Goiânia, 3 de julho de 2008

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Romaria dos carreiros

BARIANI ORTENCIO
barianiortencio@uol.com.br

Presenciamos em Damolândia, no final da semana, uma festa típica, de originalidade, criatividade e de alegria, com shows sertanejos, 3º Festival Sabores da Terra, missa campal, com a praça repleta, e a saída dos carros de boi para a festa do Divino Pai Eterno, em Trindade. A missa cantada com fervor pelo coral e fiéis, por paródias de Chico Mineiro, Cabocla Tereza e Luar do Sertão.

Toda a cidade em função da festa devota ao Divino Pai Eterno, crianças e senhoritas de botas e chapéus, casas enfeitadas, os brinquedos das crianças mudando para máquinas fotográficas digitais, todos registrando o que achavam de mais interessante.

Encontramos o seu Vanderlino Louzada, presidente da Comissão Municipal de Folclore de Petrolina, e sua filha Rose, publicitária e empresária de produtos alimentícios na cidade. Também, de Inhumas, o ex-prefeito Irondes Morais e senhora, o deputado José Essado, o prezadíssimo Otaviano... Ainda, a cantora Célia Valadão e o filho, convidados para encerrar a festa de Trindade com um show, que sempre é sucesso.

O momento muito esperado foi a partida dos carros de boi, desfile imenso, com participantes do município que, reunidos a outros da região, como Itauçu e Inhumas, perfazem, aproximadamente, 150 carros, acompanhados por charretes puxadas por um único boi, levando as famílias, gente a cavalo e a pé. Todos os carros toldados ao rigor sertanejo, com ligares (couro de boi), nada de plástico, nada de nylon e de corrente de ferro... Juntas aparelhadas de três a seis bois, brancos, pretos, malhados, chitados e bargados, animais pacienciosos, uns, rebeldes, outros, assustados com o povão aplaudindo. Em Damolândia, carros de boi ainda prestam serviços.

Participei do evento a convite do prefeito, o médico Américo Osório, que tão bem dirige a cidade que cresce entre colinas e foi fundada por Antônio Damasco da Silva, em 1920, com o nome de Santo Antônio do Capoeirão. E Capoeirão é o título do romance do escritor da terra José Antunes de Lima, que o publicou, em 1974, com a minha aprovação no Conselho Estadual de Cultura. E foi aí, no Capoeirão, que nasceu Maria do Carmo, que, por coincidência ou para reforçar o sobrenome, casou-se com o escritor e ambientalista Carmo Bernardes, quando ele se aportou no povoado, tecendo couro e refazendo currais, monjolos e carros de boi.

Demos uma espichada até Petrolina para conferir o trabalho da Comissão Municipal de Folclore, quando almoçamos com a vice-presidente, Noêmia, irmã de Vanderlino e esposa de Ubirajara Costa, que me disse ter sido amigo e colega escolar do político e escritor, meu compadre, Ursulino Leão, nos bons tempos de Santana das Antas.

Nas dependências da casa, Dona Noêmia, comandando uma turma de senhoras, pamonheiras de tradição, desmanchando balaios com muitas mãos de milho, saindo pamonhas de sal e de doce, com banha de porco, amarrios da própria palha, nada de borrachinhas que amargam o produto. <TB>Em frente à residência, barracas engalanadas com bandeirolas e guirlandas, freezer na calçada, para cerveja e refrigerantes, bolos fofos, mané-pelado, pé-de-moleque... tudo para ser vendido em benefício do Natal dos pobres. Para a noite, quadrilhas com vestimentas, música e danças originais, fazendo parte das atividades da CMF de Petrolina de Goiás. Parabéns, folcloristas!

Macktub!