Goiânia, 4 de julho de 2008

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Weimer Carvalho

Carreiródromo de Trindade ficou lotado para o cortejo, um dos pontos altos da festa

Carros de bois renovam fé e tradição

Desfile ontem em Trindade reuniu 251 carros de bois em um show de louvor e emoção

Malu Longo

O rosto queimado de sol esconde a idade do carreiro Marcelo Lopes, 38 anos. Orgulhoso, ele conta que viajou mais de 100 quilômetros desde Cromínia, durante cinco dias, conduzindo um carro de bois de 76 anos em direção a Trindade. Ontem, Marcelo ocupava a quarta posição num cortejo que reuniu 251 carros de bois por ruas e avenidas da cidade que reverencia o Divino Pai Eterno. O primeiro, o carro-andor, levava a imagem da Santíssima Trindade.

Marcelo teve avô e bisavó carreiro. O pai não seguiu a tradição, mas ele fez questão de resgatá-la. “Quero comprar um carro de bois que foi do meu bisavó.” Observando o cortejo está Nair Alves da Silva, 68 anos. Moradora do Setor Finsocial, em Goiânia, ela lembra emocionada do tempo que foi candeeiro. “Comecei com 6 anos”, diz.

Como Nair, muitas crianças participaram ontem do desfile de carros de bois em Trindade. A tradição, ao que tudo indica, vai se perpetuar, não importa a tecnologia que deixa os carros mais possantes e sofisticados.

O som da roda e do berrante é insubstituível para as milhares de pessoas que pararam para assistir o cortejo. E quanto mais alta a canção, maior a emoção. Foi dessa forma que o carreiro Manoel Silvério de Souza homenageou o filho recém-falecido, Élcio. “Coloquei um chumaço de jangada no eixo”, explica sobre o canto em alto volume da roda do seu carro de bois.

“Eu tô pronto pra vortá”, assinala o mais velho carreiro da comitiva, Sebastião Gular, 93 anos. Ele viajou 60 quilômetros desde o município de Araçu. Do alto de seu cavalo e cumprimentando a platéia, Sr. Tota, 78 anos e 73 de romaria, foi um dos homenageados do desfile. Carreiros de quase dez carros de bois vieram uniformizados de Mossâmedes para lembrar as mais de sete décadas da romaria do Sr. Tota. Anain Cardoso não reclama do serviço que faz. Ele é um dos operários da limpeza do Carreiródromo durante a festa. “Posso ver o desfile e assistir os shows sem pagar ingresso”, afirma.

Os carros de bois ocupam a paisagem da Festa de Trindade desde 1843. Em 1999 ganharam lugar de honra com a organização do desfile. Em 2002, quando Ada Cyra de Assis Silva, 9 anos, morreu ao cair do carro de bois de seu avó Moisés Alves, após passar pelo palanque das autoridades, o evento ficou ainda mais fortalecido.

A cidade ganhou um Carreiródromo, batizado com o nome da menina Ada. O desfile de carros de bois deste ano teve as presenças do governador Alcides Rodrigues e de parlamentares, entre eles, o deputado estadual Edson Queiroz, autor do projeto que instituiu o Dia do Carreiro, no dia 6 de setembro.

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