Goiânia, 3 de julho de 2008

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Araguaia sem estradas e telefones

Em pleno 2008, estamos retroagindo aos anos 60, quando não tínhamos estradas asfaltadas nem comunicação telefônica na região do Rio Araguaia. Nesta temporada, a GO-164, continuação da GO-070, que segue para São Miguel, por onde passam grandes riquezas do nosso Estado, está toda deteriorada.

Para completar a catástrofe, a empresa de telefonia celular Vivo retirou a freqüência TDMA, a única que atendia a região, devido ao alcance de até 150 km com antena externa, e em troca oferece aparelhos celulares com tecnologia GSM ou CDMA, os quais só operam com distâncias entre 30 e 40 km. Com isso, emudeceram milhares de linhas e cessou o canal de comunicação com nossas fazendas, chácaras e casas que estão localizadas em distância superior.

A forma de comunicação que nos resta é recorrer aos recados via emissoras AM, como fazíamos antigamente.

GERALDO PARREIRAS
Setor Bueno – Goiânia


Volta da inflação

Na economia, não existem milagres nem mandingas. Alguma justificativa há para o aumento da inflação no Brasil nos últimos meses. Com uma balança comercial favorável, ou seja no superávit, onde as exportações superam as importações, e com uma produção agrícola quebrando recordes, não há como justificar o aumento nos preços dos alimentos, com destaque para os produtos da cesta básica, como arroz, feijão, carne, óleo de soja, as verduras, os legumes e as frutas.

O crescimento industrial nunca foi visto antes no País como hoje e a exportação de carne bovina nos coloca em primeiro lugar no Planeta. Mesmo com o otimismo no setor energético, com o petróleo e o etanol, será que a tão temida inflação dos anos 90 está de volta?

Será que empurrar os juros para cima para segurar a inflação pela taxa de câmbio, por parte do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é a maneira menos traumática para a economia, para a circulação de capital e a geração de emprego, além de manter nossa moeda forte? Só esperamos que o fantasma do passado não venha tirar nosso maior orgulho do governo Lula, a ausência da inflação.

MÁRCIO MANOEL FERREIRA
Jardim Novo Mundo - Goiânia


Distribuição de renda

Os dados do Ipea de que a diferença nos salários de ricos e pobres tenha diminuído mostram que não existe crescimento econômico sem crédito, e não há crédito sem estabilidade. O aumento do poder de consumo nas classes mais baixas, associado à habilidade na condução da economia, trouxe uma nova dinâmica social e resultou numa situação inédita de redistribuição de renda. Trata-se da mais recente evidência de que o País tem conseguido, enfim, reduzir sua população de miseráveis, ao mesmo tempo em que começa a formar uma sociedade de consumo de massa.

O crescimento econômico beneficiou mais as classes baixas, para as quais o crédito era, até pouco tempo atrás, artigo de luxo. A boa notícia é que, desta vez, tudo leva a crer que não se trata de mais uma bolha como as do passado. Nem de um vôo de galinha. Um sinal disso é que, mesmo com a crise financeira nos Estados Unidos, o Brasil deverá registrar em 2008 mais um ano de crescimento econômico acelerado.

O sociólogo alemão Max Weber descreveu as pessoas excluídas do mercado de consumo como os “negativamente privilegiados”, cuja subsistência dependia do Estado. É desse lamaçal econômico que conseguiram escapar 20 milhões de brasileiros que migraram das classes D e E para a C nos últimos dois anos.

Com o recém-adquirido acesso ao consumo e à informação, espera-se que esses brasileiros cortem o cordão umbilical que os liga ao Estado. Que se tornem, enfim, cidadãos autônomos.

MURILO AUGUSTO DE MEDEIROS
Guará 2 - DF


Os jovens e a política

O que está acontecendo com nossos jovens, que não mais se interessam por política? Este mês, começam as campanhas eleitorais e podemos notar quase nenhum envolvimento de jovens com o setor. Os que se interessam estão à procura de trabalho nos comitês.

O País passa por uma excelente fase econômica, mas o mesmo não se pode dizer da política. Não só os jovens mas quase toda a sociedade perdeu a fé nas ações dos políticos. Isto é muito grave no Estado democrático, pois quando se perde a confiança nos políticos, de forma indireta estamos desiludidos com a democracia. Esperamos que os candidatos possam rever seus conceitos em relação à ética, moral e à coisa pública, como o nome já diz: pública. Mesmo que seja uma grande utopia, devemos confiar e esperar que aqueles que chegarem ao poder zelem pelos interesses do povo, pois é para isto que são eleitos.

REINALDO DA PAIXÃO
Goiás - GO


Voto consciente

Em oportuno artigo, publicado na sexta-feira, o jornalista Hélio Rocha convoca o eleitor para a responsabilidade neste próximo pleito. Realmente, não reconhecemos o valor que este elemento democrático tem na superação, como diz Hélio, “dos velhos vícios e males que ainda rondam a política brasileira”.

São inúmeros os municípios neste País bem localizados geograficamente, pródigos em recursos naturais, de um povo trabalhador e com tantos outros elementos favoráveis, mas que sofrem com gestores que só sugam e se enriquecem em cima dos cargos.

É tempo propício para as instituições representativas agirem, como já fazem a OAB e a CNBB, para barrar os aproveitadores de plantão. O Ministério Público deve ficar de olho; os formadores de opinião de cada cidade precisam deixar o maniqueísmo de lado e ajudar o povo simples a fazer um sadio discernimento. Política é coisa séria e coisa nossa. O empenho, pois, deve ser de todos.

Pe. Francisco Soares
Cocalzinho – GO


Transtornos

É preciso que alguns secretários municipais revejam seus conceitos quanto à entrega e ao reparo de serviços públicos. Vejo o poder público, em dados momentos, trazendo transtornos desnecessários à população e fomentando ainda mais o caos no trânsito. O último episódio foi o da entrega dos ônibus.
Tenho certeza de que, se o prefeito tivesse conhecimento do problema que isso geraria naquele dia e local, ele teria vetado. Se fosse para uma melhor apresentação da frota, por que não colocá-los desde logo em circulação ou deixar os ônibus rodarem de graça pela manhã? Surtiria muito mais efeito.

Inúmeras foram as manifestações de insatisfação, buzinaços, xingamentos e até ofensas aos agentes de trânsito, que, em número reduzido, tiveram de se desdobrar para minimizar os problemas. Vamos repensar mais as ações como as que já ocorreram em horários impróprios por causa do fluxo de veículos: troca de luminárias, entrega de ônibus, poda de árvores, rega de plantas no canteiro central e o recapeamento asfáltico – como o que ocorreu na Av. T-7.

Evidente que os serviços que requerem urgência não podem ser adiados, mas há muitos outras atividades que, com um planejamento melhor, trariam menos transtornos e mais satisfação aos beneficiados.

CLAYTON DE OLIVEIRA FERREIRA
Setor Sudoeste -Goiânia