| Celg negocia ações com Eletrobrás Se operação for concluída, Celg ficará livre de uma
dívida de R$ 1,3 bilhão. Negociação com BNDES continua
Sônia Ferreira
A Eletrobrás poderá aumentar sua participação acionária
na Companhia Goiás de Participações (Celg-Par), de 0,071% para 27%. Essa operação
permitirá que a estatal goiana fique desonerada de uma dívida de R$1,3 bilhão. A
proposta foi apresentada ontem pela diretoria da Celg ao secretário-executivo do
Ministério de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Eletrobrás,
Márcio Pereira Zimmermann. Com isso, muda a proposta inicial da Celg, de repassar ao
BNDES-Par 41,08% de suas ações, porcentual que deve ser reduzido agora para 15%.
Ao presidente da Celg, Ênio Branco, ao diretor técnico,
Moacir Finotti, e ao deputado federal Rubens Otoni (PT-GO), Zimmermann manifestou-se
favorável à proposta e prometeu submetê-la ao Conselho da Eletrobrás, ainda neste mês
de julho.
Ao converter a dívida com a estatal federal em
participação acionária, a diretoria da Celg espera resolver o impasse com a sua maior
credora e ainda ter recursos para dar continuidade ao projeto de investimentos. O débito
da Celg com a Eletrobrás, já vencido, chega a R$ 842 milhões, de acordo com o
presidente da empresa.
Ênio Branco explica que a proposta apresentada à
Eletrobrás, de aumento na participação acionária, não neutraliza o empréstimo, ora
em análise, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que
será convertido em ações para o BNDES-Par. Contudo, o porcentual de ações a serem
negociadas, que era de 41,08% (correspondente a R$ 1,013 bilhão), cairá para 15%, cerca
de R$ 369,8 milhões.
Mas ao invés do dinheiro do banco ser transferido para a
Eletrobrás para o pagamento da dívida, como estava previsto no projeto original da
negociação, ele seria usado para novos investimentos, sobretudo na modernização das
linhas de transmissão, no aumento da geração e na subsidiária de telecomunicações.
O presidente da Celg prefere não estimar o real valor das
ações da empresa, mas garante que elas serão valorizadas quando as operações com a
Eletrobrás e o BNDES forem concluídas. Ênio garante também que a empresa se tornará
uma das mais viáveis, entre as estatais do setor de energia.
O deputado Rubens Otoni acredita que, no máximo até
setembro, será possível fechar os acordos da Celg com a Eletrobrás e o BNDES. Com isso,
os resultados positivos já seriam mostrados no próximo balanço financeiro da estatal
goiana, que têm apresentado números negativos nos últimos três anos.
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