Goiânia, 5 de janeiro de 2009

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Quem foram os magos Santos Reis?

::BARIANI ORTENCIO

Há controvérsias sobre os Santos Reis Magos. Seriam mesmo santos e reis? Ou foram mágicos, adivinhos, premonitores, encantadores, feiticeiros, que decifravam sonhos, conselheiros e orientadores de reis?

Estudiosos afirmam que eram quatro ou mais e até mulheres! E a caixa ossuária de 300 quilos de ouro na Catedral de Colônia, na Alemanha, será que os ossos são, realmente, deles? O percurso da Pérsia até Jerusalém foi de 33 dias? Ou foram somente 13?

Jesus teria, já, 13 dias quando os magos O encontraram? Sabemos que a caminhada foi durante à noite, devido ao calor do deserto e à estrela-guia (de Belém, dos Reis Magos, dos Pastores e do Oriente), que os astrólogos dizem ter sido um cometa; os ufólogos, um disco voador, e os espiritualistas, um espírito de luz. Por que somente o evangelista São Matheus registrou o fato? E folia, se aqui folia tem o sentido de algazarra, anarquia, baderna e farra?

Para quem desejar ir a fundo na história, constatar por farta documentação e riquíssima iconografia, o caminho é o livro, escrito a duas mãos, As Viagens dos Reis Magos, Editora UCG, do antropólogo da UFG Jadir de Morais Pessoa (62-3954-0225, jadirpessoa@hotmail.com), e da pesquisadora francesa Madeleine Felix (Le Blanc).

Assim, vamos confirmar se a Folia de Reis, ou Folia dos Santos Reis, Terno de Reis e Reisado (este no Nordeste), veio de Portugal, pelos padres jesuítas, no século 16, mais precisamente em 1534, que era ou ainda é um grupo de homens católicos que sai cantando e tocando instrumentos em louvor a um santo, percorrendo moradores rurais e angariando dinheiro para a festa.

Anteriormente, aqui, no Brasil, os foliões saíam à noite, a cavalo, como os magos que viajaram em camelos. Depois passaram a girar durante o dia e a pé, parando para os pousos.

Os foliões são os figurantes, constituídos de gerente, mestre, embaixador, alferes (porta-bandeira) e, ainda, o capitão e os palhaços ou bonecos, que representam os espiões do Rei Herodes, à procura do Menino.

Versos da chegada da folia: “Senhor dono da casa/Abra a porta, acenda a luz/Recebei os Santos Reis/E o Menino Jesus”.

Há o Beijamento da Bandeira, colocada no altar da Lapinha, ou Presépio, que também responde por aprisco, estábulo, estrebaria, curral, manjedoura... O principal instrumento musical, a caixa, marca o ritmo dos demais: sanfona, violão, viola, rabeca, pandeiro, reco-reco e cavaquinho.

A folia começa a girar na véspera de Natal e vai até o dia 6 de janeiro, Dia dos Santos Reis, da Epifania, que significa o encontro com o Menino. O costume de ganhar presentes veio deles, que presentearam Jesus com ouro, pelo mago Melchior, representando a realeza; com incenso, pelo Gaspar, representando a divindade, e mirra pelo Baltazar, lembrando a longevidade, que Jesus seria eterno, pois a resina da mirra era usada para embalsamamento.

Versos da saída: “A Bandeira se despede/Vai no giro de Belém/Adeus senhores e senhoras/Até pro ano que vem”.

Quem faz o voto de girar uma folia e não pode, por questão de saúde ou outros motivos, contrata um prático, o gerente. E terá de fazer girar por sete anos consecutivos, caso contrário, amargará sete anos de má sorte. E olhe que superstição tem muita força!...

Macktub!