Goiânia, 4 de julho de 2008

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Servidora recebe sem trabalhar

Investigada por desvio de R$ 1,2 milhão do IBAMA, Marina Piau usa
atestados médicos há cinco meses para garantir salário de R$ 5,2 mil

Marília Assunção

Investigada pelo desvio de cerca de R$ 1,2 milhão do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) de Goiás – R$ 30 mil deles gastos com tratamentos estéticos –, a servidora Maria de Fátima Piau continua recebendo, mesmo sem trabalhar, o salário de R$ 5,2 mil pago a ela pelo órgão até o surgimento do escândalo. Segundo reportagem veiculada ontem pela TV Anhanguera, Marina vem apresentando, desde fevereiro, sucessivos atestados médicos que permitem que ela se mantenha licenciada da função com direito ao salário.

Reportagem exclusiva publicada pelo POPULAR em fevereiro revelou que Marina efetuou os desvios no Ibama no decorrer dos oito anos em que respondeu pela coordenação da Seção Financeira da instituição em Goiás.

A servidora pode apresentar atestados até atingir o período legal de até de seis meses de licença médica, o que totalizaria R$ 31 mil em salários durante a licença. Enquanto isto, admite o superintendente regional do Ibama em Goiás, Ary Soares, o procedimento administrativo que poderia levar à exoneração de Marina sequer pode ser instaurado, porque ela teria de estar na ativa. O dinheiro que a servidora desviou foi depositado em contas de parentes.

Soares não confirma os valores desviados, sob a alegação de que seria quebra de sigilo, mas admite que o Ibama fica obrigado a pagar salários à servidora, classificados “entre os mais elevados”, tanto que seu alto nível de vida não despertou dúvidas sobre o desvio no órgão. Mesmo com os descontos legalmente permitidos neste caso – foram cortadas gratificações por desempenho e por tempo de serviço –, o salário da servidora investigada deve ser de R$ 5,2 mil. Segundo o superintendente, uma junta médica avalia o estado de saúde dos servidores que apresentam os atestados.

O advogado de Marina, Hélio Francisco de Miranda, afirmou que o médico da cliente expede os atestados porque ela continua com problemas psiquiátricos e psicológicos. Segundo ele, o processo segue em ritmo lento, porque há dificuldade em ouvir “outros envolvidos”, os quais ele afirma que não são culpados ainda. Marina, lembrou o advogado, confessou o desvio de recursos do Ibama. Porém não está descartada a participação de outros servidores.

Quando Marina voltar ao trabalho, os auditores do Ibama terão no máximo quatro meses para apurar a conduta da funcionária e indicar ou não a exoneração dela. O Ibama pediu o bloqueio de bens da servidora e espera reaver o dinheiro desviado.

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