| Servidora recebe sem trabalhar Investigada por desvio de R$ 1,2 milhão do IBAMA, Marina Piau usa
atestados médicos há cinco meses para garantir salário de R$ 5,2 mil
Marília Assunção
Investigada pelo desvio de cerca de R$ 1,2 milhão do
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) de Goiás R$ 30 mil deles gastos com
tratamentos estéticos , a servidora Maria de Fátima Piau continua recebendo, mesmo
sem trabalhar, o salário de R$ 5,2 mil pago a ela pelo órgão até o surgimento do
escândalo. Segundo reportagem veiculada ontem pela TV Anhanguera, Marina vem
apresentando, desde fevereiro, sucessivos atestados médicos que permitem que ela se
mantenha licenciada da função com direito ao salário.
Reportagem exclusiva publicada pelo POPULAR em fevereiro
revelou que Marina efetuou os desvios no Ibama no decorrer dos oito anos em que respondeu
pela coordenação da Seção Financeira da instituição em Goiás.
A servidora pode apresentar atestados até atingir o período
legal de até de seis meses de licença médica, o que totalizaria R$ 31 mil em salários
durante a licença. Enquanto isto, admite o superintendente regional do Ibama em Goiás,
Ary Soares, o procedimento administrativo que poderia levar à exoneração de Marina
sequer pode ser instaurado, porque ela teria de estar na ativa. O dinheiro que a servidora
desviou foi depositado em contas de parentes.
Soares não confirma os valores desviados, sob a alegação
de que seria quebra de sigilo, mas admite que o Ibama fica obrigado a pagar salários à
servidora, classificados entre os mais elevados, tanto que seu alto nível de
vida não despertou dúvidas sobre o desvio no órgão. Mesmo com os descontos legalmente
permitidos neste caso foram cortadas gratificações por desempenho e por tempo de
serviço , o salário da servidora investigada deve ser de R$ 5,2 mil. Segundo o
superintendente, uma junta médica avalia o estado de saúde dos servidores que apresentam
os atestados.
O advogado de Marina, Hélio Francisco de Miranda, afirmou
que o médico da cliente expede os atestados porque ela continua com problemas
psiquiátricos e psicológicos. Segundo ele, o processo segue em ritmo lento, porque há
dificuldade em ouvir outros envolvidos, os quais ele afirma que não são
culpados ainda. Marina, lembrou o advogado, confessou o desvio de recursos do Ibama.
Porém não está descartada a participação de outros servidores.
Quando Marina voltar ao trabalho, os auditores do Ibama
terão no máximo quatro meses para apurar a conduta da funcionária e indicar ou não a
exoneração dela. O Ibama pediu o bloqueio de bens da servidora e espera reaver o
dinheiro desviado. |