Goiânia, 3 de julho de 2008

HOME

ÚLTIMAS
NOTÍCIAS

EDITORIAS
Capa
Opinião
Cidades
Política
Economia
Mundo
Esporte
Magazine

CLASSIFICADOS
Vrum
Lugar Certo

COLUNAS
Giro
Direito e Justiça
Coluna social
- Arthur Rezende
- Spot
Memorandum
Crônicas e
outras histórias

SERVIÇOS
E-mail
Cartas dos leitores
Assinatura
Acontece
Na telinha
Cinema
Horóscopo
Guia do Assinante
Central
do Assinante

CHARGE

ESPECIAIS
Minimaratona 2007
Maratoninha 2007
Pensar 2007
Prêmio Propaganda

SITES
OJC
Tv Anhanguera
Goiasnet
Jornal do Tocantins
Fundação J. Câmara
Rede Anhanguera
97FM
Executiva FM

Anuncie

 

O custo de não fazer

Washington Novaes

Há mais de uma década, desde quando passou a ocupar este espaço, o autor destas linhas chamava a atenção para a temeridade de permitir a verticalização e o adensamento populacional rápidos e desordenados de setores como o Bueno, Nova Suíça e Marista, antes de dotá-los de infra-estruturas imprescindíveis, principalmente redes de drenagem de águas pluviais (capazes de absorver águas em solo totalmente impermeabilizado e evitar inundações), planejamento do tráfego, licenciamento rigoroso para atividades geradoras de alta demanda de veículos e assim por diante. Da mesma forma, lembrava a necessidade de uma legislação rigorosa para a expansão urbana na Grande Goiânia, para a falta de cuidado com os rápidos avanços na expansão de áreas sem estrutura (inclusive as margens da rodovia Brasília-São Paulo), a ausência de políticas adequadas de transportes urbanos e de proteção de pedestres e outros temas. Doze anos passados, todos esses temas estão presentes diariamente na comunicação, sob a forma de graves problemas. Não se trata de reivindicar méritos. Trata-se de mostrar como são previsíveis essas questões e de como é possível evitar seu agravamento – inclusive de custos para as soluções.

Pode-se começar pela obra na Praça do Chafariz, destinada a facilitar o tráfego de veículos, tal como já se fez na Praça do Ratinho. O planejamento urbano em toda a parte já demonstrou à sociedade que uma boa política deve dar preferência ao transporte coletivo, não ao automóvel, gerador de graves problemas em toda parte. Mas aqui optou-se pelo caminho inverso, embora o Ministério Público já advertisse para a inconveniência de iniciar uma obra dessa envergadura sem licenciamento ambiental e estudos prévios de impactos (O POPULAR, 7/5/8) – para descobrir-se depois de iniciada que a drenagem de águas pluviais poderia ser um problema; que o lençol freático era muito mais superficial que o previsto no projeto; que o local previsto para despejar a drenagem (Córrego do Areião) não a suportaria; que o deslocamento dessa descarga para o córrego Vaca Brava também seria problemático, pois ali já acontecem transbordamentos nas chuvas (4/6 e 7/6).

Enquanto isso, a comunicação descobre que o adensamento naquela área foi acompanhado pela implantação de varias atividades, principalmente universidades e outras escolas, sem licenciamento prévio e sem satisfazer minimamente as necessidades que gerariam (O POPULAR, 14 e 15/5). Na seqüência, descobre-se que nem a Câmara Municipal tinha licença para obras iniciadas (15/5). Na rodovia de tráfego já intenso, a ocupação descontrolada (várias universidades, o Paço Municipal, o Centro Cultural, comércio intenso, ao lado do Serra Dourada, do Ceasa, do acesso ao autódromo e ao Sudeste do Estado, de vários condomínios e bairros – fora os projetos do novo Legislativo e novo Judiciário) só poderia levar ao que levou: à necessidade de implantar vários viadutos, com alto custo e problemas para o tráfego.

Só nos últimos dias de junho aprovou-se no Legislativo municipal, depois de 20 anos de discussão, a implantação do IPTU progressivo, que aumentará o tributo em 25 setores da cidade para lotes vagos (20 mil), na tentativa de conter uma expansão desordenada na periferia da cidade, com a abertura de loteamentos em lugares sem infra-estruturas – exigência antiga de várias leis que não vinham sendo cumpridas. Resta ver como a nova lei será cumprida.

Também na Câmara aprovou-se um Estatuto do Pedestre, na tentativa de reduzir seus problemas principalmente no trânsito, já que um terço das mortes nessa área se deve a atropelamentos (O POPULAR, 18/6). Volta-se, então, ao problema da prioridade para o transporte individual, já que no período 1991/2007, enquanto a população da cidade cresceu 34,9%, a frota de veículos aumentou 236,9%. E com isso Goiânia passou a ser a cidade com maior índice de veículos por habitante: 1,5 por pessoa, que no total chegam a 784 mil veículos, que geram uma poluição que custa, junto com acidentes, R$130 milhões por ano. Mas pretende-se continuar privilegiando o automóvel. Vão ser cortadas ao meio várias rotatórias (O POPULAR, 19/5), embora para a maior parte da população o problema central esteja no transporte coletivo. De 1984 a 2006, o tempo de viagem dos ônibus aumentou 21%, a média de velocidade deles caiu de 22 quilômetros por hora para 17, apesar de a frota haver aumentado de 1.160 coletivos para 1.471. E com isso o número de passageiros transportados em dez anos não cresceu.

Ainda assim, embora os planejadores do setor calculem que custaria R$12 milhões implantar um corredor exclusivo para ônibus, do Carrefour Norte ao Terminal Cruzeiro, que duplicaria a velocidade dos coletivos, não conseguem esses recursos, menos de metade do que se gastará na Praça do Chafariz. E volta-se a discutir o metrô, que agora custará uma fortuna, porque foi abandonado o projeto do metrô de superfície planejado por Henrique Santillo, e que seria implantado no antigo leito da estrada de ferro, sem necessidade de desapropriações, obras subterrâneas etc. e que atenderia ao maior fluxo de passageiros (Leste-Oeste). Preferiu-se uma avenida para automóveis.

De quanta paciência precisará a sociedade?

Washington Novaes é jornalista.

ÍNDICE