão judicial em
mandar recolher o livro Sinfonia Minas Gerais: a Vida e a Literatura de João Guimarães
Rosa, do fantástico pesquisador Alaor Barbosa, fato este promovido por Vilma Guimarães
Rosa, a mesma que há anos, também abortou a minha pretensão.
Mais dia ou menos dia, a alteração de 70 para 30 anos dos
direitos sucessórios na propriedade intelectual, será fato consumado. E como já se
passaram 41 anos da morte de Guimarães Rosa, voltará às livrarias e ao convívio de
todos, o trabalho hercúleo de Alaor Barbosa.
Mas, de toda forma, com a honra e com a dignidade que cabe a
cada qual, na produção de obras biográficas ou não, mas sempre de exaltação a
figuras, como Guimarães Rosa, deixo, aqui, a minha expressão de entusiasmo e de fé ao
estimado amigo e companheiro Alaor Barbosa: meu irmão, as coisas vão mudar. Tenha
esperança, de que os seus amigos, verdadeiros amigos, estão por perto. Parabéns, pelo
magnífico livro e pela iniciativa da LGE Editora.
JOSÉ ROBERTO GUEDES DE OLIVEIRA
Goiânia GO
Sossego público
Concordo com a leitora Helena Bagliano de Oliveira, (do Setor Oeste) que manifestou aqui
sua indignação quanto ao exibicionismo e incômodo do som automotivo. É justamente na
hora em que escrevo esta, às 3h30 da manhã, vem um carro em frente a outro prédio onde
moro com o som bem audível resido no 12º andar e como se não bastasse
buzinando insistentemente para que o porteiro abrisse o portão eletrônico para o dono
desse carro entrar.
Até há bem pouco tempo, um morador desse mesmo prédio
chegava em sua vistosa caminhonete vermelha, entre 18 e 19 horas, num som caipira na maior
altura do mundo para que o porteiro abrisse o portão. Estou falando do Setor Aeroporto,
que, até há bem pouco tempo, era considerado bairro nobre de Goiânia.
Fico estarrecido com falta de educação e de respeito com o
próximo.
JOSÉ MARIA DE ALENCASTRO
Setor Aeroporto Goiânia
Venda de carros
Fim de ano é comum as vendas de veículos novos crescerem, ainda mais com a nova lei de
isenção do IPI, que deixou o carro zero mais barato. Um fato que tem despertado revolta
de alguns compradores é na hora de emplacar. As concessionárias têm sua área de
abrangência para atendimento ao cliente limitada a determinada região e, se o cliente
tem residência e domicílio em uma região e quer comprar o carro em outra, ele é
obrigado a emplacar seu veiculo naquela cidade onde está localizada a concessionária e
não na cidade onde reside e tem domicílio.
O artigo 120 do Código de Trânsito Brasileiro diz que todo
veículo automotor deve ser registrado perante o órgão executivo de trânsito do Estado,
no município de domicílio ou residência de seu proprietário. As concessionárias
estão obrigando os consumidores a infringirem a lei, pois não aceitam que emplaquem em
suas cidades de origem.
Por ter necessidade urgente do veículo, acabei tornando-me
vítima desse procedimento e tive de aceitar emplacá-lo em Goiânia, condição imposta
pela concessionária. Caso contrário, a compra estava desfeita. Quando recebi a
documentação, percebi um endereço estranho, questionei e o vendedor me informou que se
tratava de seu próprio endereço. Argumentei que tinha o direito de comprar o carro onde
me agradasse, não importa qual fosse a revendedora que atendesse minha cidade, mas ele
não aceitou.
BIRACY CAMARGO
Jaraguá Go
Repercussão do viaduto
Com certa estranheza, vejo a repercussão do complexo viário da Avenida 85 com T-63.
Percebo que a falta de grandes obras faz as intervenções necessárias no trânsito
virarem fofocas. Tudo teve início com o viaduto da Praça Latif Sebba, agora na João
Alves e assim acontecerá com todas as obras de grande vulto aqui construídas.
Sou goiano e há um tempo moro na capital paulista. Lá, não
se vê isso, não. Há, sim, como aqui, debates com a sociedade, discussão do projeto, do
cronograma, desvios alternativos, etc. Temos de melhorar sempre e isso quer dizer também
deixar hábitos que não levam a sociedade a nenhum crescimento pessoal e moral.
BRUNO SOUZA
São Paulo SP
Escrever certo
Enquanto alguns estão preocupados em escrever de uma forma igual a língua portuguesa nos
países que a usam, é cada vez maior o número de pessoas que não sabem ouvir, pensar,
entender nem falar o português. Aliás, para escrever acertadamente hoje em dia, basta
manter o corretor ortográfico atualizado. Assim sendo, deverá acontecer uma grande
mudança daqui alguns anos, quando não será mais necessário estudar a língua
portuguesa. Bastará a pessoa cursar o primário, onde aprenderá a norma técnica de
rabiscar o som que ouviu. A pessoa estará capacitada a usar a fonte de informação que
é a internet. Qualquer coisa você acha. É um conhecimento em ritmo de vapt-vupt. O
internauta está criando uma forma de escrever tão veloz como a velocidade da
informação que chega na sua cabeça. É o internetês. A cada dia que passa a língua
portuguesa vai diminuindo na grafia do internetês. Daqui algum tempo o português dessa
reforma ortográfica de 2009 estará arcaico e os jovens internéticos vão ter
dificuldade em ler e entender os livros escritos no português agora reformado.
Acho que os nossos iluminados linguistas e editores de livros
deveriam começar a prestar atenção para esta realidade nua e crua. Conforme a coisa
está caminhando, acho que é mais importante ensinar o pessoal a ouvir, entender, pensar
e falar a língua, do que se preocupar somente com a forma correta de sua escrita.
WILSON GORDON
Nova Friburgo RJ |